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Capítulo 72 - Rumo ao Matadouro.

O Mestiço (OM)

Capítulo 72 - Rumo ao Matadouro.

Autor: Liam

O dia havia amanhecido. Poucos membros da caravana estavam acordados e dentre esses poucos estava Aludra, que na noite passada decidiu não beber muito, por isso não estava de ressaca. Ela deixou sua cabana em silêncio, andando sobre as pontas dos pés para não acordar Calliope, que diferente dela, bebeu tudo o que podia na noite passada.

Com seu arco e sua aljava em mãos ela se direcionou para o lugar onde estava treinando na noite passada. Enquanto caminhava sentiu em sua Find a presença de uma pessoa mais a frente. Ela logo retirou uma flecha de sua aljava e seguiu caminhando lentamente, com mais cuidado do que quando saiu de sua tenda. Ao se aproximar mais um pouco Aludra começou a ouvir um barulho, algo parecido com soluços.

— Dana? — Ao se aproximar ainda mais ela reconheceu quem estava naquele lugar.

— Oh… Desculpe, não pensei que teria alguém aqui neste horário… — Ela começou a secar suas lágrimas rapidamente, mas aquilo era em vão, afinal Aludra já havia a visto.

— Não se preocupe, eu não vou começar a te fazer um monte de perguntas.

Aludra lembrava muito bem de uma ou duas vezes que foi pega chorando por alguém, e recordava o quão desagradável era ser interrogada quando na verdade queria apenas continuar se debulhando em lágrimas.

— Eu vou estar praticando com meu arco não muito longe daqui, caso precise de algo, basta me chamar… — Aludra estava se afastando quando ouviu Dana chamá-la. Ela, então, cessou seus passos e se virou para a elfa.

— Você se importaria de ficar aqui comigo? — Dana não era o tipo de pessoa que se abria para qualquer um, assim como Aludra não era do tipo que consolava as pessoas.

Talvez a gravidez tivesse tornado o que veio a seguir possível, ou talvez a elfa estava suportando isso por tanto tempo que já não se importava quem iria ouvir, apenas queria desabafar com alguém. Dana sentiu uma grande necessidade de pôr o que estava sentindo para fora. Eram tantos sentimentos ruins que ela não suportava mais mantê-los para si mesmo na esperança que eles sumissem no dia seguinte. Normalmente Arien seria a pessoa que escutaria esse desabafo, mas Aludra estava tão próxima que Dana não pensou duas vezes.

— Posso… — Respondeu Aludra meio constrangida com o pedido e se perguntando se realmente deveria aceitar aquele pedido, afinal, ela sabia não considerava “consolar” uma de suas habilidade.

As duas ficaram sentadas naquele tronco em silêncio por muito tempo quando, enfim, Dana decidiu se pronunciar. Ela começou perguntando àquela garota se ela já havia amado alguém, mas não qualquer um ou de qualquer maneira, amar alguém ao ponto de querer passar o resto de sua vida ao lado daquela pessoa.

Aludra então respondeu que não. Foi aí que Dana começou a lhe falar um pouco sobre Kallias. Contou-lhe até mesmo um pouco sobre seus dias no exército élfico, Aludra ficou interessadíssima nesta parte.

Conforme a história era contada os eventos tornavam-se cada vez mais dramáticos e tristes. Começando pela escravidão do casal, seguido de sua fuga e seu último momento de alegria, quando o beijou novamente. Depois disso Dana a contou como seu amado morreu, ela tentou descrever o que sentiu, ou melhor, o que ainda sentia, mas era um misto de sentimentos tão grande… Dana apenas sabia identificar alguns, sendo o mais latente entre eles era o ódio.

— É isso… eu me sinto vazia, sem vontade de viver e quando vou dormir não consigo pensar no meu amanhã, não parece fazer sentido pensar no amanhã… — As lágrimas rolavam dos olhos de Dana enquanto ela dizia isso.

— Você realmente não consegue pensar em um motivo para seguir em frente? — Aludra colocou a mão na barriga de Dana. A garota não sabia se seria o certo fazer aquilo, mas ela não era o tipo de pessoa que dedicava algum tempo para ponderar se uma atitude seria a certa ou a errada.

— Eu sei… todos falam a mesma coisa, e acredite eu já me julgo o suficiente por não sentir vontade de continuar vivendo mesmo carregando uma criança no meu ventre. — Aludra notou na expressão de Dana que aquilo realmente não tinha sido certo de se dizer.

— Sabe… todos nós aqui temos uma história triste, e existem duas coisas em comum na maioria dessas histórias. A primeira é um momento de desolação, onde nos perguntamos se há sentido em seguir vivendo, e o segundo é quando encontramos um motivo e ele normalmente é a vingança… — Dana a olhou com outros olhos, esperava que Aludra fizesse como a maioria e se desculpasse e se afastasse, mas não foi o que aconteceu.

— Sua triste história têm esses momentos? — Perguntou Dana com certa curiosidade.

— Sim… O primeiro foi o momento em que eu perdi o último membro da minha família e o segundo foi logo em seguida… Eu não fui capaz de ficar triste após sua morte, tudo o que senti foi ódio e raiva, então busquei minha vingança. Devo dizer que aquele desejo insaciável foi o suficiente para tirar meu foco da tristeza que eu estava sentindo, mas enquanto eu caçava os assassinos de minha preciosa irmã um buraco ainda maior foi se formando dentro de mim… — Aludra achou que talvez sua história pudesse ajudar Dana de alguma maneira, por isso a contou. Evitando, claro, muitos detalhes, afinal ainda não havia confiança entre as duas.

— Então eu deveria buscar vingança e deixar que um vazio seja criado dentro de mim enquanto isso? — Dana até mesmo se comoveu com a história de Aludra, mas não entendeu direito o que ela quis dizer com tudo aquilo. A princípio parecia um incentivo para que ela buscasse vingança, mas logo deixou de parecer.

— Eu quero dizer que talvez você esteja, por muito tempo, sentindo ódio da pessoa errada… talvez você veio se culpando por não ter feito o suficiente ou por não ter sido capaz de impedir a morte de seu marido, quando o único culpado disso foi o homem que o matou e ninguém além dele. E meu problema não foi desejar vingança, mas sim permiti-la me dominar, me cegar, eu nem sequer fiquei de luto pela morte de minha irmã… Apenas caçando aqueles homens. Eu sei que todos já te disseram isso Dana, mas seu filho é algo pelo o que vale permanecer viva. Ele é a herança de seu marido, continue lutando por ele. — Aludra tocou a perna dela com um sorriso amigável no rosto e em seguida se levantou, pegando seu arco e sua aljava. Sem dizer mais nenhuma palavra sequer ela se afastou surpresa consigo mesma por ter conseguido dizer algo que, para ela, havia sido motivacional.

Dana ficou naquele lugar por mais alguns instantes, pensando em sua conversa com Aludra. Parecia besteira, mas aquelas simples palavras a fizeram ficar melhor, na verdade, um objetivo começava a brotar dentro de Dana naquele momento. Ela iria lutar para que a morte de Kallias fosse vingada.

A jovem drow ficou treinando com suas flechas durante todo a manhã, voltando para o acampamento apenas para o almoço. Havia algo a incomodando desde de seu confronto com Gerhard e Gernot. Aquele sentimento de fraqueza impregnou nela de tal maneira que ela não era capaz de se satisfazer com os resultados de seu treinamento.

Até aquele dia Aludra se considerava alguém forte, pensava que desempenharia um importante papel quando chegassem em Tavira, mas não foi capaz de fazer muito contra os gêmeos, quem dirá à guarda real. A realidade havia a atingido muito bruscamente.

As horas avançaram e longe de onde Aludra treinava estava Shin, escondendo-se de Kotaru, pois sabia que se seu amigo o visse iria cobrar o que ele havia prometido. Além disso seu plano de extrair informações de Vilian estava indo por água abaixo, pois seria muito fácil para Kotaru encontrá-lo ao lado de seu mestre.

Conforme o sol cruzava o céu Shin ficava mais e mais apreensivo. Sua sentença parecia inevitável e imutável, na verdade havia um jeito de mudá-la, permitindo que aqueles que o perseguiam matassem seus amigos ao invés dele.

Mal sabia Shin que aquilo não passava de um blefe.

O tempo passou rapidamente, o horário em que mandaram-no encontrá-los estava cada vez mais próximo. Para sua sorte Vilian havia se afastado do acampamento, aquele seria o momento ideal, afinal qualquer informação seria melhor do que nada.

— Mestre? — Disse Shin aproximando-se dele.

— Enfim parou de me observar e se aproximou, hein? Agora me diga, o que lhe causou tamanha dúvida ao ponto de você demorar tudo isso para decidir que viria até mim? — Vilian observava a paisagem à sua frente.

— As vezes me esqueço o quão sagaz você é… Eu queria perguntar-lhe algo. — Vilian manteve-se em silêncio perante aquele comentário, e com o conhecimento que Shin já havia adquirido sobre seu mestre ele sabia que aquilo significava que deveria prosseguir. — Existe alguma magia capaz de observar alguém à distância?

— Antes de responder não posso deixar de perguntar qual o objetivo disso? Espero que não seja nada depravado… — O tom de Vilian mantinha-se tão linear que aquelas palavras tornaram-se estranhamente constrangedoras. Mas para sua sorte Shin não era um rapaz de muitos pudores.

— Eu sinto que não posso lhe dizer… — Após uma pequena risada devido ao comentário de Vilian, ele retomou um tom sério, e o respondeu temeroso do que poderia provir dessa resposta.

— Existe uma magia chamada oráculo. — Disse ele após um período de silêncio. — Não é nada fácil fazer com que ela tenha um alcance decente. Mas quando alguém o faz, se torna uma arma a se temer. Diferente de um observador físico onde podemos detectá-lo com Find, um observador mágico se torna extremamente difícil de ser encontrado…

— Então alguém poderia estar vendo essa conversa nesse exato momento e nós não saberíamos, e nem sequer teríamos como saber? — Shin ficou impressionado com o que acabara de ouvir. O rapaz, como muitas pessoas, ouviu da maneira que lhe convinha e entendeu que era impossível detectar um observador mágico.

— Há como detectar, mas não é algo que você, ou até mesmo eu consiga fazer… — As perguntas de Shin estavam levando Vilian a crer que alguém o observava, e o fato do rapaz ter tomado tamanho cuidado para se aproximar dele fazia com que isso parecesse ainda mais verídico.

— E esse oráculo permite que o observador se comunique com quem ele observa?

— Não… — Vilian virou seus olhos para Shin pela primeira vez, pois estranhou aquela pergunta.

— Entendo… Então acredito que ele também não permita que o usuário se projete em outro lugar não é mesmo?

Essa pergunta de Shin deixou Vilian ainda mais intrigado e receoso. A cada pergunta que seu pupilo fazia aquilo soava mais e mais com um um pedido de ajuda.

— Tudo bem… — Shin deu de costas.

Sua real vontade era se despedir, imaginava que nunca mais poderia ver Vilian ou qualquer um de seus amigos. Despedidas não eram seu forte, então preferiu apenas se afastar, rumo ao matadouro, como um animal indefeso e sem opções.

Vilian virou seus olhos para o horizonte, sua preocupação com seu pupilo era algo óbvio, mas não fazia seu feitio se desesperar ou agir impensadamente.

Shin seguiu seu caminho em direção às árvores onde Aludra se encontrava praticando. Seus passos eram apreensivos, cheios de medo e com um profundo desejo de dar meia volta.

Há uma distância considerável estava Vilian, que o seguia usando a magia Hide, uma das cinco magias básicas, que garante ao usuário a capacidade de esconder a presença de sua aura.

Mesmo com a Find ativada Shin não podia detectar seu mestre, pois o nível de sua Hide era muito mais elevada.

Longe dali, próximo do local onde estava Aludra, estavam o trio de assassinos enviados pelo rei. Os dois homens estavam parados em pé, observando o local de onde Shin viria. Blanche, diferente deles, permanecia sentada, com os olhos fechados, observando cada passo de Shin com seu oráculo.

— Tem certeza que esta garota que não irá interferir? — Perguntou Alexander preocupado com a presença de Aludra.

— Não, ela é apenas uma, mesmo que interfira jamais poderá nos prejudicar. — Respondeu Clarence confiante em suas habilidades.

O cenário estava completamente montado. Shin, a vítima, caminhava vagarosamente rumo aos seus malfeitores. Seu mestre o seguia mantendo uma distância considerável, de maneira que o oráculo de Blanche não detectasse. Aludra estava próxima do local e suas chances de acabar envolvida nisso eram altas. Enquanto isso Kotaru se corroía no acampamento, não via Shin desde de manhã, e se perguntava se algo de errado não teria acontecido com seu amigo.

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E ae galera, tudo bem? Bem, comigo não muito, e por isso eu estou aqui para informá-los que a novel vai ter um breve pausa nessa semana que vai vir. Eu sei que 2 capítulos por semana já são poucos e fazer uma pausa parece presunção, mas não é. O próximo capítulo será dia 27/10 (sábado) e eu conto com a presença de vocês, espero que a ausência do cap de terça não faça com que vocês desanimem ou desistam de mim... Love u guys <3

Segundo recadinho, só duas pessoas se manifestaram, mas eu decidi criar o discord mesmo assim porque eu qro u.u ... O único problema é que eu não sei mexer direito, mas se alguém souber e quiser me ajudar eu ficaria muito grato. Link -> https://discord.gg/372vWgX

Por LiamGt | 20/10/18 às 22:25 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama