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Capítulo 2.2 -『NESTE MUNDO CREPÚSCULO』- cronógrafo quebrado -

Shuumatsu Nani Shitemasu ka? Isogashii desu ka? Sukutte Moratte Ii desu ka? (SukaSuka)

Capítulo 2.2 -『NESTE MUNDO CREPÚSCULO』- cronógrafo quebrado -

Tradução: Itsuki Lonely Driver

Parte 02 - O Homem sem Marca

O que eu sou? Willem frequentemente se fazia essa pergunta, mas a resposta era simples: um humano em um lugar onde os humanos não deveriam estar. Sua própria existência desafiava a lógica. Sem maneira de voltar para casa, ele vagou, para sempre uma criança perdida.

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Quando o sol começa a se pôr, as principais ruas da cidade tornam-se animadas e coloridas, iluminadas por lâmpadas de cristal penduradas nas paredes. Uma fumaça roxa iluminada flutuava, agitada por várias pessoas indo e vindo. Um Borgle ergueu a voz para atrair clientes. Uma mulher Ayrantrobos administrando sua loja deu uma tragada em seu cigarro. Um grupo de jovens Orc’s passeava pelas ruas enquanto davam altas gargalhadas.

O beco lateral onde Willem sentou estava em silêncio em comparação. Embora apenas um único prédio estivesse entre as duas ruas, quase nenhum vestígio da agitação lá fora poderia ser detectado.

Ele desembolsou 32.000 bradals, colocando a dívida remanescente em cerca de 150.000.

[Dê-me cerca de meio ano, Grick]. Willem enfrentou seu velho amigo e colocou o melhor sorriso que ele conseguiu. [Eu vou ter o dinheiro até lá].

Os dois estavam sentados em um restaurante barato. Willem usava um casaco velho e maltratado, mas tinha o capuz abaixado, revelando seu rosto ‘sem marca’.

[...].

O homem chamado Grick, era um Borgle de tamanho médio, contou o dinheiro que Willem entregou com uma expressão insatisfeita. Dentro do envelope havia uma grande pilha de notas de bradal de pequeno valor, o que tornou o processo de contagem desnecessariamente longo.

Um silêncio constrangedor seguiu-se.

[Ahh... Oh! Isso mesmo... Como estão Anaala e os outros?].

[Anaala? Não muito bem. Foi engolida pela ‘3ª besta’ no mês passado]. Grick respondeu bruscamente, nunca tirando os olhos do dinheiro. [Por sinal, Gulgura também morreu. Você sabe como a 47ª ilha flutuante afundou no verão passado? Sim, ele ficou preso nela... Agora ele é apenas uma pequena mancha no chão abaixo].

[Ah... Desculpe... Não deveria ter perguntado]. Os ombros de Willem caíram na triste notícia.

Grick, não parecendo se importar muito, apenas riu. [Não se preocupe com isso. Todos nós somos salvagers. Desde o momento em que começamos a pisar naquele terreno, já estamos preparados para morrer... Ou para que os outros morram se a necessidade surgir. Além disso, esses dois viveram uma vida bastante longa. A maioria dos salvagers morre no primeiro dia em que eles vão lá].

Ele finalmente terminou de contar. [Sim, está tudo aqui, 32.000 bradals]. Grick alinhou cuidadosamente todas as notas de papel antes de colocá-las no envelope. [Mas Willem... Você está realmente bem com isso?].

[Com o que?].

[Você levou meio ano para conseguir estes 32.000... Você ainda deve 150.000, então, mesmo que as coisas aconteçam, levará mais dois anos e meio].

[Oh isso. Desculpe, mas agora não consigo juntar uma boa quantia rapidamente].

[Bem, eu não estou apressando você ou nada, mas...]. Grick fez uma pausa para colocar o envelope em uma bolsa de couro esfarrapada. [Como você sabe, esta ilha é principalmente preenchida com pessoas que detestam os ‘sem marca’. Você não poderá encontrar nenhum trabalho decente. Agora você está apenas se mantendo com trabalhos aleatórios que pagam muito mal, não é?].

[Ah... Bem...]. Willem evitou o contato visual.

Grick estreitou os olhos. [Então, esse dinheiro é quase todo o seu salário nos últimos 6 meses?].

[Menos gastos com alimentos... Ultimamente os trabalhos não têm fornecido refeições].

[Esse não é o verdadeiro problema aqui], Grick disse com um suspiro. Ele começou a bater seus dedos de Borgle na mesa, obviamente irritado. [Você está fazendo algo mais com sua vida, além de pagar sua dívida? Foi o que eu estava tentando dizer... Faz meio ano que você acordou. Você não encontrou nada que você queira fazer? Qualquer coisa que você queira desfrutar?].

[Bem... Você sabe, eles dizem que apenas viver a vida é divertido por si só...].

[Não me venha com essa desculpa esfarrapada de uma justificação para viver uma vida chata]. Grick cortou Willem bruscamente. [Eu vivo pelo que eu gosto. Um mar de tesouros fica lá no chão. Materiais e tecnologias que não temos aqui estão apenas esperando para qualquer um tomar para si. Procurando por eles e os trazendo de volta para vender é o que eu gosto. Vindo vazio e estando no buraco... Bem, isso tempera as coisas à sua maneira. Acidentalmente pisar no ninho da ‘6ª besta’... Momentos como esses são quando me sinto mais vivo].

