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Capítulo 10 -『SONHOS DOS MORTOS』 - reunião frágil -

Shuumatsu Nani Shitemasuka? Mou Ichido Dake, Aemasuka? (SukaMoka)

Capítulo 10 -『SONHOS DOS MORTOS』 - reunião frágil -

Tradução: Jcarvalho | Revisão: Kaoby | QC: Itsuki Lonely Driver


Ela finalmente descobriu que estava em um sono inquieto.

Nunca houve alguém em quem confiar. Afinal, era isso que sua mãe, como matriarca da casa, tinha decidido por ela. Naquela família, nem uma única alma ousava contestar a decisão da matriarca. Nem mesmo o pai dela. Os avós também não. Nem o seu irmão. Nem a sua irmã. Todos eles sorriam, concordavam e obedeciam à mãe.

‘Bom trabalho. Agora você pode ser feliz.’ Essas palavras de encorajamento saíram dos lábios dos membros de sua família. Afinal, esse era um casamento por conveniência entre uma menina de 7 anos e um menino de 10.

Os braços e as pernas da garota estavam cobertos com pêlos densos que pareciam cabelo. Ela tinha duas delicadas orelhas triangulares no topo de sua cabeça e seis bigodes discretos no rosto. Uma Ayrantrobos incompleta, mestiça - com um focinho chato e olhos pequenos, ela não era uma pessoa-fera, mas ainda estava longe de ser uma ‘sem marca’.

Ela levou uma vida solitária desde o momento de seu nascimento. Ter nascido nem como uma ‘sem marca’, nem como uma pessoa-fera em uma família ‘sem marca’ com uma longa linhagem e ilustre apenas para não conhecer o amor materno. Durante sete anos ela foi negligenciada e tratada como mercadoria danificada. Como ela não podia ser amada, seu casamento era apenas uma conveniência.

Claro, uma jovem como ela não tinha ideia do que isso significava. Para ela, nada-lhe foi explicado. Tudo o que sabia era que iria encontrar um estranho naquele dia e ser forçada a viver com eles por um tempo.

Ela estava aterrorizada. Ela ficou ressentida. Afinal, todos que olhavam para ela, ficavam com nojo dela. Dependendo do humor, às vezes ela era atingida por algo ou chutada. Ela sempre tentou se esconder nas sombras por causa disso. Era o melhor - se ninguém a visse, eles não fariam nada. Então, por que ela estava sendo arrastada para o centro das atenções? Para quem ela estava sendo arrastada?

Carregando essas preocupações em seu coração e sem um único pingo de coragem a que se agarrar, ela caminhou cada vez mais perto de seu casamento. Dessa maneira, ela conheceu um certo garoto.

Para ir direto ao assunto, ela se apaixonou por ele à primeira vista.

O garoto manteve a compostura muito bem. Do ponto de vista dele, ele estava olhando para uma ‘sem marca’ que não parecia com uma ‘com marca’, uma Pessoa-fera que não era bem uma Pessoa-fera. Mesmo assim, ele não mostrou desdém ou desprezo. Ele também não demonstrou o menor sinal de curiosidade, tratando-a como qualquer outra criança da sua idade.

Isto bastava. Ou talvez - era exatamente o que ela precisava. Pela primeira vez em sua vida, ela podia rir, chorar e confiar em alguém como uma garota normal. Ela estava feliz por saber que podia fazê-lo.

Sua mãe ficou feliz em saber que eles também se davam bem. 

「Esses Imps realmente gostam de mimar cães e gatos.」, ela disse alegremente.

A menina não entendeu completamente, mas ela podia entender que sua mãe estava satisfeita.

Ela sabia que o casamento era uma promessa de estar sempre juntos. O noivado, portanto, eram promessas de prometer estar sempre juntos. A compreensão infantil de uma criança.

Na verdade, a família da garota desejava, respeitosamente, descarregar um fardo problemático, “entregando” a filha à família do menino, enquanto a família do menino pretendia estabelecer conexões com eles por meio do casamento. Em suma, uma transação mutuamente benéfica usando a garota como moeda de troca.

No entanto, as crianças pequenas não se importavam com os assuntos dos adultos. Para a garota, o importante era que ela era capaz de conhecer o garoto de quem gostava uma vez por semana. Sua família (apesar de seus sentimentos) pelo menos reconheceu isso e até a apoiou.

Ele era um garoto gentil que lhe permitiu dizer o que a fez feliz e aceitou todas as suas birras com um sorriso. Ele conhecia todo tipo de trivialidades aleatórias e ensinava coisas novas e emocionantes a cada vez que se encontravam. Ela pensou que, se estivesse junto com alguém como ele, poderia ter uma vida incrível e feliz, ou algo assim. Pela primeira vez, as nuvens de sua vida se abriram para permitir que raios de esperança brilhassem. Esse foi o começo de um momento muito feliz para ela.

Mais uma vez, ela percebeu que tinha cochilado. Ela estava de pé em um esplêndido mirante cercado por flores vibrantes ao lado de um belo lago que refletia a luz do sol. Este lugar não existia no mundo. Mais uma vez, ela viu esse cenário.

‘Isto é definitivamente um sonho. Sempre é.’

Debaixo do mirante havia duas crianças. Uma delas era uma menina de 8 anos de idade. Ela tirou o casaco com capuz, permitindo que o sol batesse nos braços expostos. Ela era quase como uma Ayrantrobos, exceto pelas orelhas ou pelos braços, cobertos por cabelo e não por pêlo. A outra criança era um menino de cabelos prateados que parecia ser cerca de 3 anos mais velho - 11 anos. Seus olhos aparentemente sinceros eram roxos e afiados, e suas outras características eram, como ele a informou, típicas dos renomados mentirosos conhecidos como Imps. Seria melhor ser cauteloso com ele.

‘Isso foi por volta de... Quando ele me disse isso. Eu ri e o chamei de mentiroso... Eu acho. Lembro como ele se parecia naquela época.’

Naquele momento, ele tinha uma expressão complexa como uma mistura de frustração e alívio ao mesmo tempo, típico de um Imp com um pouco de orgulho de si mesmo. Com uma cara de paisagem como aquela, ele nunca seria capaz de mentir e se safar.

Do ponto em que ela estava, ela só podia ver o perfil lateral de cada criança. Elas estavam sentadas uma diante da outra em uma mesa de pedra. Em cima da mesa havia peças de shogiPara quem nunca ouviu falar shogi é um jogo de estratégia similar ao xadrez alinhados sem entusiasmo.

‘Ah, que nostálgico.’

Era um jogo que simulava os campos de batalha da lenda. Ele alegou que era "muito bom" e queria jogar com ela. Querendo passar um pouco mais de tempo juntos, ela concordou e o ouviu explicando todas as regras, estudando-as cuidadosamente depois para fazê-lo feliz. Pouco a pouco, seu índice de vitórias de quase zero, subiu lentamente até que fossem iguais. Antes que ela percebesse, suas habilidades haviam superado as dele.

Naquele dia, ela jogou excepcionalmente bem e esmagou seu oponente com facilidade, garantindo uma vitória esmagadora. A princípio, muito feliz, ela ficou um pouco confusa e pediu desculpas a ele. O garoto balançou de volta surpreso, depois riu de repente. Ele ficou feliz em ver sua habilidade no jogo. Claro, devido ao seu orgulho, ele não queria perder novamente. Ele prometeu se tornar mais forte e arrancar a vitória dela--

‘Sim. É o que os mentirosos chamados de Imps fazem. Ele mentiu várias vezes.’

Ele nunca teve a chance de vencer novamente.

Logo após aquele dia, o tempo que passaram juntos terminou quando ocorreu o Incidente de Elpis. Aquela terrível Besta, o Materno ou como quer que fosse chamada, abruptamente interrompeu o futuro que ela desejava.

O garoto que viveu naquela época riu, e a garota riu também. Eles brilhavam como o sol.

‘Não consigo me aproximar desses dois. Minhas pernas não me levam mais perto. Essas memórias são muito brilhantes para mim. Eu quero que eles fiquem brilhantes para sempre. Eu não deveria chegar ou me aproximar. Não posso deixar isso chegar até mim. Eu não devo manchar isso.’

O garoto levantou a cabeça e olhou em volta como se tivesse notado alguma coisa.

‘Ele está olhando para cá.’

Ele tinha um olhar confuso no rosto. Ele abriu a boca. Ele disse o nome dela-

A dor voltou.

Marguerite Medicis abriu os olhos lentamente. Havia uma luz brilhando nela.

「Este lugar...」

Sua própria fala enquanto dormia a acordou. Ela estava em uma sala de metal e pedra, característica da arquitetura de Lyell. Quando o pior aconteceu, este foi o último, mais desesperado, esconderijo que ela tinha disponível. Ela mal conseguiu escapar, deslizando pelos becos enquanto se esquivava de seus perseguidores antes de finalmente perder a consciência.

Marguerite se contorceu de dor. Ela torceu o rosto, enquanto se apoiava.

「Eu... ainda estou viva?」

Ela olhou para o ferimento. Embora ela não pudesse fazer nada além dos primeiros socorros básicos, pelo menos ela poderia estancar o sangramento. Se não houvesse nada mais que esse machucado, não parecia imediatamente uma ameaça à sua vida. Ela foi até a janela e espiou pelas cortinas. Geralmente havia poucas pessoas do lado de fora, por isso era difícil dizer, mas atualmente tudo parecia calmo e pacífico. No mínimo, não havia nenhum sinal daquela terrível forma negra em lugar algum.

「O frasco certamente quebrou...」

A esfera de vidro que segurava a 11ª Besta havia quebrado e a mesma foi liberada. O pior tinha acontecido. Não poderia ser feito nada para contê-la. Era impossível.

「Talvez... a Guarda Alada tenha feito alguma coisa?」

Ela não conseguia pensar em mais nada. Ela balançou a cabeça, tentando dissipar a ansiedade em seu coração.

‘A Guarda Alada tem uma maneira de derrotar o Croyance.’

Ela não esperava que isso fosse verdade, nem sequer pensara que isso fosse possível. Afinal, a Guarda Alada não conseguiu salvar a 39ª Ilha Flutuante. Eles falharam em salvar as coisas e as pessoas que deveriam salvar.

‘Eles eram falhos, e não havia salvamento para isso.’ Era nisso que ela acreditava. Não havia maneira concebível de repelir as Bestas. Seja a Guarda Alada ou qualquer outra pessoa, ninguém poderia ter evitado essa tragédia.

Mas...

‘Talvez isso não fosse verdade.’

Se a Guarda Alada já tinha alguma maneira de combater o Croyance, então talvez - apenas talvez - isso significasse que eles propositadamente abandonaram uma ilha inteira? O simples pensamento de tal possibilidade acendeu sua fúria, queimando como uma brasa ardente em seu peito.

‘…Vamos parar com isso. Isso nada mais é do que desabafar.’

Marguerite suspirou, afastando-se da janela. Ela pegou uma máscara na mesa próxima. Era de madeira e pintada de branco, do Noturno... Mortos... o Festival da Lembrança. Uma ferramenta para aproximar os vivos e os mortos. Usar a máscara permitia que você se tornasse qualquer pessoa. Por não estar nem morto nem vivo, você era uma existência que não estava aqui nem ali. Mas ser algo significava que você poderia conhecer qualquer pessoa que desejasse conhecer, ou assim dizia a lenda.

Embora tivesse servido apenas como uma ferramenta conveniente que lhe permitia se esconder na cidade, agora ela estava feliz que a lenda existisse.

O sonho anterior voltou para ela.

Ela encontrou a pessoa que ela tanto queria encontrar. Ela conseguiu ver o rosto de seu noivo mais uma vez e viu o sorriso daquele garoto que ela tanto amava, que tragicamente perdeu a vida naquele dia, naquela época.

「... Obrigado, Feodor.」, Marguerite murmurou. Ela colocou a máscara, colocou a capa no ombro e saiu da sala.

‘Ainda estou viva. Enquanto eu ainda estiver viva, há algo que tenho que fazer.’

「Mesmo que em um sonho, estou feliz por poder vê-lo novamente...」


Por Itsuki Lonely Driver | 04/09/20 às 18:48 | Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Drama, Tragédia, Protagonismo Feminino, Guerra, Mistério, Sci-fi, Japonesa