CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 79 Festival de Inverno: Parte I

O Mestiço (OM)

Capítulo 79 Festival de Inverno: Parte I

Autor: Liam | Revisão: Pedrozar

Todos erguiam suas tendas, na mesma organização rotineira. Os novatos estavam especialmente curiosos, pois aquele seria seu primeiro festival junto da caravana. Alguns como Dana se perguntavam se aquilo era realmente necessário, afinal, o inverno não iria fazer uma pausa para que eles festejassem, os dias seguiriam sendo mais e mais difíceis. Outros como Arien, embora não gostassem muito desse tipo de coisa entendia por que era feita. As pessoas precisavam daquela distração, ainda mais após todos os últimos acontecimentos.

— Venham cá vocês dois. Hoje nós treinaremos combate físico, tudo bem? — Disse Calliope para Elli e Isis, a única criança cujo os pais permitiram o treinamento. Ela era da mesma idade que Elli e era uma drow. Assim como os demais drows, possuía a pele arroxeada e seus cabelos eram claros, beirando o branco.  

As duas garotas estavam treinando há uma semana já. Elas tinham diferentes treinadoras, sendo Arien a de magia, Dana a de combate com armas e Calliope a de combate físico.

— Elli, me crie uma luz para que você possa enxergar melhor, afinal, estando de noite você possui desvantagem contra Isis. — A garota elfa sacudiu a cabeça de maneira afirmativa e logo em seguida fechou os olhos concentrando-se na palma de suas mãos. Aos poucos uma esfera reluzente foi sendo criada e Isis ficou impressionada, como sempre ficava quando via sua amiga fazendo magia.

Calliope as chamou para perto com um gesto de mão.

— Nosso espiã já chegou. — Disse ela sussurrando.

Calliope se referia a Tyrus, que foi uma das crianças que os pais não permitiram que treinasse. Ele, porém, sempre escapava dos olhos de seus pais para assistir o treino das duas garotas.

Não muito longe dali Eulália checava com Guiscard se ele havia encontrado algo de errado nas bebidas. Depois da última invasão Eulália o pediu que desenvolvesse uma magia capaz de detectar venenos ou qualquer coisa semelhante em bebidas e comidas. Assim como fora requisitado ele o fez e enfim estava a colocando em prática.

— Está tudo certo Eulália, hoje você poderá beb... — Neste momento ele se lembrou da promessa que ela havia feito.

— Não tem problema... eu já estou até mesmo me acostumando. Por sorte ele não tirou meu cachimbo. — Ela sorria carismaticamente.

— E então? Tem achado que valeu a pena tamanho sacrifício?

— Sinceramente esperava que valesse mais, mas não posso negar que não só ele, mas todo seu pequeno grupo tem se mostrado de grande valor. Em mais de uma situação eles estavam lá, nos ajudando como podiam.

As horas passaram e o acampamento já tinha sido completamente erguido e enfeitado. Dana ajudou criando algumas coisas de gelo. Algumas flores também enfeitavam o lugar. Estava simples, porém, bonito.  Era uma bela noite de lua cheia, o que deixava tudo ainda mais belo.

Todos estavam reunidos, em frente à Eulália, que estava em cima de um banquinho para poder ser vista por todos.

— Eu queria primeiramente agradecer a todos que se mantiveram seguindo viagem conosco, mesmo após tantas dificuldades e empecilhos... — Eulália seguiu discursando, agradecendo e sendo honesta com seu povo ao dizer que os dias não ficariam mais fáceis conforme se aproximavam de Tavira. No fim, todos aplaudiram e começaram a se servir da aguardente de Simão.
Chester pegou uma flauta que carregava consigo e começou a tocá-la. Sua música agradava a todos e inspirou outro membro da caravana a pegar uma espécie de banjo e tocá-lo. Não demorou muito para que algumas pessoas começassem a dançar ao som daquela música.

— Venha. Vamos dançar. — Arien estava sentada no chão com um copo em mãos e trocando algumas palavras com Dana quando viu a mão de Kotaru estendida para ela e ouviu aquelas palavras.

— Você deve estar brincando... — Ela respondeu estranhando aquele pedido.

— Oras, não seria nossa primeira vez fazendo isso, certo? — A elfa corou assim que ouviu aquilo. Neste momento ela soube que ele havia se lembrado do que tinha acontecido durante a noite do batismo.

— Tudo bem, mas só um pouco. — Constrangida pela situação em que Kotaru a pôs ela acabou aceitando para não ter que permanecer na presença de Dana que ria discretamente.

Arien segurou a mão dele que a ajudou a se levantar e seguiu andando até onde as demais pessoas dançavam segurando-a pela mão. Era estranho como aquele simples ato deixava a elfa tão constrangida e enrubescida.

— Acredito que você se lembrou daquela noite... — Ela disse sem olhar nos olhos de Kotaru.

— Sim... a princípio pensei que tivesse sido um sonho, mas com o tempo percebi que realmente tinha acontecido.

Os dois mantiveram-se em silêncio por um tempo. Não demorou muito para que Arien recobrasse o seu tom de pele normal.

— Sabe Arien... eu queria te agradecer. Você tem feito muito por mim desde que nos conhecemos. — A elfa estava prestes a falar algo, mas ele a interrompeu. — Você me ensinou magia como eu pedi. Você permitiu que eu viajasse contigo, mesmo sem confiar em mim e mesmo tomando diversas atitudes egoístas você não se afastou, por isso obrigado. — Ele sorriu para ela da mesma maneira inocente que sorria quando se conheceram. Neste momento Arien notou que há algum tempo ele não sorria daquele jeito, com aquela singeleza que o fazia parecer uma criança.

— De nada... — Foi inevitável sorrir de volta, mesmo que aquilo não fosse de seu feitio, foi mais forte que ela no momento.

Após um curto período de silêncio Kotaru voltou a se pronunciar.

— Sabe... eu posso ter diversas coisas contra Eulália, mas isso tudo que ela faz é surreal... nada disso aqui é para ela, ou por ela. — Ele parou por um instante e olhou nos olhos de Arien. — Todo esse altruísmo me faz me sentir um bosta...

— Acho que todos nós... Não é qualquer um que consegue ser capaz de viver uma vida devotada a um objetivo que não lhe beneficia, então não se sinta mal, no fim você está dentro dos padrões.

— Eu fico imaginando se algum dia serei capaz de encontrar algo assim... algo que me faça querer lutar incansavelmente, mesmo que não me traga benefício algum. — Neste momento Kotaru encarava o céu, completamente estrelado e claro.

Os dois seguiram dançando e conversando por mais um tempo, mas não demorou muito para Arien pusesse um fim naquilo. Não era como se a dança ou a conversa não a agradasse, mas algo a fazia sentir-se desconfortável.

Não muito distante dali estava Shin. O rapaz bebia na companhia de Vilian que já estava bem melhor, embora devesse manter-se longe de qualquer esforço desnecessário segundo as orientações de Cloris.

Shin avistou Aludra caminhando pelo acampamento, foi nesse momento que ele percebeu que sua rotina de treino o impediu de agradecê-la. Determinado a fazer isso Shin se afastou de Vilian indo na direção da drow que acabara de se sentar em um tronco de árvore.

— Cof Cof. — Shin pigarreou para atrair a atenção dela que estava de olhos fechados deixando seu corpo ser levado pela música de Chester.

Ao ouvir aquele barulho Aludra abriu os olhos e com uma expressão nada simpática os ergueu até encontrar o rosto de Shin.

— Ér... Acho que não te agradeci por aquele dia... acredito que demorou bastante pra mim perceber isso, mas espero que ainda valha de algo. — Aludra sorriu e abaixou a cabeça ao ouvir aquilo. — Você acabou de sorrir? É isso mesmo? — Shin estranhou a reação da garota que parecia odiá-lo desde o dia do batismo.

— Acho que você vem cultivando uma idéia errada sobre mim... — Shin a encarou com uma expressão indignada. — Bem, eu posso ter plantado esta semente que você veio cultivando... mas convenhamos que não foi nada legal você ter ido no lago enquanto eu me banhava.

— Ora, eu não tinha o que fazer... estava coberto de vômito e precisava me lavar.

— Eu sei, eu sei... você já explicou e naquele mesmo dia eu acreditei, mas eu tenho algo dentro de mim que insiste em remoer algumas coisas, mesmo que não faça o menor sentido. — Shin sentou-se ao lado dela ao perceber que a conversa havia tomado um rumo mais amigável do que ele podia esperar.

— Então quer dizer que você não me odeia?

Aludra riu ao ouvir aquilo.

— Não Shin, eu não te odeio. Como eu disse, as circunstâncias apenas te fizeram pensar isso, mas eu não sou essa garota grossa e incapaz de ser gentil. Você simplesmente teve o azar de me pegar num dia ruim...

— Com dia ruim você se refere àquele dia que você estava disparando com o arco, certo?


— Ela acenou com a cabeça.

— Bem, de qualquer maneira, obrigado. Se você não estivesse lá, eu com certeza não teria sobrevivido, provavelmente nem Vilian.

—Ainda assim não foi o suficiente, eu não o derrotei, apenas o ocupei. Isso pode ter sido o suficiente nessa ocasião, mas a verdade é que eu fui fraca. — Aludra cerrou seus punhos frustrada ao lembrar-se de seu combate com Alexander e como ele havia brincado com ela durante todo o tempo.

— Não fique assim... — Ele pôs a mão sobre uma das mãos dela. — Você não é a única sentindo isso... ao menos você conseguiu ocupar o seu, mas minha fraqueza fez com que Vilian combatesse o meu oponente e ficasse naquela situação. Na verdade, eu coloquei vocês dois naquela situação.

O árduo treino de Vilian ocupou Shin de tal maneira que não houve tempo dele falar sobre essas coisas com ninguém. Desde o ocorrido ele vinha guardando a culpa para si. De certa forma estar com a mente ocupada o ajudou a não ter uma crise interna, mas ainda assim a culpa reside dentro dele.

— Venha, deixe-me te provar que eu não sou tão durona quanto pareço. — Aludra se pôs de pé e estendeu a mão para Shin chamando-o para dançar. O rapaz a encarou indignado, mas não recusou, e como recusaria? Aquela belíssima drow o convidando de livre vontade para dançar. Apenas um louco negaria tal convite.

A noite e a madrugada seguiram calmas. Todos dançaram, beberam, comeram, enfim, se divertiram e para variar não houve problema algum.

Shin passou quase todo o tempo ao lado de Aludra conversando sobre diversas coisas, inclusive sobre ter sido resgatado da prisão. Após muito dançar os dois decidiram caminhar pelo o lago, Aludra o contou que no dia seguinte haveria uma espécie de cerimônia ali mesmo, algo que sempre acontecia durante a festa do inverno.

Eles seguiram caminhando e quanto mais o tempo passava mais bêbado ficavam e mais aleatória e sem sentido se tornava aquela conversa.

— Tudo bem, tudo bem... A próxima pergunta será... — Aludra parou por um instante e começou a pensar. — Já sei! Você já beijou alguém?

— Ora, mas é claro. — Shin respondeu de imediato para não deixar dúvidas sobre seu feito.

— Hum, então acredito que poderei seguir com minha próxima pergunta...

— Nada disso, agora é minha vez e eu quero saber o mesmo de você.

— O que você acha? — Aludra começou a se aproximar de Shin com um olhar um tanto devasso. Sem perda de tempo ele levou suas mãos ao quadril dela que segurou em seu pescoço. Seus lábios logo se tocaram e desta maneira Shin teve uma noite que ele jamais poderia imaginar.

Por LiamGt | 20/11/18 às 20:19 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama