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Capítulo 84 - O Berloque de Atlas

O Mestiço (OM)

Capítulo 84 - O Berloque de Atlas

Autor: Liam | Revisão: Pedrozar

Em questão de um piscar de olhos a visão de uma área pobre mudou e se transformou em uma visão de um céu nublado visto na altura de um dos maiores prédios de Altaram.

— O que foi isso? — Perguntou Mihail assustado.

— Isso foi o poder do Berloque… — Respondeu Guiscard que, mesmo estando mais habituado com magia que o jovem drow, também estava impressionado com tal poder.

Naquele instante, todos eles sentiram uma aura poderosíssima, ela estava contida em um único ponto e, embora não soubessem, apenas eles foram capaz de senti-la naquele momento.

— Posso saber por que estou sendo seguido? — Uma voz rouca de alguém com idade aparentemente avançada, pôde ser ouvida vindo detrás deles e quando viraram depararam-se com um senhor já de idade. Seus cabelos eram brancos, tinha um corpo esguio e coberto com alguns panos simples.

— Então é o senhor o dono do Berloque de Atlas… — Disse Dana surpresa, pois esperava alguém de aparência mais imponente. Diferente dela Guiscard não ficou espantado, após conhecer Eulália parou de julgar as pessoas pelas aparências.

— Olhando agora vejo que minha pergunta foi estúpida, afinal, cada um dos que vieram atrás de mim vieram por causa do Berloque, mas como podem ver, permaneço com ele. Agora resta-lhes a dúvida, é um ato inteligente seguir tentando tomá-lo de mim? — Sua aparência não transmitia medo algum quando ele dizia aquilo, porém, seu tom de voz era capaz de intimidar a todos ali.

— Não temos a menor pretensão de brigar com o senhor, estamos lhe procurando para negociar… — Guiscard logo começou a estabelecer uma conversa com aquele senhor, afinal, esse era o primeiro plano, conquistar o Berloque através de diálogo.                     

— Ha! — Ele riu. — Negociar? Você está atrás dele então sabe do que ele é capaz. Acha mesmo que eu trocaria isso por qualquer tipo de dinheiro? — Essa era sem sombra de dúvidas uma atitude esperada, afinal, quem em sã consciência trocaria a capacidade de ir para diversos lugares sem ter que se locomover, nem pagar por qualquer tipo de transporte, ou enfrentar chuvas e tempestades de neve?

— O senhor não deseja nem ao menos ouvir minha proposta? Talvez ela possa lhe agradar mais do que imagina. — Guiscard insistia em tentar convencê-lo de que trocar o Berloque por dinheiro seria um bom trato, mas estava nítido na expressão daquele homem qual seria sua resposta.

— Eu já lhe disse que vieram outros antes de vocês, e acreditem, não há valor que possam oferecer que eu já não tenha visto. E mesmo que ofereçam mais, a última oferta que recebi era mais dinheiro do que eu poderia gastar em cinco vidas, e mesmo assim eu neguei. A quantia não me interessa, meu Berloque é inegociável! — Novamente, seu tom era firme e transmitia a todos sua certeza ao dizer aquelas palavras.

Guiscard sentiu ao ouvir aquelas palavras que seria impossível conseguir o que fora buscar apenas com palavras, e embora odiasse a ideia de ter que tomar a força algo que não lhe pertencia ele havia ido preparado para isso.

— Imagino que agora vocês devem estar pensando que não terão outra escolha senão tomar meu Berloque a força certo? Bem, ao menos foi isso o que aconteceu quando eu rejeitei as ofertas dos demais. Então se quiserem provar que são diferentes façam um favor a si próprios e não continuem me procurando. — Ele virou as costas e simplesmente desapareceu perante os olhos deles deixando-os em cima daquele prédio.

— Ele se foi! — Mihail ficou indignado com o que presenciou. No instante em que aquele senhor terminou de falar ele simplesmente desapareceu, o que significava que ele não tinha pronunciado nenhuma palavra mágica, além de não ter sentido nenhuma evidência em sua Find de um aumento no fluxo de aura.

— Sim… o poder do Berloque é realmente indiscutível, e por isso não poderemos des… — Guiscard estava prestes a terminar sua frase quando foi interrompido por Kotaru.

— O que é aquilo!? — O rapaz correu ficando a frente de todos e apontando para o horizonte.

Todos olharam na direção em que ele apontou e puderam ver a imagem daquele senhor. Ela aparecia e desaparecia perante seus olhos, como uma imagem oscilando, um holograma falho e então, todos puderam sentir uma aura poderosíssima.

— Vejo que enfim poderei presentear meu senhor com esse Berloque. — Disse um homem que apareceu repentinamente.

Seus cabelos eram negros e seus olhos cor de topázio. Sua camiseta possuía um decote extravagante que deixa seu peitoral completamente exposto, mostrando diversas cicatrizes simultaneamente. Um sobretudo com a parte interior preta, com detalhes vinhos, e a parte exterior completamente preta, com exceção de alguns detalhes em vermelho nos ombros. Em sua cintura encontrava-se uma longa espada e em sua cabeça um grande chapéu. Mas o que mais chamava a atenção nele não era sua aparência extravagante, nem tão menos sua expressão confiante, mas o fato de seus pés estarem pisando em nada. Ele caminhou pelo ar até que chegou ao telhado daquele prédio.

— Pobre Wyot… pensou mesmo que lhe deixaríamos em paz após apenas uma tentativa de pegar o Berloque? Eu acredito que fui bem claro quando disse que meu senhor o quer e que isso significava que ele o terá, ou será que não fui? — Aquele homem ignorou completamente a presença dos nove que ali estavam, direcionando-se até a ponta do edifício e encarando a imagem daquele senhor que ainda oscilava.

Kotaru não estava entendendo o que estava acontecendo, mas sabia de uma coisa. Aquele homem à sua frente não era bom. Seus punhos se cerraram imediatamente, irado com aquela situação confusa.

Novamente ele e todos seus companheiros, incluindo os mais experientes em magia como Guiscard e Arien, foram surpreendidos quando dois homens mascarados apareceram em suas frente, de costas para eles.

— Você não presta Kazimir… Acredite no que eu digo, este Berloque nunca, jamais, será seu ou do seu senhor… nunca! — Mesmo com sua imagem oscilando, era possível ouvir Wyot.

— Ha! Sua fé em si próprio é surpreendente para alguém de sua idade… além de obviamente ser bem egoísta não acha? Após tanto tempo usufruindo dos benefícios de um artefato, não é capaz de compartilhar um pouco com alguém? — Kazimir zombava de Wyot que transparecia estar irado, e com razão.

— Você acha mesmo que um feitiço medíocre de prisão temporal como esse é o suficiente para parar o poder do Berloque? Acha mesmo que Atlas era alguém tão fraco assim? — Embora Wyot parecesse gritar, só era possível ouvir sua voz distante. Neste momento todos puderam vê-lo tirar de seu bolso um cordão surrado amarrado em uma esfera de jaspe envolvida por bordas de ouro.

Uma grande pressão se formou e neste momento todos puderam sentir a verdadeira aura daquele artefato. Atlas com certeza foi um grande mago, pois aquele poder era descomunal. Embora possa parecer algo simples o poder de transportar para outros lugares, as dimensões das capacidade do Berloque vão muito além.

Até mesmo os magos mais inexperientes que caminhavam, pelas ruas de Altaram, próximo àquele lugar puderam sentir aquela aura. Seu poder atraiu os olhares de muitos e aqueles que estavam mais próximos ficaram abismados com o que sentiram, com uma única exceção, Kazimir. Ele apenas sorriu ao imaginar que tal poder logo estaria em suas mãos.

Tudo perante os olhos de Kotaru começou a se distorcer, e o mesmo acontecia com os demais. Era como se o Berloque, que agora brilhava tão forte como o sol no verão, criasse uma ruptura no espaço tempo, e em questão de segundos Wyot desapareceu definitivamente.

— Tsc… Aquele velho realmente conseguiu fugir novamente de mim. Ele é bem escorregadio para alguém de sua idade… imagino eu que devo ir atrás dele antes que ele saia da cidade. Ou ao menos eu espero que ele já não tenha saído… — Kazimir falava consigo mesmo, olhando o horizonte e sorrindo, mesmo não tendo mais sua vítima no seu alcance, ele tinha consigo uma certeza de que iria pegar o Berloque para seu senhor.

Kazimir se virou e encarou aqueles nove com certa indignação, como se tivesse notado a presença deles apenas naquele momento.

— Quem são vocês? — Guiscard estava prestes a dizer algo quando foi interrompido. — Bem, não interessa mesmo, devem ser apenas mais outros que buscam pelo Berloque. Sinto informar, mas ele já tem dono e é o meu senhor. Agora se me permitem, preciso ir buscá-lo. — Kazimir deu de costas e saltou do prédio que era alto e assim que ele fez isso os dois mascarados viraram-se para o grupo de Guiscard e sacaram suas espadas.

— Ícaro venha comigo. — Disse Guiscard que passou correndo ignorando completamente os dois mascarados que não tiveram tempo de reação o suficiente para pará-lo, mas logo se colocaram na frente de Ícaro impedindo-o que seguisse seu companheiro.

— Vocês realmente ficarão no meu caminho? — Os dois permaneceram calados e sem sair da frente de Ícaro, apontando suas lâminas para ele apenas esperando seu primeiro movimento. — Tudo bem então… — Ícaro abriu suas mãos, criando duas poderosas chamas, uma em cada mão, chocando-as em seguida ao gritar a palavra “Blast!”.

Uma grande fumaça se formou, o barulho da explosão foi estrondoso, mas ele logo pôde ver com sua visão aguçada, e sentir com sua magia que ambos oponentes permaneciam de pé, e além disso avançavam para um ataque.

A lâmina de um dos mascarados foi freada por uma lâmina negra e curvada, polida como uma obsidiana trabalhada nas mãos de um excelente ferreiro.

— Vá! Eu seguro este aqui. — Disse Kotaru que conseguia manter a lâmina daquele homem distante de Ícaro, mesmo após ele exercer mais força em seu braço.

Ícaro acenou com a cabeça e seguiu correndo seguindo os passos de Guiscard que nesse momento já tinha saltado do prédio. O segundo mascarado veio ao seu encontro com o mesmo objetivo do primeiro.

— Ice Thorns! — De longe Dana murmurou essas palavras com a destra estendida para aquele homem e espinhos de gelo de média proporções se formaram em frente à palma de sua mão e foi disparada até ele em alta velocidade.

Ao ver aqueles espinhos vindo em sua direção ele notou que seria complicado seguir com o ataque, ainda mais porque as mãos de Ícaro estavam incandescentes e ele já havia presenciado suas capacidades destrutivas.

De maneira nem um pouco corajosa ele freou seus passos estendendo sua mão para a magia de Dana e bloqueando-a com a magia Fence.

— Você o deixou passar!? — Disse o mascarado que estava sendo freado por Kotaru e pela sua voz pode-se notar que era provavelmente uma mulher.

—  Acredito que o senhor Kazimir lidará bem aqueles dois, e nós poderemos nos encarregar desses sete. — Este segundo, porém, possuía uma voz masculina.

Ambos, Kotaru e Dana, puderam ver na pequena demonstração de Ícaro, que aquela não seria uma tarefa fácil, e na verdade, suas chances de derrota eram muito superiores à de vitória. Mas aquelas máscaras possuíam um significado. Apenas alguém capaz de morrer seguindo as ordens de seu senhor poderia usá-la. No caso deles, ambas eram de raposas, com um par de orelhas, cobriam as bocas, porém, o queixo permanecia descoberto e ambas eram pretas com detalhes vermelhos.

Desta forma Ícaro e Guiscard conseguiram seguir Kazimir, que perseguia Wyot. Enquanto os demais ficaram com os dois mascarados.

Por LiamGt | 09/12/18 às 21:16 | Ação, Aventura, Fantasia, Romance, Brasileira, Magia, Drama