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Capítulo 69 - A Família Real do Reino Central

O Mestiço (OM)

Capítulo 69 - A Família Real do Reino Central

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Há muitos dias atrás, no mesmo período em que a família de Kotaru foi assassinada.

Longe de onde a caravana se encontrava atualmente. Na capital do Reino Central, Tavira. No grande castelo que fica situado no centro da grandiosa cidade. Um castelo de proporções absurdas, seu tamanho era tanto que era possível vê-lo no instante que se pisa em Tavira. Lá dentro vivia a família real, mas não apenas isso, ele servia de encontros para reuniões importantes entre comitês da cidade e do reino. Além de sediar eventos locais e externos também. O mais curioso sobre o castelo é o fato de haver três andares subterrâneos que alocam pouco mais de dez prisioneiros, todos com uma importância relativamente elevada.

Caminhavam pela rua um rapaz, de cabelos louros com algumas mechas ruivas, algo bem incomum e uma garota, que não deveria ter mais de quinze anos. Ele vestia uma calça de couro preta, um cinto igualmente preto com belos detalhes dourados, uma camiseta simples de cor púrpura e um decote bem extravagante. Em sua cintura havia um sabre, com uma belíssima bainha.

— Você não acha essas roupas simples demais para um príncipe? — Perguntou a garota. Ela era pequena e possuía os cabelos ruivos, marca registrada da atual família real do Reino Central. Ela vestia um vestido bufante prateado, com um diadema igualmente prateado.

— Talvez sim, mas você deve se lembrar sempre Alicia, eu não sou um príncipe legítimo, apenas mais um bastardo que foi abrigado por Vossa Majestade. — Se qualquer pessoa o ouvisse falar pensaria que ele era grato por ter sido aceito no lar do rei, mas Alicia conhecia-o bem o suficiente para saber que aquelas palavras estavam carregadas do mais ácido sarcasmo.

— Exatamente por você não ser filho legítimo e viver da caridade dele que deveria se portar da melhor maneira possível. — Ela ergueu os olhos para ver a expressão dele, e assim como imaginou havia um sorriso que não pôde ser contido.

— E então, como fugiremos do grande jantar dessa noite? — Perguntou ele que passando em frente uma barraca de maçãs pegou uma sem o menor pudor.

— Odeio lhe informar Skandar, mas temo que terei que ficar durante todo o jantar desta vez… Papai diz que tem algo importante para dizer. — Ele suspirou decepcionado com a resposta dela. — Pretende ficar? Ou irá sair novamente e desafiá-lo? Você sabe que a qualquer momento ele pode perder a paciência e te expulsar. — novamente ela questiona

— Oh céus! — Ele colocou as costas da mão na testa em um ato dramático. — Acho que você esquece de onde eu vim e que, embora eu more naquele castelo, minha vida é bem diferente da sua.

— Não seja tão irônico… Independentemente de sua vida não ser tão boa quanto a minha, eu acredito que ela é incomparável à uma vida na sarjeta. — O tom de Alicia mudou sutilmente, o suficiente para que Skandar notasse que ela estava falando sério.

— Pensarei sobre ficar durante todo o jantar, fingindo ser um filho grato pela benevolência de seu pai… Ou ao menos a benevolência que ele quer que seu povo acredite que ele tenha… — Skandar parecia não ter o menor respeito ou carinho por seu pai, o rei.

— Isso já é mais que o suficiente. Melhor voltarmos logo para o castelo, temo que um longo período de contato com a plebe desperte em você seu lado plebeu. — Ele jogou a maçã que vinha comendo no chão e estendeu seu antebraço para Alicia que o segurou delicadamente e assim que houve o contato entre os dois eles sumiram, deixando para trás apenas uma fumaça negra.

Eles se encontravam agora em um ambiente totalmente diferente, as paredes eram belíssimas, cheias de detalhes e feitas das rochas mais bem polídas, da mesma maneira era o teto. As pessoas que passavam pelo corredor estavam todas extremamente bem vestidas. Aquele era o interior do castelo.

— E então? O que fará até o jantar? — Perguntou Alicia que começou a caminhar, sendo seguida por Skandar.

— Morrer de tédio provavelmente… Não há nada a se fazer dentro desse castelo, mesmo ele sendo tão grande… As vezes eu sinto a vontade de estar no lugar de Evan ou de Ivy… Mas então eu começo a imaginar o cenário de uma guerra e essa vontade passa. — Skandar não parecia nada contente com sua vida no castelo.

— Realmente a vida de meus irmãos não deve ter nada de tediosa, afinal, se há algo que não é nada tedioso nesse mundo é a possibilidade de perder sua cabeça a qualquer momento. Acredito que eu não trocaria minha comodidade tediosa por um dia no lugar deles…

Esta era provavelmente a maior diferença entre Skandar e Alicia, embora ambos sentissem-se entediados naquele lugar, ela gostava de sua vida como estava.

Enquanto caminhavam um dos criados do castelo se aproximava deles.

— Senhor Skandar, Vossa Majestade está solicitando sua presença em sua sala. — Assim que ele terminou de dar o recado se retirou da presença dos dois.

— Bem, acho que não será prudente de minha parte deixar o velho me esperando. — Alicia sorriu ao ouvi-lo chamar seu pai de velho e então eles se separaram.

Novamente Skandar desapareceu, deixando para trás o mesmo rastro negro.

Ele reapareceu em outro lugar do castelo, de frente para duas portas de tamanho exagerado, afinal, não havia humano com altura suficiente para necessitar daquelas extravagantes portas. Ele bateu e esperou até que um criado a abriu por dentro.

— Vossa Majestade o aguarda. — Disse o criado estendendo a mão insinuando que ele poderia entrar.

— Obrigado. — Novamente ele fez uso de seu sarcasmo nada notório, e no momento que viu que o criado não notou a acidez em suas palavras se sentiu frustrado e com saudades da presença de Alicia que provavelmente riria disfarçadamente.

— Oh, aí está você. — O homem em frente à Skandar era Athos, o rei do Reino Central.

Um homem alto, com mais de dois metros, extremamente forte e belo. Seus cabelos eram ruivos e alcançavam seus ombros. Em seu rosto angular uma barba, igualmente ruiva cobria todo seu maxilar e seu queixo. Vestia uma armadura da melhor qualidade num tom marrom bem escuro, próximo do preto, com detalhes dourado. Em sua cintura uma espada de proporções extravagantes e em seus ombros uma capa vermelha, que arrastava no chão, com detalhes dourados e pelos de urso na parte superior.

— Perdão por lhe fazer esperar meu pai. — Skandar se ajoelhou perante a presença de Athos que passou ao seu lado tocando em seu ombro, o que significava que ele poderia se pôr de pé novamente.

— Creio que você já ouviu falar sobre o jantar de hoje, certo? — Sua voz era grave e imponente, capaz de fazer homens de poder tremer em sua presença apenas ao ouví-lo.

— Sim meu pai, e lhe garanto que estarei lá.

— Oh! — Ele riu. — Isto é engraçado… Você quase nunca está em nossos jantares em família, e justo nesse em que eu preciso de sua ausência você deseja estar…

— Minha ausência?

— Sim, foi para isso que lhe chamei Skandar, você não poderá estar presente neste jantar. Peça que alguém lhe leve algo em seu quarto, ou coma mais tarde, ou fora… Ou faça o que você sempre faz, desde que você não pise na sala de jantar enquanto eu estiver lá, está tudo bem. — Athos se aproximou dele e colocou suas duas mãos em seus ombros. — Estamos entendidos? — Ele direcionou seus olhos avermelhados para Skandar deixando-o pressionado.

— Sim meu pai, eu nem sequer me aproximarei da sala de jantar nesta noite.

— Muito bem, era só isso, pode se retirar. — Athos lhe deu as costas se dirigindo para uma mesa que havia do lado oposto da porta de entrada.

Assim como lhe foi sugerido Skandar se retirou da sala de seu pai dirigindo-se velozmente para seu quarto. Havia muitos lances de escada até chegar lá, mas quando ele finalmente chegou as pessoas mais próximas logo puderam notar. A porta foi batida causando um alto estrondo. Em seguida ele começou a derrubar os móveis e qualquer outra coisa que visse pela frente. — Maldito… Maldito!!! — Ele gritou enfurecido.

Anoiteceu. Skandar foi para uma taverna longe do castelo, lá, algumas pessoas sequer o conhecia. Lá ele podia beber o quanto quisesse e quando se fartasse daquilo, havia logo ao lado uma casa de meretrizes, onde ele já era um cliente especial, pois estava lá ao menos duas vezes na semana.

No castelo, a família real estava sentada em torno de uma longa mesa na sala de jantar. Ambas as cabeceira estavam vazias, e nas cadeiras mais próximas do acento do rei, estavam suas duas esposas. Ao decorrer da mesa estavam sentados um casal adulto, eram estes o irmão caçula de Athos e sua esposa. Ao lado deles um jovem de cabelos castanhos claros, filho do casal.

Os outros sete que estavam na mesa eram todos filhos de Athos, porém, não estavam todos ali, havia além dos sete outros três filhos legítimos e incontáveis bastardos. Dentre eles estava Alicia, a caçula, filha de Meredith, a rainha, prima de Athos. Uma bela mulher, jovem, de cabelos ruivos e cacheados, um corpo esbelto, capaz de fazer inveja a muitas garotas na flor da idade.

As portas foram abertas e todos na mesa se colocaram de pé. O rei estava adentrando a sala de jantar. Um criado correu até ele para retirar sua capa, e enquanto ele o fazia Athos ergueu sua mãos, permitindo assim que todos voltassem a se sentar.

— Perdoem-me pela minha demora. — Essas palavras foram proferidas apenas por hábito, não havia em Athos arrependimento algum por se atrasar, pelo contrário, eram raras as vezes que chegava no horário e quando o fazia, era apenas para reclamar com os que chegassem atrasados.

Ele se sentou e logo os criados começaram a servir a mesa.

— Imagino que todos já devem saber que há poucos dias eu dei a ordem para que meus homens fossem até Komama para matarem os Tomura, afinal, eles possivelmente são aliados dos elfos nessa guerra. — Todos acenaram em afirmação com a cabeça. — Na mesma prisão de Komama estava um de meus bastardos, Shin. Eu o prendi lá há cerca de oito anos, quando se recusou a ser reconhecido como meu filho e se mostrou um risco para a coroa. Pois bem, os soldados exterminaram os Tomura, porém, falharam ao trazer de volta meu filho, que aparentemente ainda se recusa a ser reconhecido como membro desta família e por isso fugiu.

— E por que todos nós deveríamos estar aqui ouvindo isso papa? — Perguntou um jovem que estava sentado na mesa, seus cabelos eram tão avermelhados quanto de seu pai, e suas roupas possuíam uma única cor, o vermelho.

— Emmett! Não interrompa seu pai! — Disse Meredith com o tom de repreensão.

— Além de meu filho ele também tem laços com cada um nesta mesa. Como eu disse antes, Shin é uma ameaça à coroa, por isso devo tomar uma árdua decisão imediatamente. Matá-lo, ou perseguí-lo e prendê-lo novamente. — Athos se esforçava para fingir que aquela era uma decisão difícil para ele, quando não era. Nunca houve laço nenhum entre ele e Shin, apenas desavenças, além de que em sua mente o garoto não se passava de um bastardo, coisa que ele tinha de sobra.

Uma garota de cabelos acinzentados se pôs de pé.

— Fale Mira. — Athos logo permitiu que a garota falasse.

Ela aparentava ser mais velha que Emmett, vestia um vestido liso azulado, era tão bela quanto qualquer outra sentada à mesa.

— Shin sendo um bastardo deveria ser grato à Vossa Majestade por querer acolhê-lo, mas já que nega tamanha benevolência e é considerado uma ameaça eu acredito que ele deva morrer. Qualquer ameaça por, menor que seja, deve ser eliminada. Eu também gostaria de por Clarence, meu escudeiro a sua disposição. — Ela falava de maneira dura, nem sequer parecia parte da família, mas sim uma soldada ou até mesmo uma criada.

—  Caso todos concordem com a execução de Shin por que eu deveria aceitar seu escudeiro ao invés de mandar um de meus homens? — Perguntou Athos interessado no que havia ouvido.

— Quero mostrar que nem todos bastardos são iguais. Este é meu jeito de poder lhe dizer que sou grata pelo o que Vossa Majestade fez por mim. Clarence é um homem leal e vem de uma linhagem de assassinos, acredito que ele seria ideal para este serviço. — Tamanho era o respeito de Mira que ela nem sequer dirigia o olhar para Athos. Sem sombra de dúvidas ela era sua bastarda predileta, de fato, a única por quem desenvolveu algum afeto.

— Pois bem, que fique de pé aquele que for contra a morte de Shin. — Disse Athos, e assim que suas palavras foram proferidas Mira se sentou, e ninguém se levantou. — Mira, assim que acabarmos eu gostaria que você e seu homem viessem até minha sala.  

Ela acenou com a cabeça com uma expressão feliz bem sutil, e assim todos começaram a jantar.

Por LiamGt | 09/10/18 às 19:18 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama