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Capítulo 71 - O Trio de Assassinos.

O Mestiço (OM)

Capítulo 71 - O Trio de Assassinos.

Autor: Liam | Revisão: Kazuaki-kun

Shin permanecia em choque, pensando sobre o que acabara de acontecer. Teria sido aquilo uma brincadeira de mal gosto? Ou talvez coisa de sua cabeça? Ele estava disposto a crer em qualquer coisa para não ter que acreditar naquilo.

Shin caminhava com os olhos vagos, preocupado acima de tudo que poderia vir a por todas aquelas pessoas em risco por sua causa. Finalmente Shin chegou até sua cabana, onde ele entrou e logo se deitou. Precisava pensar no que faria, precisava achar uma solução.

A maioria das pessoas da caravana estavam sentadas ao redor de uma fogueira. Eulália contava uma história que havia ouvido de seu mestre, sobre um grande dragão de gelo que, segundo a lenda, só ergue voo em tempos de calamidade.

— Já volto. — Disse Kotaru para Arien que estava ao seu lado na roda. O rapaz viu Shin e logo percebeu que ele não estava muito bem. Deduziu que Aludra havia o rejeitado e foi até seu amigo consolá-lo, mal sabia ele que a situação era muito pior. — Shin? Sou eu, Kotaru, estou entrando, ok?

Ao ouvir aquelas palavras vindo de fora de sua tenda Shin se esforçou ao máximo para transparecer estar bem, mas era nítido sua preocupação e o medo que sentia naquele momento.

— E então? Como foi? — Perguntou Kotaru que estranhou a expressão de Shin que não parecia a de alguém triste por ter sido rejeitado.

— Como foi o que? — Shin já havia até mesmo esquecido que tinha ido atrás de Aludra.

— Com Aludra oras, você não disse que ia fazer sua investida ou qualquer coisa do tipo? Como foi? Ela caiu em seus encantos ou te rejeitou? — Kotaru sentou-se ao lado de seu amigo, ele começava a notar algo estranho nele e achou que deveria saber o que estava acontecendo.

— Ah, foi tudo bem… — Ele se calou por um instante. — Na verdade, algo terrivelmente estranho aconteceu Kotaru, e eu não estou sabendo lidar com isto.

— O que houve? — Era notório a seriedade no tom dele.

— Eu estava próximo às árvores, Aludra estava comigo, quando eu senti novamente aquela presença… Ela se irritou porque eu a perguntei se ela havia sentido e foi embora. Assim que Aludra se afastou eu ouvi uma voz que dizia que eu fui sentenciado à morte… — As mãos de Shin tremiam, mesmo se esforçando para se controlar, não obtinha sucesso algum nesta tarefa.

— Nós temos que falar com Eulália sobre isso… — Esta foi a mais imediata resposta de Kotaru, a situação de Shin mostrava o quão sério aquilo era, e o melhor a se fazer era levar a questão até a líder da caravana, ao menos, foi isso o que Kotaru pensou.   

— Não sei Kotaru… talvez seja precipitado demais, talvez eu esteja imaginando coisas, não acha? — Shin seguia querendo crer que isso não era nada demais.

— Talvez seja, mas você realmente acha que vale a pena arriscar? Talvez alguém tenha notado algo naquele infiltrado e tenha pensado que era apenas coisa de sua cabeça, e deu no que deu. Não concorda? — Shin acenou com a cabeça em resposta à pergunta do outro rapaz.

— Hey! Kotaru… — Ele estava prestes a sair da tenda quando Shin lhe chamou. — Quando a guerra foi declarada… Mandaram matar sua família e sequestrar seu pai… E se eu também fosse um alvo? Eu tenho pensado desde que aconteceu, mesmo não fazendo muito tempo, mas a única pessoa que eu consigo pensar que teria interesse na morte de um ninguém como eu seria… meu pai… — Uma única lágrima escorreu do olho direito dele, solitária, difícil de distinguir se o motivo dela rolar pelo rosto de Shin era a raiva, a mágoa, a tristeza, ou talvez os três.

— Vai ficar tudo bem Shin… vai ficar tudo bem. — Ao ouvir aquilo Kotaru ficou ainda mais preocupado, pois sabia sobre a história de Shin, e o pior de tudo é que faria sentido que seu pai o caçasse, afinal, ele já havia feito coisas terríveis a ele.

Kotaru caminhava até a saída quando Shin viu algo acima de sua cabeça. O busto de um homem com uma espada pronta para decapitar Kotaru que seguiu dando um passo à frente como se não estivesse acontecendo. Aquela figura tinhas cabelos longos e negros e seus olhos inteiramente pretos.

— Não permita que ele conte nada a ninguém, ou eu o matarei sem que ele nem sequer perceba o perigo ao seu redor… Além disso, se quiser mantê-lo vivo venha até o mesmo local em que ouviu minha voz. Amanhã, uma hora antes da caravana partir. — Isto foi o que aquela figura falou, e foi mais que o suficiente para convencer Shin.

— Espere! — Kotaru cessou seus passos ao ouvir o grito dele. — Não conte nada a Eulália Kotaru! Na verdade, não conte para ninguém, por favor, eu mesmo contarei… — Ele sabia que apenas pedi-lo para não contar não seria o suficiente para impedi-lo, não após tê-lo convencido de que o perigo era real. Então Shin o prometeu que contaria para Eulália assim que o dia amanhecesse, disse estar cansado para falar disso hoje e com muita insistência convenceu Kotaru.

Distante dali, longe até mesmo do alcance da Find de Sera, estava um trio, sentados ao redor de uma fogueira. Um homem de cabelos compridos e negros, o mesmo que Shin viu acima da cabeça de Kotaru, porém seus olhos não eram completamente negros, na realidade, eram castanhos. Ele bebia aguardente em uma caneca. Em sua frente estava um homem de feições delicadas, seu cabelo ruivo estava amarrado em um rabo de cavalo. Ele usava uma armadura aparentemente leve e ao seu lado, no tronco onde estava sentado, estava um sabre.

A terceira era uma garota, se assemelhava à uma criança tanto na estatura quanto na aparência. Seus olhos estavam fechados e suas pernas cruzadas. Ela tinha os cabelos louros presos em duas tranças curtas. Usava um vestido que possuía um capuz que cobria sua cabeça e um par de botas em seus pés, além de um cajado encostado no tronco em que estava sentada.

Ela abriu os olhos trazendo para si a atenção do homem de cabelos ruivos.

— E então? Ele impediu o amigo dele de falar qualquer coisa? — Perguntou ele enquanto bebia.

— Sim… Tudo ocorreu como o planejado, amanhã ele nos encontrará no local onde você falou com ele Clarence. — Falou a garotinha pegando uma caneca e bebendo.

— Então amanhã nós pegaremos sua cabeça e levaremos para Vossa Majestade. — Clarence mantinha o tom sóbrio e sério, sem demonstrar exaltação ou alegria.

— Não acredito que ele caiu numa ilusão tão simples, quer dizer… Se ele contasse, como que ele imagina que mataríamos o amigo dele? Haha! — A garotinha se divertia às custas de Shin.

— Aparentemente ele herdou a beleza de Vossa Majestade, mas não a inteligência. — Disse o homem ruivo servindo-se um pouco mais de aguardente.

— Uh… Está interessado Alexander? — Perguntou a garota zombando dele.

— Não me importaria em mantê-lo sob meus cuidados por uma noite, mas você sabe como Clarence é rígido. — Alexander encarava Clarence como quem pede permissão para algo.

— Não! E trate de manter seu oráculo ativado Blanche, ele pode muito bem mudar de ideia e ir avisar aquela velha, se isso acontecer nós precisamos saber e agir de alguma forma. São muitos naquele acampamento e alguns especialmente fortes, não seria possível entrarmos lá, matarmos Shin e sairmos ambos com vida. — Clarence transmitia uma aura séria e sagaz, em sua mente tentava prever todos os passos possíveis de Shin, preparando-se para cada ação dele.

— Humpf! — Blanche suspirou. — Saiba que eu não vou ficar a noite toda de olho naquele bastardo, além do mais, por que o rei quer tanto que ele esteja morto? — Perguntou ela tentando sair pela tangente de sua função.

— Os assuntos do rei desrespeita somente a ele próprio, agora, o oráculo! — O tom de Clarence não se elevava em nenhum instante, sempre parecendo paciente e sábio.

— Gostaria eu de ficar de olho nele… — Comentou Alexander com um tom devasso.

— O alcance de seu oráculo é tão curto que você deveria estar do lado dele para usar, tornando-o assim inútil. — Disse Clarence ignorando o fato daquilo ter sido uma piada.

Após alguns instantes em silêncio, constrangido pela resposta nem um pouco delicada de Clarence, Alexander voltou a se pronunciar.

— Tudo seria muito mais simples se ele não tivesse se aliado à essa trupe… — Seu comentário foi carregado de desgosto, aparentemente ele desejava que fosse algo fácil e rápido.

— Realmente esses drows malditos deveriam estar buscando uma caverna para se esconderem ao invés de cavalgarem pelo nosso Reino. Adoraria acabar com cada um, mas infelizmente apenas nós três não daríamos conta. — Clarence virou todo o líquido da caneca que segurava e apagou o fogo em seguida. — Blanche, qualquer coisa nos acorde. — Ele deitou no gramado encostando sua cabeça no tronco que estava sentado outrora e Alexander fez o mesmo.

No acampamento da caravana a maioria das pessoas ainda estavam acordadas. Uma das poucas exceções era Shin, que após muito custo conseguiu dormir. Antes de pegar no sono ele pensava sobre o que deveria fazer no dia seguinte. Após muito pensar chegou a conclusão de que o melhor a se fazer seria extrair informações de Vilian sobre como seu perseguidor sabia sobre seus passos, afinal, não havia ninguém dentro da tenda quando ele contou para Kotaru. No momento ele não conseguiu pensar em algo óbvio com isso, devido ao medo, mas depois de refletir sobre o que aconteceu por um bom tempo ele notou que quem quer que fosse que o perseguia, estava coletando informações a distância com o uso de alguma magia desconhecida por ele.

Em volta da fogueira as histórias ainda eram contadas, desta vez, por Azhar. Arien estava sentada junto de Kotaru que voltou da tenda de Shin inquieto e preocupado. Sua mente não conseguia sequer assimilar o que ele ouvia, apenas ficava se indagando se tinha tomado uma decisão correta ao dizer para Shin que não contaria nada à Eulália.

— Você está bem? — Perguntou Arien notando que o rapaz estava com a mente em qualquer outro lugar, menos ali. — Kotaru? — Ele não ouviu o primeiro chamado dela.

— O que foi? — O rapaz respondeu como se essa tivesse sido a primeira vez que ela havia o chamado.

— Você está avoado… o que aconteceu?

— Oh. Não foi nada, eu só… — Kotaru estava tão focado no que Shin havia lhe dito que nem ao menos conseguia organizar as palavras em sua mente para falá-las.

— E-eu preciso falar com você. — Ela se levantou esperando que ele a seguisse e meio a contragosto ele o fez.

Eles se afastaram um pouco de onde as pessoas estavam, na verdade eles andaram o suficiente para fazer com que Kotaru pensasse por quanto tempo continuariam a andar. Quando Arien cessou seus passos o rapaz agradeceu internamente.

— Kotaru, já faz algum tempo que eu quero lhe dizer isso, que eu preciso, na verdade. Você já deve me conhecer um pouco, após tudo o que passamos, então sabe que eu não sou alguém sentimentalista ou que tem o hábito de expor seus sentimentos… Acontece que da última vez que deixei de fazer isso eu fui muito egoísta, mas eu só deixei de fazer porque sou terrível me expressando… Resumindo, o que eu quero te dizer é... obrigada… — Arien entrelaçava os dedos e olhava para baixo de maneira constrangida.

— É isso? Não tem porque agradecer Arien, somos amigos, eu jamais deixaria que alguém fizesse algum mal a você ou ao Shin… — Kotaru a encarava e após um breve momento de silêncio sua pele enrubesceu. — Na verdade, se você acha realmente necessário agradecer, um obrigado parece pouco não é mesmo? Afinal eu salvei sua vida… — O rapaz coçava a bochecha timidamente.

— Eu posso te contar um segredo… O que acha? — Arien tentou sair pela tangente e esperava que Kotaru não fosse ainda mais audacioso.

— Acho que deve servir… — Disse ele com um sorriso de canto de boca.

— Ok, mas isso é um segredo ein? Não vá contar para ninguém, muito menos para o Shin, na verdade… Esqueça-o assim que ouví-lo. — Kotaru riu ao ouvir aquilo. — Lá vai… Após passar por tanta coisa juntos eu acho acabei me apegando a vocês e não gostaria que algo de ruim acontecesse a nenhum dos dois.

— Bem… Em outras palavras você gosta da gente. — Ela virou o rosto. — Posso te contar um segredo também? — Arien acenou com a cabeça curiosa e Kotaru aproximou sua boca de sua orelha. — Isso não é segredo nenhum. — Assim que ouviu o que ele disse ela o empurrou sorrindo.

— Realmente nós passamos por muito não foi? — Disse Kotaru após rir por um bom tempo.

— Sim… Kotaru, deixe-me te perguntar uma coisa. Você lembra algo sobre o dia do batismo? — Já fazia algum tempo que essa dúvida a corroía, por isso Arien aproveitou o momento de proximidade entre os dois para saciar sua curiosidade.

— Não muito, só os momentos em que eu não estava muito bêbado… Shin me contou que eu havia vomitado nele, mas nem disso eu me lembro…

Arien suspirou aliviada de maneira discreta, mas ele notou ficando curioso. — O que aconteceu? — Perguntou.

— Bem, quem sabe se você salvar minha vida novamente eu não lhe conto? Embora nós dois sabemos que isso não vai acontecer, afinal isso não é nenhuma história que as mães contam para seus filhos dormirem sobre um herói que resgata uma princesa… E convenhamos que se isso fosse uma dessas história você seria a princesa entre nós dois. — Arien começou a rir enquanto zombava do garoto também riu da provocação dela.

No fim o sorriso encantador da elfa fez Kotaru esquecer o que Shin havia lhe dito, mas o perigo ainda era real, e apenas se aproximava mais e mais.

Por LiamGt | 16/10/18 às 23:16 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama