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Capítulo 12.3 -『MESMO ASSIM, NÓS VIVEMOS OUTRO DIA』 - vitral -

Shuumatsu Nani Shitemasuka? Mou Ichido Dake, Aemasuka? (SukaMoka)

Capítulo 12.3 -『MESMO ASSIM, NÓS VIVEMOS OUTRO DIA』 - vitral -

Tradução: Jcarvalho | Revisão: Kaoby | QC: Itsuki Lonely Driver

Parte 3 - A regressante


Uma pequena cama e uma cadeira foram transportadas às pressas para o quarto ao lado da ala médica, as prateleiras estocadas com a quantidade mínima de remédios de emergência. Deixando essas novas adições de lado, a sala estava completamente vazia, com apenas os móveis essenciais.

Era uma enfermaria improvisada aparentemente personalizada para sua habitante, Lakhesh Nyx Seniorious.

Desde o dia em que ela perdeu a consciência, a menina dormia tranquilamente aqui. Nem uma única respiração passou por seus lábios. Nem uma única batida podia ser ouvida de seu peito. No entanto, seu corpo estava quente ao toque e sua expressão pacífica.

Apesar de ter morrido, ela não parecia um cadáver. Talvez todo aquele jargão sobre destruição de personalidade fosse algum tipo de mal-entendido, e ela acordaria novamente com uma risada envergonhada? Se houvesse alguém esperando por tal evento, alguém poderia culpá-lo por isso?

「Collon.」

Sentada em uma pequena cadeira ao lado da cama, Collon Rin Purgatorio lentamente levantou a cabeça. Ela piscou com os olhos turvos quando uma mecha de cabelo rosa parecido com as flores de cerejeira escorregou de sua bochecha, ainda marcada de vermelho de onde estava deitada no colchão. 「... O que você quer Pannibal?」

「Já está tarde, e você está com uma aparência terrível. Você deveria voltar para o seu quarto e dormir na sua própria cama.」

Collon se virou ao ouvir um som atrás dela. Pannibal Nox Katena estava abrindo a janela. Ela saltou suavemente para o quarto da Lakhesh, acompanhada por um vento ligeiramente frio - embora agradável - que farfalhava as cortinas floridas. Estava escuro do lado de fora da janela. ‘Ah, está ficando muito tarde.’

Lyell possuía tecnologia mais avançada do que outras cidades, incluindo luzes que usavam eletricidade. Eram coisas convenientes que podiam iluminar uma sala como um sol em miniatura, muito mais forte do que uma vela ou lanterna. ‘Mas se a sala nunca escurece, isso significa que era difícil descobrir quando a noite cai, hein? Que inconveniente.’

「Eu quero ficar ao lado da Lakhesh um pouco mais.」 Collon esfregou os olhos. Embora ela não tivesse muita certeza, parecia que olheiras estavam se formando embaixo deles. 「Apenas um pouco...」

「Você fica dizendo isso. Já faz quanto tempo?」

「Eu sei, eu sei. Mas, realmente, apenas um pouco mais...」

「Eu já ouvi isso várias vezes antes também.」 Pannibal balançou a cabeça em frustração, caindo ao lado de Collon. 「Pode ser cruel para você ouvir isso, mas ficar aqui sentada para sempre não trará a Lakhesh de volta.」

「Sim.」

「Estou preocupada com você, Collon, nesse ritmo, parece que você pode acabar desaparecendo de nossa vista no instante seguinte.」

「Sim...」 Collon murmurou, sua voz sem energia e sem paixão. 「Desculpe por fazer você se preocupar.」

「Eu sou a única que deveria se desculpar.」 Pannibal sorriu fracamente, estendendo a mão para envolver Collon em um abraço, puxando firmemente sua cabeça em seu peito. A outra garota não fez nenhum esforço para resistir, e um som abafado saiu de sua boca.

Collon Rin Purgatorio. Uma garota alegre que odiava pensar em coisas difíceis, borbulhando o suficiente para sua energia transbordar e deixar o ar em sua volta em chamas. Seu corpo pode ter crescido à medida que envelheceu, mas seu espírito infantil nunca mudou – ou melhor, embora muitas pessoas próximas a elas pudessem vê-la como tal, a própria Collon sabia que havia uma parte dela que conscientemente tentou manter seu entusiasmo incessante.

‘Mas haviam limites para tudo. Qualquer fonte de energia pode ficar exausta e parar de se mover.’ Inevitavelmente, houve momentos em que pensamentos desagradáveis ficavam girando sem parar em sua cabeça. Às vezes, nem a Collon conseguia continuar a ser alegre.

「... Não é como se fôssemos ficar separadas por muito tempo.」, disse Pannibal, gentilmente acariciando o cabelo de Collon. Sua voz como um sussurro baixo. 「Lakhesh provou que nosso Venenum inflamado pode destruir o Croyance. Se continuarmos assim, quando chegar o dia da batalha decisiva, nós três provavelmente abriremos nossos Portões das Fadas.」 Os ombros de Collon se contraíram. 「Pode não ser ao mesmo tempo, mas seremos capazes de acabar com nossas vidas da mesma maneira.」

「...Isso não... Me faz feliz...」

「Você precisa pensar sobre isso de uma certa maneira. Pode fazer você infeliz, mas você não vai estar sozinha também.」

「Eu não quero pensar sobre isso!」

「Tão teimosa. Isso é bem sua cara.」

「... Hmmpf...」 Collon fechou os olhos, ainda envolta no peito da Pannibal. 「Realmente... Estamos aqui - nascemos aqui - apenas para jogar fora nossas vidas?」

「Isso mesmo. Precisamos ver através do nosso caminho.」

「Para procurar nosso caminho, você quer dizer?」

「Hmph, esse desentendimento de novo. Nós termos opiniões diferentes me deixa um pouco triste.」

‘Estamos todas divididas’, Collon pensou.

Embora todas as quatro fadas soldados enviadas para a 35ª Ilha Flutuante tivessem o mesmo objetivo, cada uma delas viu sua situação de forma diferente. Por sua vez, Collon aceitou que cada uma delas tinha objetivos separados em mente. Mesmo assim, ela esperava que elas pudessem encontrar o futuro esperando por elas juntas. Mas parecia que isso não seria mais permitido.

Pannibal disse que eles viriam aqui para determinar seu caminho. Collon rebateu que elas estavam aqui para procurar seu caminho. Se Tiat estivesse aqui, ela diria que elas tinham que abrir o caminho para as crianças em casa. E... se Lakhesh estivesse consciente... Ela diria que elas estavam aqui para trilharem seu caminho adequadamente.

‘Essa divisão é triste... Sim, é bem triste.’

「Eu me pergunto o que Feodor diria se ele ouvisse esta conversa?」

「H-huh?」 Collon perguntou, um pouco surpresa com a mudança repentina da Pannibal no assunto. 「Hmm... Eu me pergunto...」

「Ele ficaria bravo.」

「Ahh, ele está sempre bravo por alguma coisa.」

「Sim, você tem toda a razão.」 Sua expressão e tom foi suficiente para fazer Pannibal rir.

Uma garota existia sozinha neste mundo.

Estritamente falando, “este mundo” era a frase inapropriada para usar. Independentemente disso, ela existia.

Ela perambulou do outro lado de um abismo que avidamente engoliu tudo ao seu redor.

Havia uma fúria estranha nela. Tendo provavelmente perdido tudo, aquela raiva era sua única posse, e ela se agarrou a ela com toda a sua vontade.

Pois essa garota estava morta.

Ela pensou que estava olhando para algo muito, muito longe.

Ela pensou que era um lugar estranho, semelhante a uma ruína.

Ela pensou que havia alguém ali, uma pessoa baixinha com cabelo ruivo flamejante.

Mas ela não tinha certeza sobre nada disso. Ela não entendia por que. Ela não entendia, mas de alguma forma ela podia “sentir” - aquele lugar estava, há muito tempo atrás, em um passado distante, uma vez conectado a “elas”. Ele havia desaparecido depois de muito tempo, após a transmigração de muitas almas que se repetia continuamente.

Sua conexão com ela ainda não havia sido cortada. Era por isso que ela podia ver. Mas a conexão seria cortada em breve. Era por isso que estava ficando mais difícil para ela ver.

‘... Mas... Mesmo assim...’

Uma pequena dúvida surgiu nos cantos de sua consciência derretida.

‘O que diabos eu sou?’

Ela deveria estar morta. Ela teve um palpite sobre isso. Ela entendeu que não era uma alucinação ou ilusão. Mas mesmo esse fato sozinho carregava todos os tipos de contradições incoerentes dentro de si. Isso ia contra toda a lógica.

Os mortos deveriam ter perdido tudo, mas uma raiva peculiar queimava em seu coração sem ter para onde ir. Os mortos deveriam ser incapazes de fazer qualquer coisa, mas por algum motivo ela teve permissão para fazer coisas como pensar.

‘Então, o que diabos está acontecendo?’

Enquanto refletia sobre suas dúvidas, de repente ela percebeu uma pequena luz tremulando no canto de sua visão.

Mais uma questão acabava de ser levantada. ‘Não deveria haver nada aqui.’ Deve ser um lugar onde objetos estranhos além dela não possam existir ou ser aceitos. Então, de onde surgiu esse aglomerado de luz pálida?

‘O que você é?’ Ela perguntou frustrada. Não houve nada como uma resposta ou reação. Em vez disso, a luz começou a andar direto em sua direção, sem parar ou hesitar. Agora ela percebeu que estava começando a tomar a forma de uma pessoa.

Conforme a distância entre elas encurtava, a luz brilhava com mais intensidade. A garota semicerrou os olhos da mente, como se estivesse sentindo dor em suas córneas invisíveis. O tempo todo, a luz continuou caminhando no mesmo passo, na mesma velocidade, sem parar ou mudar de direção.

‘Estou prestes a colidir.’ Ao pensar nisso, a menina fechou os olhos da mente com força e desligou a visão para que a escuridão pudesse afastar a luz brilhante de grandes dimensões. Ela enrijeceu seu corpo fantasma, preparando-se para o impacto.

E então a garota foi engolida por aquela luz... Provavelmente. Tendo fechado seu coração naquele momento, ela mesma não podia saber o que tinha acontecido.

Mas havia apenas uma coisa que ela entendia.

O que aconteceu com ela depois -

As molas da cama rangeram suavemente. Collon ergueu o rosto dela. Pannibal virou a cabeça.

Enquanto as duas garotas assistiam, a fonte do som lentamente se ergueu.

A primeira expressão que surgiu no rosto de Collon foi uma leve confusão, causada pelo impossível ter ocorrido. Seguiu-se o completo espanto que se sente por ter testemunhado algo inimaginável.

「La-」

Depois disso, levou apenas alguns segundos inteiros para seus olhos e bochechas se encherem de pura alegria. Um sorriso cresceu em todo o seu rosto, como uma flor desabrochando ao dar as boas-vindas à primavera.

「Lakhe-」

‘Lakhesh acordou.’ Libertando-se do peito de Pannibal, Collon correu para o lado da cama dela com os braços abertos, prestes a pular na cama com todas as suas forças.

Um pequeno grito de lógica a deteve no último momento; ela mesma podia ser pequena, mas ainda pesava uma quantidade razoável. Normalmente, não seria um problema, mas seria melhor não atacar uma de suas irmãs que esteve em coma por tanto tempo. Se ela fosse abraçá-la, deveria considerar corretamente como fazê-lo.

‘Devo jogar meus braços em volta dos ombros e pescoço e girar para deslizar para baixo verticalmente? Isso causaria menos choque longitudinalmente, dada a minha posição e a dela –‘

「Espere.」

「Gaharrgh?!」

Pannibal agarrou a nuca dela e puxou com força a Collon surpresa para trás. Ela caiu desajeitadamente de bunda, tossindo como se tivesse sido sufocada - ou melhor, tossindo com a voz embargada. 「Que ideia é essa?」 ela protestou, mais perplexa do que zangada.

Pannibal não respondeu. Ela nem estava olhando para Collon. Seu olhar estava completamente fixo no rosto de Lakhesh, enquanto a outra fada estava meio levantada.

「… Pannibal?」

Mesmo depois de chamar seu nome, ela não desviou o olhar. 「Alguma coisa está errada...」

Collon ouviu o aviso silencioso em seu tom. A pergunta “Por que?” estremeceu na ponta da língua. ‘Lakhesh acabou de acordar! O que poderia haver de errado com isso, especialmente quando deveríamos estar comemorando?!’ No entanto, de alguma forma, algo na expressão da Pannibal a impediu de falar.

Lakhesh piscou algumas vezes e olhou para as palmas das mãos. Ela fechou o punho e abriu, então repetiu o movimento com a outra mão. Então ela levantou as mãos para cima e para baixo em seu corpo, em uma série de movimentos de tapa.

Collon podia entender que algo estava estranho nisso. Era fácil ver que... Que a Lakhesh estava um pouco confusa e não conseguia entender sua situação, certo? Isso parecia acreditável para ela, até certo ponto. Mas se isso fosse tudo, então certamente ela poderia prestar um pouco mais de atenção ao que estava ao seu redor!

Mas... A Lakhesh que ela viu parecia estar de alguma forma tentando descobrir quem ela mesma era. Era como se ela estivesse presa em um corpo desconhecido que não pertencia a ela.

「Lakhesh.」, Pannibal chamou cuidadosamente. O rosto da outra garota lentamente se virou para elas. 「Como você está se sentindo?」

Ela não respondeu com palavras. Em vez disso, era como se suas pupilas turvas gradualmente se enchessem de luz. Sua expressão, mais meio sonolenta do que acordada, foi se aproximando da consciência pouco a pouco.

E então ela finalmente percebeu o que estava ao seu redor. Seu rosto se contorceu em uma expressão furiosa, cheia de rancor e ódio.

「H-huh?」

Lakhesh Nyx Seniorious - não, mesmo antes de ela ter esse nome, já que ela era apenas a velha Lakhesh - era uma garota de natureza gentil. Doce e boa, mas fraca de coração. Collon nunca vira seu rosto distorcido pela hostilidade, nem uma única vez mostrar ódio ou raiva. Nem uma única vez em sua amizade de dez anos. Mas... O que diabos está acontecendo agora?

「VOCÊ?!」 Lakhesh uivou, um grito gutural saindo de sua boca. Uma mão disparou simultaneamente com a velocidade da luz, arqueando em direção à garganta de Collon mais rápido do que qualquer soldado comum poderia ser esperado reagir.

Collon recuou reflexivamente, mal evitando o que pode ser descrito como um golpe de nocaute. No entanto, a mão da Lakhesh foi capaz de escovar alguns fios de cabelo rosa flor de cerejeira mais lentamente para seguir o resto dela. Sem pausa, ela agarrou o cabelo de Collon, então -

「Gyaaaaah– ?!」

Lakhesh se sacudiu bruscamente, arrancando alguns fios de cabelo com pura força bruta enquanto pulava da cama. Fosse por causa de seus movimentos apressados após ter dormido por um longo tempo ou por qualquer outra razão, ela se curvou enquanto seu rosto se contorcia de dor.

「Eu sabia.」 Pannibal deu meio passo à frente para cobrir Collon enquanto ela se sentava estupefata no chão. Ela abaixou seu centro de gravidade, tomando uma posição para se proteger de quaisquer ataques futuros.

Lakhesh a ignorou e continuou a olhar diretamente para Collon. 「V-v-você... Definitivamente... Não me lembro... Mas eu sei.」 Sua voz estava crua, como se tivesse sido espremida. Alguém acreditaria se ela dissesse que não se lembrava de como usá-la corretamente. 「Você é... Minha inimiga...」

Collon ouviu um som. Ela percebeu um pouco tarde demais que era um pequeno grito que saiu de sua própria boca.

「Parece que você não está apenas fazendo uma piada de mau gosto.」 Pannibal estava calma como sempre, ou talvez fingindo estar. 「Que tal você me dizer o que está acontecendo, Lakhesh? Ou-」

Ela abriu os braços e se levantou para proteger Collon. 「Ou talvez eu deva perguntar isso primeiro? Quem é você?」

Um vento poderoso soprou pelas cortinas, sacudindo a janela violentamente.

Lakhesh se moveu. Saltando sobre seus pés, que deveriam estar enfraquecidos por seu descanso, ela correu para a janela - ainda deixada aberta - e pulou na escuridão da noite. Pannibal abaixou o corpo em preparação para perseguir, mas parou quando Collon agarrou o punho de sua manga.

「Collon?」

「Me desculpe...」

‘Sei que não devo impedir a Pannibal, que devemos perseguir a Lakhesh.’ Collon sabia disso, mas ela ainda não conseguia fazer isso. Ela não podia suportar a ideia de ser deixada para trás aqui. Suas pernas tremiam e ela não conseguia se levantar.

「Sinto muito... Mas, por favor, não me deixe sozinha...」

Ela não conseguia parar de tremer. Era como se seu corpo gritasse com ela, reclamando que ela não conseguia se levantar. Ou era como se ela estivesse admitindo que não queria correr atrás de sua preciosa amiga - Lakhesh?

Os olhos da Pannibal tremulavam entre a janela aberta e a Collon.

「... De qualquer forma, nós já a perdemos.」, ela disse baixinho, pegando o braço da Collon e apoiando o corpo da outra garota em seu ombro. 「Está tudo bem. Eu não vou te abandonar. Mas também não podemos ficar sentadas de braços cruzados também. Esta situação é obviamente anormal, então temos que notificar nossas irmãs mais velhas o mais rápido possível.」 Com um grunhido suave, mas firme, Pannibal pôs Collon em pé.

「… Pannibal, você é legal, mas cruel também.」

「É porque tive uma boa educação. Você consegue andar?」

「Sim. De algum modo.」

O par amontoado saiu pela porta.

Depois de dez dias, a enfermaria criada às pressas ao lado da ala médica finalmente estava vazia.

Por Itsuki Lonely Driver | 13/11/20 às 12:52 | Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Drama, Tragédia, Protagonismo Feminino, Guerra, Mistério, Sci-fi, Japonesa