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Capítulo 70 - Um Interesse Romântico e Uma Antiga Amizade

O Mestiço (OM)

Capítulo 70 - Um Interesse Romântico e Uma Antiga Amizade

Autor: Liam | Revisão: Shenia

Eles já estavam viajando por três dias quando decidiram tirar uma noite de folga. As viagens vinham sendo cada vez mais árduas devido a proximidade do inverno. As coisas já vinham se complicando para Dana também, ela já estava tendo alguns enjoos, e  viajar por doze horas dentro da carruagem só a fazia piorar.

Kotaru seguia treinando quando podia, na verdade, era o que fazia com Azhar neste momento. Ele já não tinha mais problemas para usar a Hela, podendo até mesmo se dar o luxo de começar a pensar em detalhes para sua foice.    

Durante o período em que estavam cavalgando Kotaru acabou falando sobre o que Eulália havia lhe dito sobre criar uma nova magia. Foi possível notar na expressão de Azhar que ele não ficou muito contente ao ouvir aquilo e talvez tivesse se sentido desrespeitado por ter alguém interferindo em seus treinos, foi isso o que Kotaru pensou. Mas quando chegou o momento em que ele lhe mostrou a Hela um sorriso espontâneo se formou no rosto de seu mestre.   

Shin também treinava arduamente com Vilian. Sua capacidade de manipular a água estava melhorando, mas seu maior interesse, o de gerar água a partir do nada assim como seu mestre fazia, ainda estava longe de ser alcançado.

A caravana estava parada acampando numa área com muitas árvores, um pouco próxima de Hamra, que era uma cidade comprida. O horário de treino de ambos os rapazes estavam chegando ao fim. Os dois estavam esgotados e podia-se ver em seus rostos suados que Azhar e Vilian não estavam pegando leve.

— Está indo tomar banho também Kotaru? — Perguntou Shin aproximando-se de seu amigo que desejou negar, mas seria impossível, pois carregava consigo uma muda de roupas limpas.

— Sim… — Seu desejo de dizer não vinha do fato de saber que Shin iria se oferecer para tomar banho junto dele.

— Então vamos juntos. — Ele apoiou o braço do ombro de Kotaru e seguiu andando com ele, que não estava nada contente em estar certo sobre o que Shin iria fazer.

Era incrível o quão sem pudor Shin era em relação a esse tipo de coisa. Quando eram menores e viviam presos na prisão de Komama, Kotaru aprontou para ser levado ao andar inferior das celas para poder ficar com Shin. Foram cinco dias inesquecíveis para ele.

No primeiro dia Shin parou de evitá-lo e começou a conversar com ele. Naquela mesma noite ele se trocou na frente de Kotaru sem vergonha alguma, como já era de se esperar. A terceira noite foi sem sombra de dúvidas a favorita do rapaz que nem sentia falta de sua família que se encontrava no andar superior, e  foi nessa noite que Shin o contou sobre ser um príncipe bastardo. Nem ele mesmo estava acreditando que contava seu maior segredo para aquele garoto que o irritava até pouco tempo.

Kotaru ficou embasbacado com tudo que lhe era dito. Shin descrevia os tamanhos dos prédios de Tavira, as pessoas sempre bem vestidas, o grandioso castelo que ficava no centro da cidade, dentre várias outras coisas que deixou o jovem rapaz maravilhado.

Nesta noite Shin escolheu não contar sobre a parte feia da cidade. A parte que ele morou por muito tempo. O local onde muitos reviravam o lixo para encontrar o que comer. Onde os ratos comumente passavam ao seu lado. Aqueles dias que eram tão tristes, que chegavam a parecer não ter cor. Mas ele não poderia contar sobre isso para Kotaru, não após deixá-lo tão maravilhado sobre a cidade.

Demorou, mas um dia ele lhe contou sobre sua realidade. Foi neste dia que ele o considerou um amigo de verdade. Nos olhos de Kotaru não havia julgamento, nem desprezo, nem mesmo aquele olhar piedoso que tanto o irritava. Eles estavam cada um em sua cela, mas quando foram soltos para tomar sol, como era de costume, ele o abraçou.

— Hey! Você está me ouvindo? — Perguntou Shin em um tom elevado.

— O que? — Kotaru chacoalhou a cabeça.

— Estava pensando no que? Na Arien aposto, não é? — Shin o olhou com uma expressão maliciosa.

— Não! — Ele ficou vermelho. — Estava lembrando de quando nós éramos crianças. Lembra de quando eu provoquei um guarda até ele perder a paciência ao ponto de me bater para eu poder ser mandado pro terceiro andar? — Shin riu ao ouvir aquilo.

— Sim, você apareceu com o olho roxo… — Ele se despia enquanto falava. Após ter tirado sua roupa ele adentrou o lago. — Naquela época você não era bobo assim ao ponto de ficar com vergonha de tomar banho comigo.

— Nós éramos crianças… Era diferente. — Ainda envergonhado o rapaz retirou suas vestes, permanecendo com sua roupa íntima.

— Tsc, você cresceu e ficou besta isso sim! — Shin ficou um tempo fazendo birra até que sentiu algumas gotas de água voando até ele. — Você não vai querer brincar disso. — Shin o olhou com um olhar desafiador e recebeu um jato de água na sua cara.

Shin ergueu os braços avançou contra Kotaru colocando suas mãos em sua cabeça fazendo com que ela ficasse submergida.

— Haha! — Tema os poderes de Shin, o soberano das águas. — Ele estava rindo quando algo repentino e extremamente momentâneo o chamou atenção. Rapidamente o rapaz soltou a cabeça de Kotaru que assim que sua saiu da água notou que algo havia acontecido.

— O que foi? — Ele estava estranhando o comportamento de Shin, que ficava olhando para os lados de maneira paranóica.

Shin o encarou um tanto receoso de lhe contar, mas acabou dizendo. — Faz alguns dias que eu sinto como se alguém estivesse me observando…

— Te observando? Você tem certeza? — Kotaru achou um pouco estranho, não pelo o que Shin disse, pois após ter presenciado um infiltrado na caravana nada lhe parecia impossível demais. O que estranhou era a forma como Shin reagia, parecia de certa maneira que aquilo o estava agradando.

— Vou lhe contar um segredo ok? — Kotaru acenou que sim com a cabeça pra pergunta de Shin. — Lembra de quando teve aquele tal batismo? Bem… No dia seguinte eu não lembrava direito do que tinha acontecido, mas aos poucos minhas lembranças foram voltando. Primeiro eu lembrei que você vomitou em mim, e depois que eu fui até o lago me lavar e quando eu cheguei lá tinha uma garota…

Kotaru ficou curioso, mas ao mesmo tempo com vergonha de procurar saber mais sobre o assunto.

— Eu não vou contar quem era se você não perguntar. — Disse Shin provocando o garoto que ele sabia que estava com vergonha.

— Está bem, está bem… Quem era? — Ele cedeu à sua curiosidade.

— Aludra… Ah, eu me esforcei tanto para lembrar do rosto dela, e agora que eu consegui não consigo mais esquecê-la… Ela é tão linda. Seus cabelos, sua pele… — Quando Shin olhou para Kotaru ele notou que sua expressão não era de timidez como anteriormente, a forma como ele o olhava deixava-o ainda mais confortável para falar sobre isso.

— E por que isso teria algo a ver com essa sua impressão de estar sendo perseguido?

— Bem, nós estamos tomando banho… Eu estou nu, talvez ela esteja pensando em mim tanto quanto eu estou nela. — Kotaru cerrou os lábios tentando conter o riso ao ouví-lo falar tais coisas. — Tudo bem, já entendi. Você acha que ela não se interessaria por mim, certo? Fique você sabendo que mais tarde eu irei falar com ela! — Shin saiu do lago bravo.

— Calma, eu não quis dizer isso… É só meio improvável, quero dizer, se ela quisesse te ver nu não seria nada tão difícil ao ponto de ter que se esconder para isso. — Kotaru permaneceu no lago, apoiado com os antebraços na borda enquanto conversava com Shin, que se vestia.

— Ela deve ser tímida… Igual a você! Além do mais, ela fica revelado sua presença de maneira rápida. Aposto que ela está esperando que eu descubra e tome a iniciativa, é isso que eu vou fazer! — Após terminar de se vestir Shin começou a andar em direção a caravana. O rapaz já tinha um plano em mente de como iria se aproximar de Aludra.

Havia passado pouco mais de uma hora. Shin vinha observando Aludra o suficiente para ter uma ideia de onde ela poderia estar. Com um arco e uma aljava com algumas flechas em mãos, ele se direcionou para um lugar um pouco afastado do acampamento. Enquanto ele se aproximava recebeu a confirmação de que estava indo para o lugar correto. O barulho das flechas chocando-se com o tronco de uma árvore.

— Quem é? — Assim que ele pisou no campo de sua Find ela o sentiu, apenas esperava que ele se chegasse um pouco mais perto para perguntar sua identidade.

— Sou eu, o Shin. — Mesmo após se revelar, Aludra não tirou os olhos de seu alvo, pintado no tronco. Um minúsculo ponto vermelho numa árvore longínqua.

Ele se sentou num tronco de uma árvore, e permaneceu lá, mesmo com ela o ignorando. Era indiscutível a beleza da garota, e era mais belo ainda admirá-la com seu arco. Sua precisão e sua concentração, nada tirava seu foco enquanto ela estava com o arco e as flechas em mãos.

Olhando ao redor Shin pôde perceber outros pontos vermelhos pintados, todos com furos. Era provável que Aludra estivesse ali há algum tempo já.

Demorou um pouco para que ela finalmente se incomodasse com a presença de Shin, que não tinha como objetivo incomodá-la. Estava disposto a conversar com ela, mas ao chegar e vê-la tão concentrada, não foi capaz de interrompê-la, e muito menos de se privar daquela vista.

— O que você quer? — Mesmo falando com ele, ela não tirava os olhos de seu alvo. Nesse exato momento ela puxava a flecha, sem demora o disparo aconteceu e aquela seta acertou em cheio o alvo.

— Conversar com você apenas…

— E por que nós dois teríamos algo para conversar? — Aquele era aparentemente seu último alvo, ou ela decidiu que seria após ter a importuna presença daquele rapaz. Aludra havia começado a guardar seus materiais e recolher as flechas presas nas árvores. Shin estava impressionado com a maneira que ela conseguia fazer tudo aquilo sem nem ao menos cruzar o olhar com ele.

— Eu queria lhe contar sobre algo estranho que vem me acontecido… — Aludra permaneceu em silêncio demonstrando interesse nulo no que acabara de ouvir. — Eu acredito que tem alguém me seguindo…

— Você deveria falar isso com Eulália, ou Azhar… Eles com certeza saberão melhor o que fazer. — Respondeu ela com uma frieza inacreditável. Mas na verdade, para Aludra suas palavras não eram frias, nem grosseiras, apenas sinceras.

— Então você está sugerindo que não sabe nada a respeito disso? — Shin se levantou do tronco pondo-se de frente para Aludra, com uma expressão que para ele, era sedutora.

— Está querendo insinuar algo com isso? — Aludra se aproximou se impondo perante ele. Ela parecia irritada e ao notar isso Shin percebeu que ela tinha interpretado mal suas palavras.

Ele estava prestes a se desculpar, quando aquela sensação o acometeu novamente. Aludra estava logo ali, em sua frente, então quem estava querendo chamar sua atenção.

Shin começou a olhar para os lados a procura de alguém escondido atrás das árvores, quando sentiu a mão de Aludra segurar seu antebraço.

— Isso não tem graça… — Ela o encarava com um olhar sério.

— Você não sentiu nada em sua Find? Não é possível… Eu acabei de sen... — Shin sentiu novamente aquela presença misteriosa, que outrora o atiçava, mas agora apenas o assustava.

—Tsc. — Sem muita paciência Aludra deu de costas e saiu andando irritada.

Shin sentou-se novamente no tronco, frustrado. Tinha certeza que conseguiria algo com Aludra, e além de ter sido apenas ignorado agora lhe restava a dúvida de quem estava-o perseguindo. Em meio a seus próprios pensamentos ele percebeu que não era nada inteligente ficar sozinho e afastado do acampamento.

Shin se levantou, estava prestes a sair daquele lugar quando ouviu uma voz grave que transmitia uma aura sinistra.

— Você foi sentenciado à morte!

Essas foram as únicas palavras que ele ouviu. Sua única reação foi correr, o mais rápido que pôde. Ele chegou no acampamento ofegante e com os olhos arregalados e com medo de até mesmo olhar para trás.

— Hey, o que foi rapaz? Parece até que viu um fantasma. — Disse Simão aproximando-se dele que estava pálido e suando frio. — Está tudo bem?

— Sim… Está… — Shin não soube como reagir e não sabia o que deveria dizer ou fazer, só sabia que sua vida corria perigo.


Por LiamGt | 13/10/18 às 23:46 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama