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Capítulo 02 - O Dia Seguinte

O Príncipe das Trevas (PDT)

Capítulo 02 - O Dia Seguinte

Autor: Kouhei Kagami | Revisão: yuukari

Yu despertou vagarosamente, num momento de preguiça abriu seus olhos lentamente enquanto os cobria com uma das mãos. Suas sobrancelhas franziram grandemente devido ao forte brilho irradiando em seu quarto através da janela.

Depois de passar algum tempo encarando a parede com a feição similar a de um fantasma, Yu decidiu por fim se levantar.

Após soltar um longo e preguiçoso bocejo, ainda sentado em sua cama, Yu esticou seus braços para ambas direções. Em seguida um fraco som de dois tapas colidindo em sua face soou.

Apesar de ter desferido dois tapas em sua própria face, Yu permaneceu com uma expressão inalterada de indiferença estampada em seu rosto.

“Me sinto meio estranho hoje.. Apesar de parecer só mais um dia normal, tenho essa leve sensação..” – Murmurou após levantar, ao mesmo tempo em que seguia cambaleando para o banheiro.

Normalmente, Yu não teria dificuldades para levantar cedo, mesmo sem a luz do sol invadindo seu quarto. Há muito ele já havia se acostumado com essa rotina. Levando isso em conta, Yu não compreendia sua indisposição justo nessa manhã em particular, afinal, ele não se lembrava de ter feito nada especial anteriormente.

A única coisa diferente era o sonho que tivera, onde uma batalha intensa eclodiu dentro de um local totalmente sombrio, repleto do mais vasto nada, exceto que por quatro entidades misteriosas batalhando entre si. O mais assustador era que, apesar da vasta escuridão, Yu podia enxergar claramente um ser disforme enfrentando sozinho outros três seres similares, não só isso, ele estava a pressioná-los de maneira esmagadora.

Repentinamente surge em meio a luta uma forte luz despontando de um distante local. As quatro entidades foram afetadas pela colisão desta grande massa de luz, contudo aquela que estava a lutar de modo solitário, foi a mais afetada de todas, consequentemente a batalha acabou sendo interrompida.

Uma curiosidade brotou dentro de Yu nesse momento, o garoto tentou seguir a origem daquela fonte de energia enquanto se questionava sobre o que poderia ser. Quanto mais avançava, mais uma sensação de infinito engolia Yu.

À medida que corria, Yu sentia-se cada vez mais distante do lugar que queria alcançar. O brilho que vinha do horizonte estava gradualmente se dissipando, até que não mais restou nada para se admirar daquela direção a não ser escuridão.

Antes daquela luz misteriosa desaparecer, a sombra de um homem de costas apareceu diante os olhos de Yu, contudo foi uma visão muito breve e ele não pôde enxergar claramente a quem pertencia.

As trevas que o cercavam pareciam infinitas, ao pisar no chão uma sensação percorria todo seu corpo, como se estivesse a caminhar sobre água. Cada passo dado desencadeava uma série de ondas sobre o chão, similar à cena de uma gota d’água caindo numa pequena poça.

Enquanto caminhava, Yu não podia enxergar mais nada a não ser seu próprio corpo, as quatro entidades furiosas anteriores pareciam ter se acalmado e não mais criavam confusão naquele gigantesco espaço sombrio.

<flap> <flap> <flap> <flap>

Um som de asas batendo despontou abaixo de Yu quando repentinamente uma poderosa torrente de água eclodiu a partir do chão.

Ao seu redor se formou algo que se assemelhava a uma barreira de água branca, bloqueando seu caminho. Enquanto olhava para cima, a barreira formava uma parede infindável que o prendia.

Inicialmente Yu ficou receoso, mas ao mesmo tempo em que seu coração estremeceu, foi percebida uma aura familiar fluindo ao redor de seu corpo. Virando-se para os lados tentando achar a origem dessa misteriosa energia, não avistou nada em lugar algum.

“Isso.. seria essa barreira a energia celestial daquele homem?”

Curioso, Yu deu um passo à frente e estendeu seu braço direito para tocar a barreira que o cercava. Quando a ponta de seu dedo colidiu com o fluxo de energia que subia à partir do solo, imediatamente uma sensação calorosa e aconchegante cobriu todo seu corpo.

A sensação que Yu tinha era de uma aura muito familiar, mas ele não era capaz de reconhecê-la, não importa o quanto se esforçasse para recordar.

<flap> <flap> <flap> <flap>

O ruído de bater de asas soou novamente. Dessa vez, com um olhar mais minucioso, Yu foi capaz de ver claramente a origem do som conforme seus olhos se encolhiam e seu olhar se focava na barreira ao seu arredor.

A barreira que mais parecia uma corrente de água fluindo verticalmente, era, na verdade, um aglomerado de milhões de pássaros espirituais de tamanho minúsculo se entrelaçando enquanto voavam em movimento ascendente.

Após tocá-los, Yu sentiu seu corpo ser envolvido pelos pássaros que começaram a levantá-lo do partir do chão. Em instantes, Yu havia atingido dezenas de milhares de metros de altitude.

Enquanto seu corpo subia, os pássaros que lhe rodeavam começaram a esvoaçar de modo desordenado, parecia mais como um vasto mar esbranquiçado entrando em fúria.

<PA>

Observava a cena se desenrolando, Yu sentiu uma forte dor em seu corpo ao mesmo tempo em que diversos pássaros colidiram com o mesmo. A cena a seguir fez surgir terror em seus olhos. Um cintilante clarão vermelho escarlate apareceu da região em sua cintura e começou a engolir as centenas de milhares de pássaros voluntariamente indo de encontro a seu corpo.

Apesar da dor que sentia, Yu se acostumou aos poucos. Algum tempo depois, não mais era dor o que tomava seu corpo, mas sim uma peculiar sensação..

“Huh..?”

Por um instante, Yu foi capaz de vislumbrar uma figura distorcida a sua frente em meio ao mar de pássaros esbranquiçados.

“Pai! Isso.. isso.. é você?!” – Gaguejou Yu em direção à imagem desfigurada.

No momento seguinte, um sorriso medonho se formou sob a imagem disforme, então os pássaros que o rodeavam desapareceram subitamente. Com o sumiço da energia que o sustentava no ar tendo desaparecido, Yu despencou em grande velocidade.

“AHHHHH!”

<PLOFT!>

Contudo, quando Yu se chocou com o chão, seu corpo acabou por afundar. Ele se sentiu como se tivesse adentrado num imenso Lago do Infinito. Apesar de submerso  conseguia respirar naturalmente, ou melhor dizendo, Yu podia respirar, no entanto não sentia a necessidade para tal.

...

Na cozinha Yun Ning e Tai Chen discutiam a respeito do que fazer em relação a noite passada.

“Tai.. você não acha que deveríamos dizer a verdade para ele?”

“Eu não estou certo sobre isso ainda.. Yu é muito novo.. talvez fosse melhor esperarmos mais um pouco.” – Murmurou Tai Chen, apreensivo.

Enquanto refletia, o coração de Yun Ning estava amargo. Ela sempre fora uma mãe e esposa dedicada de corpo e alma à sua família. Contudo, ao se tratar de Yu, ela colocaria até mesmo seu marido Tai de lado. Seu instinto de mãe, quando desperto, poderia assustar até mesmo as mais ferozes das bestas. Porém, ao imaginar como seu filho reagiria quando soubesse a verdade, ela se sentia extraordinariamente impotente e deprimida.

Apesar de relutante, finalmente ambos chegaram a um consenso: o melhor para Yu, seria manter em segredo o fato dele ser adotado, ao menos por enquanto.

Graças a Tai Chen, Yun Ning e Yu sempre estiveram seguros. No entanto, apesar de proporcionar aos dois uma vida razoavelmente confortável, sempre havia algo atormentando Tai, ele nunca foi capaz de aliviar completamente os sentimentos cravados no coração de sua esposa. Ela sempre hesitava quando se tratava de contar a verdade à Yu por medo de que isso pudesse ferir seu amado filho. Yun Ning temia que seu filho passasse a odiá-la.

Desde o princípio, Yun Ning se perguntou como seria se Yu decidisse ir atrás de sua família biológica para descobrir o porquê deles o abandonarem. Se ele somente quisesse saber a verdade não haveriam problemas, mas e se Yu os perdoasse e a esquecesse para sempre?

Yun Ning era uma péssima mentirosa, portanto ela sempre evitou tocar nesse tipo de assunto próxima a Yu, contudo, quanto mais ele crescia, mais próximo chegava o dia em que ela teria de contar a verdade.

Presenciando sua esposa aflita, Tai Chen a colocou em seus braços de modo a aconchegá-la. Mesmo nunca demonstrando, Tai sempre foi capaz de compreender como ela se sentia. Pensando nisso, ele se esforçava cada vez mais para manter sua família unida e ser um ótimo marido, além de um pai presente.

Apesar de sua natureza brincalhona, não havia nada que Tai valorizasse mais do que sua família, ele sempre amou Yun Ning e Yu igualmente, laços de sangue não lhe importavam.

Naquele momento Yu se aproximava da cozinha. Após dar o primeiro passo dentro do cômodo, ele ficou estático por um breve momento. Logo em seguida, Yu deixou escapar um largo sorriso de felicidade ao mesmo tempo em que debochava, era visível uma pitada de malícia em sua face enquanto dizia com uma de suas mãos cobrindo seus lábios:

“Eu não vi nada.. podem continuar os dois pombinhos.. Hehe” – Yu ria por fora tentando se controlar, mas por dentro ele estava grandemente feliz, por ser abençoado com ótimos pais que se dão tão bem.

Sua mãe imediatamente corou enquanto cobria o rosto vermelho com suas pequeninas e delicadas mãos, Tai Chen também aproveitou a oportunidade para se distanciar o mais rápido possível. Ambos estavam numa situação embaraçosa.

“Espere Yu, não é o que você está pensan-”

Antes mesmo de poder concluir sua fala, Tai Chen foi interrompido por Yu que lhe deu as costas conforme caminhava acenando com uma de suas mãos – “Heh, não se importem comigo.. Vou pegar algo para comer em outro lugar. Hehehe”

“Filho, nós precisamos conversar.” – Subitamente um olhar sério irrompeu no rosto de Tai Chen.

O garoto parou de caminhar, suspirou e então se virou para encarar seu pai.

“Não precisa me explicar nada, eu não me importo.” – Disse Yu com um olhar frio demonstrando desinteresse nas palavras de seu pai.

Uma expressão de surpresa tomou conta de Tai. Apesar de se sentir ofendido, era a primeira vez que Yu agia de maneira tão indiferente em relação a sua própria família.

“Yu.. será que você...? Não.. não é possível que ele saiba disso..” – Pensou Tai Chen balançando sua cabeça.

“Yu, estive pensando ultimamente. Acho que está na hora de visitarmos a Cidade das Chamas.” – Disse Tai Chen.

“Oh! Isso? Hehe..” – Percebendo as intenções de seu pai, Yu se arrependeu por ter sido grosseiro. Por não querer magoar sua mãe tentou cortar o rumo da conversa, entretanto, seu pai de maneira inusitada não tocou no assunto.

...

Terra Ancestral

Um jovem subia por um gigantesco lance de escadas com formato espiral que se estendia além do alcance de sua visão, impossibilitando que vislumbrasse o topo da torre. Enquanto caminhava suas vestes estavam ensopadas, ele transpirava freneticamente à medida que seus cabelos verde-louros balançavam de um lado para o outro.

“Gaaaarrhh!” – Rosnou furiosamente Qi Ming.

“Quantos anos faz desde que comecei a escalar essa maldita torre?!?!”

“Essa porcaria parece não ter fim.. Grrr... Malditos sejam vocês Deuses Ancestrais! Por que caralhos criar algo tão ridiculamente alto?! Seu bando de masoquistas!”

Seu corpo pesava mais a cada passo, apesar de não receber diretamente a luz do sol quando dentro da torre, a sensação era a mesma de estar mergulhado num imenso mar flamejante. Qi Ming estava a beira do delírio, não somente suas roupas estavam encharcadas de suor, também sua noção de tempo estava distorcida.

Para ele parecia que haviam se passado anos, talvez até séculos, desde o momento em que começou a escalar a torre. Na verdade, não se passara nem mesmo um dia completo.

Em seu tortuoso avanço rumo ao topo, que mais se assemelhava a uma eternidade, lentamente se passaram três dias. Após esses três dias, finalmente Qi Ming foi capaz de vislumbrar um brilho logo acima. Sua tortura havia, enfim, terminado. Desconsiderando suas condições físicas, Qi Ming disparou adiante condensando o máximo possível de energia espiritual em suas pernas, de modo a alcançar o topo o mais rápido possível.

<BOOM!>

Quando pisou sobre o último degrau Qi Ming hesitou, e então seu corpo deslizou alguns metros para frente antes de finalmente parar. Uma imensa e opressora aura havia explodido no pico da torre. Tal aura parecia querer rasgar Qi Ming em milhares de pedaços, deixando-o de uma maneira irreconhecível e miserável.

“MALDITO! SEU VERME INSOLENTE! Como ousa um mero inseto invadir o domínio do grandioso Deus do Sol?!” – Exclamou furiosamente uma voz se originando de todas as direções ao mesmo tempo em que um gigantesco calor engolia Qi Ming.

“Argh! Quente.. quente..” – Murmurou Qi Ming em dor, sentindo seu corpo cozinhar lentamente conforme se tornava avermelhado.

Apesar disso, Qi Ming curvou seus lábios de maneira quase imperceptível, como se tivesse atingido seu objetivo e ficasse satisfeito. No entanto, era inegável a agonia que ele sentia, Qi Ming teve de se esforçar ao máximo somente para permanecer em pé.

Reunindo as poucas forças que lhe restavam, o jovem proferiu as seguintes palavras – “Oh grande e sábio Deus Ancestral do Sol, perdoe-me por minha insolência. No entanto eu possuo um nobre motivo para invadir seu grandioso território, peço que me ouça por apenas cinco minutos, isso é tudo que preciso para me explicar.”

Por Kouhei | 15/04/18 às 00:36 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Elementos de Cultivo, Romance, Brasileira