Por um momento, Grick teve um olhar distante em seus olhos, relembrando suas aventuras passadas. [Isso é o que nós salvagers fazemos. Então, e você, Willem? Se você é o tipo sério que gosta de trabalhar duro, então isso é bom para mim... Mas você pensou sobre o que você fará depois de pagar esta dívida?].

[Esse café está meio salgado]. Uma tentativa quase óbvia de esquivar a questão. Grick deu-lhe um olhar engraçado, mas, ainda incapaz de encontrar uma resposta, Willem deu uma risada sem coração. Outro silêncio estranho seguiu-se.

Em geral, Borgles são pessoas relativamente simples; eles apenas seguem seus instintos. Claro que existe alguma variação entre os indivíduos, mas Grick era um pensador tão claro e lógico que quase fez Willem duvidar de sua identidade. Ele também era um cara legal, um aspecto da personalidade de Grick com o qual Willem costumava ter problemas.

[Diga, Willem... Eu poderia ter um trabalho para você. Por que você não tenta?. Grick interrompeu o silêncio com uma pergunta. [Conheço alguém à procura de pessoas... É um trabalho decente, mas envolve trabalhar com os ‘sem marca’ por um longo período de tempo, então ela não consegue encontrar muitas expectativas. Eu acho que você não tem nenhum problema em trabalhar com os ‘sem marca’, no entanto].

[Por que você não faz isso? Quero dizer, você pode me aguentar].

[Eu sou um salvager. Minha alma vive lá embaixo, no chão. Qualquer trabalho que me prenda aqui me deixaria louco], Grick disse com uma risada. [Quanto ao que você estará fazendo no trabalho... Bem, como dizer isso, você estará gerenciando as armas secretas da Winged Guard].

[O exército? Armas secretas?]. Essas palavras não tinham uma conotação muito pacífica.

A palavra ‘exército’, aqui em Règles Ailés, geralmente se refere à organização oficial feita para combater invasões das '17 bestas'. Mesmo com o terreno bastante literal, a Winged Guard compreensivelmente ainda tem grande dificuldade contra as bestas. Afinal, elas são os inimigos que destruíram todas as formas de vida na terra. Para garantir qualquer poder de fogo adicional possível, o exército tem usado todos os métodos disponíveis - ou pelo menos é o que dizem.

[Eu não posso lutar mais. Você sabe disso].

[Eu sei, eu sei. Só porque eu disse que é o exército não significa que você vai para a batalha para vencer aquelas coisas. Há alguns trabalhos de escrivaninha, sabia?].

[... Como o quê?]. A descrição de Grick não deu a Willem uma imagem muito boa desse trabalho. [É o tipo de trabalho que qualquer trabalhador de meio período pode fazer?].

[Eu não acho que isso seria muito bom. Se é com a papelada que você está preocupado, eu posso cuidar disso]. Grick soltou outra risada.

[De qualquer maneira, escute. Eu ouvi dizer que essas armas secretas são efetivamente gerenciadas e mantidas todas pela Companhia de Comércios Gerais Orlandri. Como você sabe, a lei proíbe os civis de possuir armas acima de um determinado nível de poder].

[No entanto, para o exército, Orlandri é um grande patrocinador, então eles não querem danificar as relações com eles. Além disso, mesmo que a Winged Guard colecione essas armas, elas não seriam capazes de gerenciá-las ou mantê-las com seus recursos tecnológicos e financeiros atuais].

[Então, no papel, o exército possui as armas... Mas na verdade, a Orlandri está no controle?].

[Exatamente. O exército envia um supervisor ‘representativo’, mas não faz mais nada. Para qualquer soldado de verdade, ser um supervisor é um trabalho inútil. Você quase não tem autoridade, e os resultados do seu trabalho não podem ser divulgados porque você está gerenciando armas secretas. Um grande passo para trás para a carreira de qualquer soldado. É por isso que eles começaram a procurar pessoas fora do exército].

Grick olhou para Willem com seus olhos âmbar de Borgle. [Como eu disse, posso obter um título oficial como soldado. Como o supervisor realmente não faz nada, você não precisa de habilidades especiais. Precisa ter paciência e manter a boca fechada. Em suma, o salário é muito bom. Você poderá pagar a totalidade da sua dívida e ainda terá algum excedente].

[Use esse dinheiro e encontre seu próprio caminho na vida. Eu sei que você tem circunstâncias especiais, mas não desperdice a vida que lhe foi dada. Isso é o que os outros e eu-]. Grick balançou a cabeça.

[Ah, desculpe... Parece que estou ficando um pouco mole ao ver tantos amigos morrerem]. O rosto do homem Borgle se torceu em um sorriso amargo.

Ficou cada vez mais difícil recusar a oferta. [Tudo bem, fale mais detalhes sobre esse trabalho].

[Você vai escutar?].

[Eu vou decidir depois de ouvir um pouco mais. Portanto, não diga nada que vá tornar impossível para eu recusar].

[Entendi. Primeiro de tudo...]. Uma felicidade evidente mostrou-se em seu rosto, Grick olhou para a xícara de café.

[Está um pouco salgado... Este café]. Ele soltou uma risada saudável.

Grick era um pensador lógico e um Borgle surpreendentemente simpático. Em outras palavras, um cara legal. Willem tinha apenas um pequeno problema com essa parte dele às vezes.

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Existem mais de uma centena de ilhas flutuantes que compõem Règles Ailés, elas possuem um sistema de numeração. No meio do grupo fica a 1ª ilha flutuante, e a partir daí os números se espalham em um padrão de espiral. À medida que você sai do centro, os números ficam maiores.

No entanto, há algumas coisas especiais a se considerar. As ilhas centrais, até o número 40, ficam bastante próximas das outras ilhas. Em alguns casos extremos, duas ilhas podem até ser conectadas por ponte. Esta proximidade entre ilhas promove o intercâmbio cultural e econômico, que por sua vez levam as cidades a prosperarem.

Por outro lado, as ilhas perto da borda, após o número 70 ou mais, têm grandes distâncias entre elas e geralmente são de tamanho pequeno. Como resultado, as cidades são menos numerosas, menos povoadas e, claro, menos prósperas. Alguns podem estar tão isolados que as aeronaves de transporte público nem param em sua rota.

A instalação onde Willem precisava ir para o seu novo emprego estava localizada na 68ª ilha. O suficiente para ser inacessível diretamente por aeronaves de transporte público, a ilha exigiu alguns meios mais criativos para chegar. Comprar ou alugar uma aeronave privada era financeiramente inviável, então Willem optou por pegar uma aeronave pública até a 53ª ilha, a parada mais próxima de seu destino. De lá, ele contratou um ferryman para levá-lo até seu destino.

Seus cálculos eram perfeitos - Exceto por uma coisa, que Willem notou no momento em que chegou na 68ª ilha. O sol já tinha se posto.

Um vento forte e arrepiante passou.

[Haha... Bem, isso foi uma falha total]. Em pé sozinho no porto deserto, Willem riu para si mesmo. A bainha de seu casaco usado sobre seu novo uniforme do exército, agitou violentamente ao vento.

O ferryman voltou para casa para a 53ª ilha imediatamente depois de deixar Willem, então não havia volta. Ele viu uma placa, desgastada devido à exposição aos elementos. De acordo com ela, a cidade mais próxima ficava a 2000 malumel à direita, enquanto o 4ª armazém da Orlandri ficava a 500 malumel à esquerda. Ao lado da placa, duas setas vermelhas de madeira apontaram em direções opostas.

[Deve ser por aqui], murmurou Willem, reconhecendo o nome Orlandri. A flecha apontou para um caminho estreito que conduzia diretamente ao meio de uma floresta espessa. Claro, nem uma única lâmpada de rua ou nada mais conveniente estava à vista. Enquanto caminhava pelo lugar, sem qualquer luz não parecia nada divertido, Willem não poderia apenas sentar e esperar pela manhã. Ele pensou em dirigir-se ao outro lado da cidade e encontrar uma pousada, mas esse caminho ainda era bastante longo e certamente não muito mais brilhante. Olhando para o céu estrelado uma última vez, Willem suspirou e entrou na escuridão.

As estrelas às vezes atravessavam as lacunas entre as árvores, dando a Willem luz o suficiente para permanecer no caminho. Navegar desse jeito, no entanto, fez com que seu ritmo se tornasse ridicularmente lento.

Está escuro. Era desnecessário dizer, Willem sabia disso antes de colocar o pé na floresta. Não consigo ver onde estou pisando. Isso também, ele sabia de antemão, mas ainda assim ele não podia deixar de reclamar para si mesmo.

Marchando, Willem de repente se lembrou de um conto de fadas que ele leu quando criança. Um menino entrou em uma floresta uma noite de verão e nunca mais voltou para casa. Na floresta, um grupo de fadas o sequestrou e levou-o para o seu país em outro mundo - ou algo assim. Na época, Willem pensou que o mesmo poderia acontecer com ele, então ele prometeu nunca se aproximar de uma floresta à noite. Seu mestre e a ‘filha’ provocaram-lhe infinitamente sobre isso. Agora que ele não era mais um garotinho, parecia uma história engraçada, mas...

[Não há animais perigosos aqui fora... Certo?].

Entre ser sequestrado por fadas ou ser comido por animais selvagens, esse último parecia ser a questão mais relevante no momento. Esta floresta e a 68ª ilha em si eram bastante grandes pelos padrões de Règles Ailés. O lugar poderia ser considerado uma imitação próxima da natureza uma vez encontrada em terra, então ele não podia descartar a possibilidade de um lobo ou um urso sair da escuridão.

Posso sobreviver a um ataque de urso? Willem perguntou a si mesmo. No passado, um casal de animais selvagens não seria um problema. Em seu estado atual, no entanto, tendo perdido todo seu poder, ele não podia ter tanta certeza.

Ele sentiu algo molhado sob seus pés. Parece que ele se desviou do caminho um pouco enquanto estava perdido em seus pensamentos. Do leve cheiro de água, junto com o som e a textura do solo, Willem adivinhou que ele havia tropeçado em um pântano.

A mistura de água, sujeira e vento produziu um perfume único que, por algum motivo, ele achou muito nostálgico. Esse lugar está realmente no céu? Pensando em casa, atravessar o pântano escuro como breu, Willem deu um sorriso amargo.

Pelo canto do olho, ele vislumbrou uma luz. Uma bola incandescente balançou violentamente de um lado para o outro enquanto crescia gradualmente. Algo estava chegando.

[Alguém veio me buscar?].

Quando a aeronave do ferryman pousou no porto aqui, a instalação poderia ter sido notificada de alguma forma. Nesse caso, não seria surpreendente que um técnico ou pesquisador ou alguém que viu o sinal e viesse até ele.

Ah, você não precisava caminhar até aqui para me pegar. Willem jogou uma conversa em sua cabeça enquanto se dirigia para a luz.

[Toma essa!!].

A luz saltou no ar. Um grito de guerra, um pouco fofo para se qualificar como um grito tocou o ar úmido. Willem viu uma espada de madeira saindo da escuridão, descendo de cima, a uma velocidade surpreendentemente rápida.

Por quê?! Ele tentou em vão pensar em uma razão pela qual ele estava sendo atacado de repente. De qualquer forma, isso é ruim. Simplesmente evitar esse ataque seria fácil. O problema era que o agressor, atualmente pulando pelo ar, desencadeava uma parábola perfeita conforme as leis da física e voava direto para o terreno pantanoso atrás de Willem.

O que fazer, o que fazer. Antes que sua cabeça pudesse chegar a um curso de ação razoável, seu corpo começou a se mover por conta própria. Willem deu um passo adiante, posicionando-se sob o arco que a espada de madeira desenhou no ar. Ele estendeu os braços e tomou toda a força do corpo do agressor. Ai. Mais pesado do que eu pensava... Não acho que minhas pernas possam aguentar muito mais.

Seus instintos como soldado fizeram seu trabalho, mudando o corpo para o modo de batalha e tentando ativar o ‘Venenum’ dentro de seu corpo. Este processo geralmente fortaleceria seus músculos e aceleraria sua tomada de decisão, mas em vez disso, Willem recebeu uma dor aguda em todo o corpo. A força em seus braços desapareceu, e ele desabou para trás, pousando na zona úmida com um forte golpe.

Quando a água se acalmou, a maior parte do calor no corpo embebido de Willem foi roubado. Uma pequena chama, provavelmente criada por ‘Venenum’, acendeu na mão direita do agressor. A luz parecia criar o seu próprio pequeno mundo, cortando a escuridão circundante.

O agressor sentou-se no topo do estômago de Willem e olhou para ele com um rosto presunçoso. Willem vislumbrou a luz dos cabelos e olhos roxos.

[Pannibal! O que você está fazendo?!].

Uma segunda luz mágica, dançando entre as árvores, aproximou-se. Em pouco tempo, outra jovem apareceu no escuro. Willem reconheceu seu familiar cabelo azul como o céu.

A garota roxa sentada em cima dele levantou a cabeça e se gabou do recém-chegado. [O cara suspeito foi derrotado].

[Você não deve correr por aqui, o chão está todo molhado, então é perigos - eh?]. A menina familiar olhou para Willem com um rosto surpreso. [O cara suspeito... Você? Por quê?].

[Ei... Faz tempo que a gente não se vê...]. Ele ergueu a mão ligeiramente e tentou acenar e sorriu para a garota.

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Claro, Willem não podia ficar molhado assim para sempre. Depois de um longo banho e uma mudança de roupa, ele ficou na frente de um espelho. Um homem de cabelos negros olhou para ele com olhos negros que pareciam vazios de qualquer ambição. O sorriso fraco que ele usava parecia tão natural, como se seus músculos do rosto estivessem permanentemente dobrados naquela forma.

A fim de esconder o fato de ser um ‘sem marca’, Willem tentou usar falsos chifres e presas. No entanto, ele parecia tão hediondo que quase o fez ficar deprimido. Ele concluiu que essas características faciais deveriam expressar o lado selvagem, então eles não ficaram muito bem com pessoas que não tinham qualidades selvagens sobre eles.

Ao verificar em torno de seu corpo para ver se ele esqueceu alguma lama ou se qualquer dor ainda permanecia, Willem refletiu sobre como lamentavelmente fraco ele tinha se tornado. Apenas tentando inflamar um pouco de ‘Venenum’ levou a essa bagunça. No passado, ele poderia conjurar uma chama pronta para a batalha em seu sono.

Bem, acho que não tem sentido pensar em coisas que já perdi. Willem saiu no corredor das instalações do exército - que não se parecia com um em tudo. O chão consistia em tábuas de madeira velhas, desgastadas e em gesso coberto pelas paredes. Alguns quartos se alinhavam ao corredor em intervalos uniformemente espaçados. Colados na parede ao lado de Willem estavam três folhas de papel: uma exibindo a ordem de rotação para tarefas domésticas, uma advertência de um banheiro disfuncional no 2º andar e uma dizendo ‘Não corra nos corredores!’.

Por último, viu garotas jovens que espreitaram por trás de vários objetos, todos tentando espiar o estranho novo homem.

[Por aqui].

A menina de cabelos azuis o guiava. Recebendo outra chance de olhar para ela de perto, Willem reajustou sua estimativa de idade para cerca de 15 anos, com base em padrões humanos. ‘Sem marca’, ela tinha um corpo e características semelhantes às de um ser humano. O que a separava era o seu cabelo azul brilhante, evocador de um claro céu de primavera. Um emnetwyte nunca conseguiu atingir uma cor tão naturalmente vívida, independentemente do corante que usassem.

Em comparação com quando se conheceram no Distrito de Compras Briki, a garota pareceu ser mais calma e assumiu uma atitude mais fria. Mas mesmo assim, Willem poderia dizer que não era a verdadeira personalidade dela. Toda vez que ela tinha alguma confusão ou incerteza, mostrava claramente em seus olhos azuis oceânicos.

Eles dizem que não importa como você age em uma viagem, porque você nunca mais verá essas pessoas. A menina animada que Willem viu há alguns dias deve ter sido o resultado dessa mentalidade. Ela lembrou-lhe de um camarada com quem trabalhou há muito tempo, alguém que teve dificuldade em ser honesto consigo mesmo. Quando percorreu as lembranças de seu velho amigo, um sorriso se espalhou pelo rosto.

[O-o que foi?].

[Ah, nada. Continue].

Ocasionalmente, a menina parecia nervosa para Willem, parecendo que queria dizer alguma coisa, mas depois voltou imediatamente e colocou mais distância entre eles. Incapaz de tomar uma atitude mais familiar por causa disso, Willem silenciosamente seguiu alguns passos atrás. A menina com o cabelo roxo, Pannibal, que parecia ter cerca de 10 anos de idade, olhou com curiosidade para o casal estranho.

Depois de uma curta caminhada, eles chegaram a uma sala aconchegante, que tinha uma pequena mesa e uma cadeira, uma estante de livros, uma cama e vários acessórios convenientes espalhados.

Este era para ser o armazém, não é?]. A pergunta que Willem tinha perguntando a si mesmo desde que ele entrou neste lugar de repente escapou.

[Uma reação típica].

Uma mulher sentou-se na sala. Outra ‘sem marca’. A julgar pela aparência, ela parecia ter cerca de 18 anos, a mesma idade que Willem, ou um pouco mais velha. O cabelo vermelho claro caia até a altura do ombro. Os olhos verdes como grama estavam fixos em Willem, e ela usava uma blusa colorida semelhante com um avental branco na parte superior. Seu comportamento gentil e bem educado emitiu uma impressão bastante elegante.

[Bem-vindo ao armazém de armas secretas], disse a mulher com um sorriso. [Faz tempo que não nos vemos Willem. Você ficou mais alto?].

[... Por que você está aqui Nygglatho?], Willem gemeu.

Um leve som de batida veio do lado de fora da sala, mas Willem fingiu que não o ouviu.

[Por quê? Bem, é aqui onde eu trabalho, é claro. Fiquei surpresa quando ouvi de Grick. Não esperava que você fosse enviado aqui. Ah, parabéns pela promoção, Willem Kmetsch, 2º técnico de armas encantadas. Para obter tal posição no mesmo dia em que você entrou para o exército... Elevando-se através das fileiras muito rápido, né?].

[Não fique tirando uma com a minha cara... Eu sei que é um título vazio. A propósito… O ‘alguém que procura pessoas para ajudar com um trabalho digno’ que Grick mencionou...].

[Ah, esse provavelmente era eu].

[Aquele desgraçado]. Willem fez uma nota mental para socar Grick na próxima vez que se encontrarem. Ele provavelmente estava pronto para isso, já que ele, conscientemente, colocou essa armadilha para Willem.

[De qualquer forma, a floresta neste momento é bastante assustadora, não é? Se você tivesse nos contatado, poderíamos buscá-lo em uma ilha próxima ou algo assim].

Nygglatho fez um gesto para que Willem se sentasse. Um conjunto de chá foi colocado sobre a mesa, provavelmente preparado durante o banho.

[Eu não estou acostumado a longos passeios de aeronaves... A 28ª ilha está muito mais longe daqui do que eu pensava. Eu informarei com antecedência na próxima vez].

[Por favor, faça isso... A propósito, essas roupas caem muito bem em você].

[Exceto que a pessoa que está vestindo atualmente as ache apertadas e difíceis para respirar...].

[Não diga coisas tão tristes Willem... Em comparação com logo depois de acordar, você parece cerca de 20% mais delicioso].

[... Então meu risco de morrer também aumentou em 20%].

[Ah, não seja tão mau... Você pode confiar em mim. Já lhe disse antes, não? Mesmo que eu seja uma troll e você seja um prato extremamente raro, não pretendo comer você]. Nygglatho bateu as palmas das mãos juntas, inclinou ligeiramente a cabeça para o lado e continuou. [Quero dizer, seria uma pena desperdiçar o último homem no mundo apenas para satisfazer uma fome momentânea].

Willem teve que admitir que achou seu gesto bonito, mas suas palavras enviaram calafrios escorrendo pela coluna vertebral.

[Claro, se você disser que está bem em comer você, então vou pensar sobre isso...].

[Não. Definitivamente, não está bem].

[Hmm? Tem certeza de que não vai mudar de ideia? E quanto a apenas um braço? Um dedo?].

Willem suspirou. Quanto mais essa conversa continuasse, mais perigoso ficava para ele.

Trolls, exemplos clássicos de monstros, muitas vezes apareceram em histórias de fantasmas contadas pelos viajantes de volta no tempo de Willem. Um homem bonito ou mulher bonita vivendo sozinha em uma casa longe de qualquer cidade. Quando os viajantes cansados vinham, ele os convidaria, os recebia com um banquete, cuidava deles, então, no meio da noite, os comia.

Até recentemente, Willem achava essas histórias eram todos apenas mitos, histórias criadas para ensinar novos viajantes para não abaixar a guarda em terras desconhecidas. Quando ele descobriu que Trolls realmente existiam como um tipo de Ogro, Willem tinha ficado estupefato, de boca aberta, por uns bons cinco minutos. Depois disso, a pessoa que lhe contou, que era Nygglatho, riu dele, dizendo algo como ‘Não sei como sentir como ser uma criatura mítica’.

Willem ouviu um som de toque de fora da sala novamente. Ele sentiu algumas presenças mexendo, mas novamente decidiu ignorá-las.

[Vamos falar sobre o trabalho... Foi-me dito que quase não tenho que fazer nada, mas não ouvi nenhum detalhe real. O que eu deveria fazer a partir de amanhã? Ou melhor, há algo que eu deveria estar fazendo hoje?].

[Hmm... Vamos ver. Você está planejando ficar aqui?].

[Claro. Fui enviado aqui para gerenciar essas ‘armas’, então eu deveria pelo menos morar no mesmo lugar com elas].

[As duas pessoas anteriores em sua posição apareceram no primeiro dia, em seguida saíram e nunca voltaram, sabia?].

[Sério!?]. Parecia que este trabalho era mais uma piada do que Willem pensava.

 

 [Então, se você dissesse ‘eu nunca iria viver aqui!’ e sair para ficar em outro lugar na ilha, não haveria realmente qualquer problema...].

[Esta não é uma dessas coisas em que você diz que está tudo bem, mas, assim que eu virar minhas costas você me esfaqueia ou algo assim, não é?].

[Que tipo de pessoa você acha que eu sou...].

Uma ogra comedora de humanos, é claro.

Willem deu um longo suspiro. [Bem, é contra os meus princípios de simplesmente abandonar um emprego, mesmo que seja sem sentido. Eu vim aqui com a intenção de ficar].

[Mesmo? Ótimo!], exclamou Nygglatho, colocando as mãos ao lado da boca. [Bem, então, tenho que me apressar e preparar o seu quarto. Oh, você também deve estar com fome. Pode haver algo sobrando na sala de jantar... Amanhã eu vou fazer para você um banquete, por isso fique ansioso!].

Outro suspiro. Willem sempre achou o Nygglatho um pouco difícil de lidar. Ignorando o fato de que ela queria comê-lo (o que é bastante difícil de ignorar), algo sobre seu comportamento... Simplesmente não se sentia bem com ele, como um cara.

[Hehe... Cuidar de Willem... Foi há cerca de 1 ano, não é? Estou ficando um pouco animada].

Willem era um homem, e jovem. Sendo jovem, ele tinha muitas emoções complicadas e incontroláveis armazenadas dentro de seu coração. Em outras palavras, uma situação como essa, sendo atendida por uma jovem amigável (que também era uma raça semelhante), fez seu coração vibrar um pouco.

No entanto, ele sabia melhor do que interpretar mal a gentileza de Nygglatho, que provavelmente não tinha sentimentos românticos por trás disso. Seu carinho era essencialmente do mesmo tipo que os agricultores dão à suas vacas ou galinhas. Ela estava sendo gentil com Willem para alimentar o ciclo {criar com muito amor} -> {comer}.

Acalmem-se, instintos. Ativar, razão. A pessoa na frente dos seus olhos é um predador. Seu coração está batendo rápido porque sua vida está em perigo. Não tenha uma ideia errada. Willem disse a si mesmo isso uma e outra vez até que seus batimentos cardíacos voltassem ao normal.

[Por que o rosto sombrio?]. A jovem estava completamente inconsciente da luta interna do jovem.

[Apenas quero ter certeza mais uma vez... Você não vai me comer, certo?].

[Não, não, eu realmente quero cuidar de você. trolls tem um desejo natural de dar aos convidados uma recepção tão amigável quanto possível. Eu prometo que não vou comer você (ainda)].

[Ookayy... Por que você não repete o que você acabou de dizer debaixo da sua respiração mais uma vez, alto e claro].

[Hm? Eu não disse nada]. Nygglatho respondeu com indiferença, então, em silêncio, levantou-se e foi abrir a porta.

Uma avalanche de laranja, verde, roxo e rosa se espalhou pelo tapete. Quatro garotas jovens, todas com 10 anos de idade, com cabelos muito coloridos, empilhadas uma sobre a outra.

[Ei! Não empurre!], gritou uma garota presa sob suas parceiras de crime.

[D-D-Desculpa! Desculpa!], chorava outra enquanto repetidamente inclinava a cabeça.

[Eiii Nygglatho, como vai?], disse Pannibal, de uma forma que parecia legal.

[Foi minha culpa!], a última menina se desculpou com um sorriso energético.


Todas as meninas começaram a falar de uma só vez. Nygglatho, sem prestar atenção nelas, colocou ambas as mãos atrás das costas, levantou-se e proferiu um único comando. [Voltem para seus quartos].

Uma das garotas levantou cautelosamente a mão. [Hum... Antes disso, queríamos nos apresentar ao novo supervisor...].

As outras concordaram com a cabeça.

[Vocês ouviram o que eu disse?]. Ela inclinou a cabeça ligeiramente para o lado e deu as meninas um olhar severo. Então, ela sorriu.

[Ou, se vocês não vão me ouvir... Eu posso comê-las!]. Mesmo quando ameaçava as meninas, ela falou com uma voz suave e gentil, como uma mãe que consolava seu bebê.

Sem hesitar, as meninas desapareceram da sala. Uma retirada impressionantemente bem executada.

[Bem, então, vamos indo], Nygglatho virou-se e chamou Willem.

[Ah...], ainda um pouco surpreso com a situação, ele mal conseguiu uma resposta.

Durante toda a refeição, Nygglatho, agora com um humor alegre, sorriu e zumbiu silenciosamente enquanto olhava para ele. Graças a isso, Willem sentiu-se um pouco desconfortável o tempo todo.

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O quarto de Willem não tinha quase nada. O quarto não era pequeno, continha apenas uma cama, um armário vazio e uma lâmpada pendurada na parede. Nenhum tapete cobria o piso duro de madeira e nenhuma cortina cobria a janela. A vista no lado de fora era pura escuridão, como se a janela tivesse sido pintada. Apenas olhando para fora, Willem sentiu como se ele fosse sugado, ou melhor, esmagado pela escuridão esmagadora.

Muito bom o quarto, pensou Willem. Até então, ele estava morando em um complexo de apartamentos feito para trabalhadores Borgle. Além da questão da limpeza, Willem também achou impossível dormir nas camas fornecidas como resultado da diferença de tamanho corporal entre ele e um Borgle. Toda noite, ele deitava no chão e se enrolava em um cobertor. Comparado a isso, quase todos os quartos se pareciam com o céu.

Willem jogou a bagagem no chão e testou a cama. O colchão macio e os lençóis levemente perfumados, gradualmente, curaram a fadiga em seu corpo, convidando-o para um sono profundo.

[- Antes disso…].

Ele tirou as costas para fora da cama antes que ele realmente caísse no sono. Primeiro, ele precisava sair de seu sufocante uniforme do exército. Depois disso, ele recheou o armário com as poucas roupas simples que ele trouxe. Não parecia haver nenhum espaço para colocar seus outros pertences, o que não consistia em muita coisa, então deixou dentro de sua bolsa.

Está quieto. O silêncio confortava Willem, que se havia se acostumado com o tumulto omnipresente na 28ª ilha. - Ou talvez não…

[Você acha que ele está dormindo?].

[Eu não sei... É a primeira vez que eu vejo um menino].

[Mantenha sua voz um pouco mais baixa. Ele pode nos notar].

Alguns sussurros de além da porta quebraram o silencio pacífico. Provavelmente as crianças perseguidas por Nygglatho mais cedo... Elas realmente não desistem.

Willem, segurando a respiração, inclinou-se na direção da porta sem fazer um único som. Ele colocou a mão na maçaneta da porta, contou até 3, em seguida, abriu-a. As meninas caíram na sala, fazendo a segunda avalanche do dia.

[O-O quê?!].

[D-Desculpa! Desculpa!].

[Ei, Sr. Supervisor! Linda noite, não?].

Willem agachou-se para fazer contato visual com as meninas e segurou um dedo na boca. Elas piscaram de surpresa por um segundo, mas então levantaram os próprios dedos nos lábios, adivinhando o que Willem queria dizer.

Você será devorado por Nygglatho. Todos eles, as meninas e Willem, pareciam sussurrar o mesmo apenas olhando um para os outros. Não importa a hora ou o lugar, quando você quer fazer com que as crianças façam algo, primeiro você as assusta com a presença de um demônio.

Willem gesticulou para as meninas entrarem na sala. Não havia cadeiras suficientes para todas, mas elas certamente seriam pegas ao ficarem apenas de pé na entrada. No instante em que entraram na sala, as meninas aglomeraram Willem contra a parede.

[De onde você veio? Que raça é você?].

[O que está acontecendo entre você e Nygglatho? Sua conversa soou bem profunda!].

[Você tem namorada? Que tipo de garota você gosta?].

[Você tem uma comida favorita? Ou alimentos que você não pode comer?].

[Por sinal, a partir de todas as perguntas que acabamos de fazer, qual delas você responderia primeiro?].

Como uma enchente, as perguntas derramaram sem parar até Willem levantar a mão, indicando que parassem.

[Eu responderei sua pergunta primeiro. Eu não tenho uma namorada, mas gosto de mulheres gentis e confiáveis e um pouco mais velhas do que eu. Minha comida favorita é a carne super picante, e não deve haver nada que eu não consiga comer - mas alguns dias atrás, quando eu vi uma lancheira Reptrace, quase vomitei. Meu relacionamento com Nygglatho é como um fazendeiro e sua vaca perdida. Até esta manhã eu morava na 28ª ilha. Quanto à minha raça... Aparentemente eu tenho um monte de sangue diferente misturado, então eu realmente não sei]. Willem respondeu a cada pergunta apontando o dedo à autora de cada pergunta.

Suspiros de admiração vieram da boca das meninas. Satisfeito com ele mesmo, Willem riu presunçosamente. Como resultado de ser criado em um orfanato, entreter pequenas crianças era uma de suas especialidades. Por sinal, se a ‘filha’, criada no mesmo orfanato, o visse Willem assim, ela o chamaria de assustador.

Ahh... As crianças são ótimas. Meninas, ao contrário das mulheres - Especialmente uma troll diabólica em particular - Não confundiam Willem com qualquer comportamento sugestivo. Ele não tinha que desconfiar de quaisquer segundas intenções por trás de sua gentileza. Ahh... Que criaturas maravilhosas.

[Meu nome é Willem. Estarei ajudando por aqui por algum tempo].

[Você vai morar aqui?].

[Sim, faz parte do meu trabalho, afinal de contas].

Outro suspiro de admiração. Dos sussurros silenciosos das meninas, Willem podia adivinhar que um estranho que viria a ficar era um evento sem precedentes. Isso fazia sentido, já que viajar para a 68ª ilha não era uma tarefa fácil, como Willem descobriu anteriormente naquele dia. Então, ter um novo rosto por si só deve ter sido um evento emocionante para as meninas.

[Ei! O que vocês estão fazendo?]. Uma voz repreensiva veio da porta.

As meninas ficaram paralisadas. Do lado de fora do quarto não era Nygglatho, como Willem havia pensado, mas a menina dos cabelos azuis como o céu.

[Ele percorreu um longo caminho e deve estar cansado, então não incomodem ele. Não foi isso que Nygglatho disse a vocês?].

[Humm... Ahh...], murmurou a menina de cabelos laranja.

[Não consigo parar minha curiosidade], disse a de cabelo roxo.

[É isso aí! É o que você chama de força irresistível!], exclamou a de cabelo rosa.

Cortando a onda de desculpas, a menina de cabelos azuis as repreendeu mais uma vez. [Nygglatho lhes disse, certo?].

[Sim, senhora!].

As meninas se dispersaram em outra retirada perfeita. Willem ouviu as vozes se despedindo ecoando cada vez mais longe no corredor.

[Hmph, elas nunca ouvem as pessoas]. Ela olhou para Willem. [Desculpe por isso... As pequenas estão sempre sendo irritantes].

[Não me importo... Estou acostumado a estar perto de crianças].

[Bem, eu estou feliz, mas não vá mimá-las demais. Se você deixá-las fazerem o que quiserem, elas ficarão indomáveis].

[Haha, eu terei cuidado]. Willem riu, mas por algum motivo a menina respondeu com uma engolida seca, como se estivesse assustada.

Um breve silêncio. A garota, que Willem pensou que partiria logo depois de expulsar as crianças, não se moveu.

Parecia tentar se lembrar de algo. [Ah... Desculpe pela Pannibal no início da floresta. Ela é um pouco agitada... Não queria machucar você].

[Está tudo bem... Não estou bravo. Graças ao banho, não vou pegar um resfriado ou qualquer outra coisa].

[Oh... Entendo... Hmm...]. Ela fez uma pausa novamente. [Chtholly...].

[Hm?].

[O meu nome. Como dizer isso... É um pouco estranho desde que eu lhe disse para se esquecer de mim mais cedo... Claro que você não precisa se lembrar disso... Mas eu pensei que desde que você estará aqui e tudo mais... Devo, pelo menos, lhe dizer o meu nome].

[Ah...]. Willem pensou por um segundo. Ah, está certo. Nós nunca conhecemos os nomes uns dos outros.

[Eu sou Willem. Prazer em conhecê-la, Chtholly].

Ela tomou um momento para recuperar o fôlego. [Também... Hmm...]. Não foi possível encontrar as palavras certas, ela finalmente disse:

[Deixa pra lá. Desculpe te incomodar…  Espero que você descanse bem].

Quando Chtholly se virou para sair, Willem de repente lembrou-se de algo. Ele havia esquecido em meio à confusão de sua reunião inesperada com Nygglatho, mas uma pergunta estava martelando sua mente desde que ele chegou.

[Espere... Quero te perguntar uma coisa].

[Eh?].

A porta, que tinha acabado de ser fechada, lentamente abriu novamente.

[Eu vim aqui como o gerente das armas da Orlandri].

A menina assentiu.

[E este lugar é um armazém para armazenar essas armas].

[Hhm]. Ela assentiu uma segunda vez.

[Mas, não importa quantas vezes eu olhe em volta, este lugar não me parece um armazém. Onde estão as armas?]. Ele olhou em volta da sala. Ele olhou pela janela. Onde quer que ele olhava, tudo que Willem via era um prédio residencial. Nenhum vestígio de um armazém.

Ou talvez, quando soubesse que eles costumavam lutar contra as '17 Bestas ', Willem simplesmente assumiu que as armas seriam grandes golems ou algo assim, mas, na realidade, não eram tão grandes. Nesse caso, talvez as armas pudessem estar armazenadas em um quarto em algum lugar. Mas ainda assim permanecia um mistério.

[E... Eu não sei se eu deveria estar perguntando diretamente, mas o que vocês são? Por que você está vivendo nesta suposta instalação do exército?].

Por um segundo, Chtholly ficou encarando Willem. [Você veio aqui sem mesmo saber disso?]. Ela estreitou os olhos. [Além disso, você brincou com essas crianças sem conhecer sua situação? Você é o tipo de pessoa que apenas age sem pensar?].

[Ah...]. Willem não podia dizer nada em troca. Ele estava bem ciente de que às vezes agia de forma irracional.

[Bem, tanto faz. Não é como se fosse um segredo, então eu vou te contar. A resposta à sua primeira pergunta é a sua segunda pergunta. A resposta para sua segunda pergunta é sua primeira pergunta].

[Huh?]. Uma resposta em forma de enigma. [O que isso significa?].

[Você não deveria ter que pensar muito. É exatamente como eu disse. Somos as armas de que você está falando].

- Ah.

Levou algum tempo para que seu cérebro processasse o significado de suas palavras.

Chtholly balançou a mão. [Bem, prazer em conhecê-lo, Sr. Supervisor]. Ela saiu pela porta e a fechou.

Por ScryzZ | 03/08/18 às 00:06 | Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Drama, Tragédia, Protagonismo Feminino, Guerra, Mistério, Sci-fi, Japonesa