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Capítulo 173 - Dissimulado

O Último Herdeiro Da Luz (UHL)

Capítulo 173 - Dissimulado

Autor: Rafael Batista | Revisão: JFae p

“E lá vamos nós… De novo...” Zao Tian murmurou enquanto passava o olhar pela sua cela. No mesmo instante em que entrou ali, um forte sentimento de nostalgia surgiu no seu peito.

Vienne escutou os murmúrios de Zao Tian e, imediatamente, se virou para trás e perguntou: “O que você disse?”

Zao Tian sacudiu a mão direita e respondeu: “Nada… Eu só estava pensando alto. Porém, eu posso te fazer uma pergunta?”

Vienne acenou com a cabeça, indicando que Zao Tian poderia prosseguir.

Imediatamente, Zao Tian falou: “Eu sei qual foi a acusação, mas quando eu terei uma audiência ou algo do tipo?”

Vienne respondeu: “Isso seria feito ainda hoje, mas, como surgiram outros envolvidos, a audiência se dará quando os feridos estiverem em condições de conversar!”

Zao Tian balançou a cabeça, e fez outra pergunta: “Eu posso ver o meu amigo?”

Vienne: “Talvez, quando ele melhorar, nós o traremos até você!”

“Obrigado!” Zao Tian agradeceu.

“Fique calmo e não faça nenhuma besteira! O seu estado de cárcere é preventivo e pode ser que acabe após a elucidação dos fatos!” Vienne falou em tom de aviso.

Zao Tian concordou, antes que Vienne se virasse e fechasse o complexo das celas.

A cela onde Zao Tian estava, ficava localizada no meio de um longo corredor, no qual haviam dezenas de outras celas; As barras e a paredes das celas eram feitas de metais extremamente resistentes; Haviam várias armadilhas nas paredes e grades, apenas para prevenir qualquer eventual tentativa de fuga; No final do corredor, havia outro grande portão e, no meio dele, havia uma complexa matriz de selos. Com apenas um olhar, Zao Tian identificou que aquela era uma matriz de autodestruição que, se porventura, fosse violada, todo o complexo de celas seria destruído por uma grande explosão.

Olhando para todas aquelas defesas, Zao Tian fez uma expressão admirada enquanto dizia para si mesmo: “Isso sim, pode ser chamado de cárcere! As defesas contra fugas deste lugar… São todas mortais!”

Depois de analisar os arredores, Zao Tian se sentou e, para não desperdiçar o seu tempo, tentou cultivar. Contudo, havia alguma coisa selando o complexo e impedindo que a energia espiritual chegasse lá dentro.

Rapidamente, Zao Tian tentou localizar a fonte daquele selamento, mas, infelizmente, quando ela a encontrou, não havia nada que ele pudesse fazer, pois os selos que impedem a energia espiritual de entrar no complexo, estavam localizados no corredor, longe da sua cela. Qualquer um ficaria frustrado quando chegasse àquela conclusão, mas Zao Tian… Ele deu um sorriso de canto e olhou para o seu dedo anelar direito…

“Ainda bem que ninguém tocou neste dedo… Senão… Eu não quero nem imaginar o que aconteceria se eu me separasse da ‘Raiz Do Salgueiro Da Vida’...” Zao Tian murmurou enquanto a pele do dedo dele mudava de cor e revelava um anel de armazenamento.

Depois de revelar o anel de armazenamento, Zao Tian tocou nele e retirou a ‘Raiz Do Salgueiro Da Vida’ enquanto murmurava: “Eu vou aproveitar a energia espiritual que me resta, para criar um anel de armazenamento indetectável e antifurtos! Aquele truque de mascarar o anel, controlando a luz, tem muitas chances de falhar se eu me deparar com alguém mais cauteloso...”

Depois de murmurar aquilo, Zao Tian cortou um minúsculo pedaço da ‘Raiz Do Salgueiro Da Vida’ e começou a trabalhar nela.

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Agora, em uma das enfermarias da Guarda De Turop…

A mulher que fora levado junto com Ye Yang, estava deitada sobre uma cama. A mulher respirava forte, como se estivesse desesperada, e beliscava as suas pernas, tentando sentir alguma coisa.

“As minhas pernas… Eu não sinto as minhas pernas! Por favor… Alguém... Me ajude!” A mulher gritava desesperadamente. Haviam marcas externas de queimaduras e um grande hematoma, no formato de mão, em seu pescoço, contudo, ela só conseguia pensar nas suas pernas que não se moviam ou tinham qualquer sensibilidade. Nem a dor dos ferimentos era tão desesperadora quanto à sensação de estar deficiente.

Do lado de fora do quarto, um dos médicos que fizeram a primeira análise clínica dela, estava conversando com uma pessoa…

“O quadro dela é muito delicado! Ela sofreu um rompimento da coluna vertebral e sérios danos ao tecido do rosto, das mãos e do pescoço! Ela nunca mais será capaz de andar e, a menos que ela siga rigorosamente às ordens de recuperação que eu receitei, ela ainda correrá um grande risco de morte!” O médico falou.

Dentro do quarto, a garota, que estava apavorada, escutou a conversa do médico. Porém, assim que o médico terminou de falar, ela arregalou os olhos, pois escutou e reconheceu a voz do outro participante da conversa, que perguntou: “Eu posso vê-la?”

“Não… Não… Não...” Amedrontada, mulher começou a murmurar, antes de gritar: “Não… Ele é um demônio! Não deixem que ele se aproxime de mim! Ele me matará e matará todos vocês!”

*Nheeeeck...* Enquanto a mulher gritava desesperadamente, a porta do quarto se abriu e o Murdoc apareceu do outro lado da porta.

“Demônio... Afaste-se de mim!” A mulher gritou enquanto apontava para o Murdoc.

Murdoc, que tinha uma expressão gentil e paciente estampada no rosto, olhou para o médico e perguntou: “Paranoia e alucinações faziam parte do quadro clínico dela?”

O médico sacudiu a cabeça e respondeu: “Ela não tinha apresentado esses sintomas! Pode ser que o trauma psicológico esteja causando isso...”

“Olá… Senhorita! O meu nome é, Murdoc! Eu estou aqui para ajudá-la!” Murdoc falou enquanto colocava a mão no peito e usava um tom amigável.

“Não… Não… Ele é um demônio! Ele está aqui para destruir o mundo!” A mulher gritou enquanto olhava para o médico que tinha cuidado dela.

“Senhorita… Por favor se acalme… Ninguém irá te machucar...” O médico falou enquanto se aproximava da garota e aplicava alguma coisa nela.

Após sentir alguma coisa a espetando, a garota tentou se debater, mas rapidamente, ela perdeu as forças e sentiu o seu corpo amolecer.

“Pronto… Ela está sedada!” O médico comentou com o Murdoc, antes de continuar: “Alguma coisa no senhor, deve ter lembrado o trauma que ela sofreu, por isso ela não pôde ver o quanto é abençoada por ter o senhor cuidando dela, pessoalmente.”

“Haha. Eu não sou o anjo que as pessoas pintam. Eu sou apenas alguém que quer ajudar a tornar desse mundo, um lugar melhor!” Murdoc falou num tom modesto.

“A sua modéstia me impressiona!” O médico falou, antes de caminhar na direção da porta e se despedir: “Eu os deixarei a sós, pois eu tenho certeza de que ela estará em boas mãos!”

*Nheeeck...* *Bang.* A porta se fechou e, finalmente, Murdoc estava a sós com a garota…

Um sorriso frio apareceu nos lábios do Murdoc enquanto ele caminhava na direção da garota e se inclinava sobre o corpo dela…

“Tina… Você me decepcionou!” Murdoc sussurrou no ouvido dela.

A garota, que se chamava, Tina, tentou falar e gritar, mas, apesar de estar consciente, ela não conseguia mover os lábios.

“Eu dei a vocês uma missão extremamente fácil! Vocês só precisavam levar o ruivo até o ponto de encontro e garantir que não estavam sendo seguidas! Contudo… Vocês conseguiram falhar e causar todo esse alvoroço!” Murdoc sussurrou enquanto, decepcionadamente, balançava a cabeça.

Tina estava impossibilitada de se mexer ou dizer algo. Por isso, Murdoc continuou o seu monólogo: “Você sabe o que acontecerá agora?”

“A falha de vocês, resultou nas mortes da Zara e de um dos meus seguidores mais fiéis… Me dói ter que te dizer isso, mas o que vocês fizeram… É imperdoável!”

“Agora, por causa de vocês, que tinham ordens explícitas para ficarem atentas e abortarem a missão no caso de serem seguidas… A Guarda De Turop ficará em alerta e teremos que ser ainda mais cuidadosos!” Murdoc falou enquanto passava a mãos direita sobre o corpo da Tina. Pescoço, ombros, seios, barriga, pernas… A mão do Murdoc deslizou sobre todo o corpo da Tina, antes retornar para o rosto dela e parar…

Lágrimas começaram a escorrer dos olhos da Tina enquanto Murdoc beijava os lábios dela e dizia: “Se eu te matar, surgirão muitas perguntas que não queremos ter o trabalho de responder! Também, você é bonita demais para morrer...”

“Vamos fazer um trato… Eu usarei o meu prestígio para levá-la comigo, cuidarei dos seus ferimentos e te deixarei ainda mais bela do que você era anteriormente! A única coisa que você precisará fazer, para retribuir todo esse esforço é… Ficar assim, parada, como se fosse uma boneca humana!” Murdoc terminou de falar enquanto dava um sorriso sádico.

O rosto da Tina ficou encharcado de lágrimas enquanto Murdoc dizia mais algumas palavras: “Tem um garotinho assustado, chamado, Timmy, perguntando pela irmã dele! Nós o encontramos, sozinho, após a sua cuidadora ter sofrido uma morte brutal… Eu me pergunto se… A irmã dele seria capaz de ficar de boca fechada e cooperar, a fim de salvar o pequeno Timmy, de ter uma morte tão terrível quanto à morte da sua cuidadora...”

Imediatamente, os olhos da Tina se arregalaram e qualquer resquício de resistência simplesmente desapareceu. Somente o medo e a impotência permeavam seu olhar.

No mesmo instante, em um outro quarto, Vienne estava de pé, olhando para Ye Yang, que estava deitado em uma cama.

“Me diga… O que exatamente aconteceu com você?” Vienne perguntou.

Ye Yang, que mesmo após receber um pré-atendimento, apresentava inchaços pelo rosto, respondeu: “Eu estava bebendo em bar, com o meu amigo e outras pessoas. Eu sai do bar, acompanhado por duas garotas, mas eu estava completamente bêbado e perdi o rumo de casa!”

“As duas garotas me guiaram, mas elas não me levaram para a minha hospedaria, elas me levaram para um local ermo e me atacaram!” Ye Yang terminou.

“O que elas queriam? E quanto ao homem que morreu no local onde te encontramos… Onde ele entra nessa história?” Vienne perguntou.

Ye Yang: “Eu vim para Turop, para vender algumas mercadorias e medicinas espirituais e, pelo que elas disseram, eles queriam roubar as minhas coisas!”

“Quanto ao homem… Ele parecia ser o líder daquele pequeno grupo.” Ye Yang terminou.

Para não chamar muita atenção e virar o alvo de todas as pessoas de Turop, Ye Yang resolveu mentir sobre o real motivo do ataque, pois, Zao Tian e ele ainda não estavam prontos para começar uma guerra aberta ao público, contra os ‘Salvadores’. Acusar os ‘Salvadores’, sem nenhuma prova, só serviria para atrair o ódio dos cidadãos de Turop.

“Como foi que o seu amigo te encontrou? E quem matou o homem que estava te carregando?” Vienne questionou.

“Eu não sei… Talvez, o Zao Tian tenha suspeitado de alguma coisa e nos seguido. Contudo, quanto ao responsável pela morte daquele homem… Eu não consegui ver nada além de um vulto e o homem se dividindo ao meio...” Ye Yang respondeu.

Vienne era inexpressiva e não demonstrava nenhuma emoção. Por isso, Ye Yang não sabia se ele estava convencendo-a, ou não.

“As suas palavras serão registradas! Você tem algo a acrescentar?” Vienne perguntou.

“Não, é só isso!” Ye Yang respondeu.

Sem dizer nada, Vienne se virou e saiu do quarto. Depois, ela olhou para dois guardas e disse: “Fiquem de olho nele! Eu vou conversar com a garota!”

Os homens concordaram enquanto Vienne se dirigia ao quarto da Tina.

“O que está acontecendo aqui?” Vienne questionou alguns homens que estavam retirando a Tina do quarto.

“Senhorita Vienne… O quadro clínico da jovem Tina é muito delicado, e os médicos concordaram em deixá-las sob os nossos cuidados...” Murdoc saiu do quarto e falou num tom amigável.

“Primeiro… Me chame de, Tenente Vienne! Segundo… Ninguém levará essa garota! Ela está sob a custódia da Guarda De Turop!” Vienne falou num tom inflexível.

Murdoc, por sua vez, entregou um pergaminho para a Vienne enquanto dizia: “Me desculpe, Tenente Vienne… A garota não tem condições de responder nenhuma pergunta! O Coronel Vargas autorizou a transferência da paciente, mas, pode ficar tranquila, pois, assim que ela se recuperar, ela responderá qualquer uma das suas perguntas...”

Vienne pegou o pergaminho e, surpreendentemente, aquilo se tratava de uma legítima ordem de transferência. Além do mais, o Coronel Vargas não assinou apenas uma ordem de transferência de paciente, ele também assinou uma ordem de transferência de custódia, a qual entregava ao Murdoc, todos os direitos sobre o que a Tina deveria ou não fazer e, quando ou a quem ele deveria responder.

Sem condições de impedir aquela transferência, Vienne fez uma expressão de raiva, antes de dizer: “Pelo visto… A prisioneira é sua...”

Murdoc sorriu e disse: “A Tenente Vienne pode ficar tranquila, pois, assim que ela se recuperar, eu irei pessoalmente, para informá-la!”

Vienne forçou um sorriso de canto, e Murdoc disse: “Aqui… Nós também temos ordens para levar outro prisioneiro!”

Imediatamente, Vienne fez uma expressão furiosa e olhou para o quarto de Ye Yang.

De repente, de dentro do seu quarto, Ye Yang gritou: “Eu recuso! Eu não quero nenhum atendimento médico!”

No mesmo instante, após escutar aquelas palavras, Vienne sorriu, pois se um paciente não quer ser atendido e, ele não esteja com algum distúrbio mental, ninguém pode forçá-lo a se submeter a qualquer tratamento, mesmo que isso o leve a morte.

“Ele deve estar sob os efeitos do mesmo trauma que a senhorita Tina… Ele não sabe o que está dizendo!” Murdoc falou num tom compreensivo.

Imediatamente, de dentro do quarto, Ye Yang gritou: “Eu estou perfeitamente lúcido e farei qualquer teste psicológico que quiserem! Por isso, eu repito… Eu recuso qualquer outro atendimento médico!”

“Coitado… Ele está completamente fora de si...” Murdoc falou enquanto caminhava na direção do quarto do Ye Yang.

Antes que Murdoc desse mais de 2 passos, Vienne se colocou no caminho e disse: “Ele recusou o atendimento médico! Eu conversei com ele, pessoalmente, e posso afirmar que, ele não tem nenhum distúrbio mental! Eu assumo qualquer responsabilidade sobre o que acontecer a ele!”

“Tenente Vienne… Você tem certeza disso?” Murdoc perguntou, enquanto mantinha a mesma expressão gentil.

“Sim, eu não tenho nenhuma dúvida!” Vienne falou enquanto bloqueava a passagem e olhava nos olhos do Murdoc.

“Ótimo! Se a Tenente Vienne disse isso, eu posso ficar tranquilo!” Murdoc falou, antes de se virar e instruir os seus homens: “Vamos, a jovem Tina precisa de cuidados urgentes!”

Vienne observou enquanto Murdoc e os homens dele se afastavam. Depois, após eles saírem do campo de visão dela, ela se virou para os guardas e disse: “Não deixem que ninguém entre nesse quarto! Se, porventura, alguém vier para transferi-lo, me chamem... No mesmo instante!”

Do lado de fora da enfermaria, um dos homens do Murdoc olhou para ele e perguntou: “Chefe… Nós vamos mesmo desistir do garoto?”

Murdoc acenou com a cabeça e respondeu: “Sim, por hora!”

Novamente, o homem perguntou: “Quanto ao médico da Tina e a Vienne… Devemos fazer algo?”

Murdoc respondeu: “Sigam o médico e só ajam se ele disser alguma coisa que nos incrimine, mas fiquem longe da Vienne! Eu mesmo cuidarei para que ela não tenha condições de nos atrapalhar!”

Após dizer aquilo, Murdoc olhou para outro dos seus homens e ordenou: “Providencie uma lista detalhada de todos os nossos contratos no continente Andros e procure por qualquer relação entre os contratos e alguma família de sobrenome, Zao, ou, Ye!”

“Pode parecer besteira, mas eu estou intrigado sobre os motivos daqueles dois...” Murdoc terminou.

Por Rafael Batista R. Ferreira | 11/01/18 às 12:19 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Harém, Maduro, Seinen, Adulto, Comédia