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02º Tempo: 『ORIGEM』Capítulo 2

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02º Tempo: 『ORIGEM』Capítulo 2

Autor: Sora

Quinta-feira, dia 11 de junho de 1998.

Após as aulas normais daquele dia, novamente Aki precisou ir mais cedo para sua casa, visando terminar as tarefas com sua mãe que não havia feito no dia anterior, por ela ter chegado um pouco mais tarde que o previsto. Com isso, Natsumi mais uma vez ficou sem poder ir à loja de doces, como havia dito na quarta-feira.

Mas...

— Acabou que eu só estou te atrasando. Sei que você fica sem comer aqui para juntar dinheiro e ir lá, até eu ficaria ansiosa. Portanto, se quiser ir sem mim e a Mizinha, pode ir sem problemas!! – Aki disse para sua amiga, antes de ir embora do colégio com Misaka, que morava quase que ao lado de sua casa.

— Mas... vai ser chato deixar vocês só por mim... – Natsumi respondeu, com um olhar mais cabisbaixo.

— Não se preocupe! Na próxima nós iremos, não precisa ficar se segurando!

— B-Bem... se você diz então... – Natsumi coçou a cabeça, sem jeito de falar, com um sorriso desconcertado.

— Você muda de opinião com facilidade... – Yoshiaki murmurou em resposta, com um jeito mais hilário. Aki deu uma leve risada presa e se despediu de todos, voltando para sua casa com Misaka novamente.

E isso acarretou na ida de Natsumi a sua favorita loja com se dinheiro arduamente juntado, com Yoshiaki, Kotarou e Suzuha a acompanhando. Enquanto esses estavam sendo felizes na lojinha, Aki havia retornado já para seu aconchego e dessa vez, sua mãe Mizuno Chie estava lá.

Sem atrasos, as duas finalmente foram terminar a tarefa que começaram na noite anterior. Não era nada demais, as duas apenas decidiram mudar os ares da sala de estar, portanto, Chie foi comprar tinta para mudar as paredes da cor antiga vermelha, para uma cor azul. E funcionou.

— Uaaah, estou morta!

— Conseguimos terminar antes das 18h. – Chie comentou, enquanto sua filha caiu deitada ofegando no sofá maior. Ela foi até a cozinha e pegou um copo d’água para si e para Aki, que tomou rapidamente de sua mão e bebeu em uma golada só – Bem, com isso eu posso dar uma saída rápida.

— Hein? Vai sair de novo?

— Vou encontrar com uma velha amiga. Mas não irei demorar muito. Apenas irei ajuda-la a escolher alguns produtos que ela tem interesse em comprar. – Chie respondeu, pegando de volta o copo da mão de sua filha e andando até a cozinha, lavando os mesmos e os deixando no escorredor – Prometo que volto antes do jantar. Caso eu não retorne, há macarrão instantâneo na geladeira, é só colocar no micro-ondas e esquentar, ok?

— Está bem... – Aki respondeu, se levantando do sofá e acompanhando sua mãe, que estava subindo para seu quarto.

Alguns minutos depois, Chie tomou banho e se aprontou para sair; realmente era só um encontro casual com uma velha amiga, ela nem precisou se produzir tanto. Apenas estava levando sua bolsa marrom de sempre, com alguns documentos que ela evitava de deixar em casa.

— Estou indo. Volto em breve, se cuide e não faça bagunça!

— Como posso fazer bagunça sozinha, mamãe? – Aki deu um sorriso desconcertado.

— As crianças de hoje em dia são suspeitas demais, e você está incluída nisso!

— Eu já disse que sou adolescente!! – A garota, que tinha seus quatorze anos de idade, realmente se demonstrou atingida com aquele comentário e Chie apenas riu em desdém.

— Está quase lá. Vou indo, até mais!

— Até. Se cuida! – Aki respondeu, acenando para sua mãe e olhando para o lado de fora, notou que diferente do dia anterior limpo e com as estrelas brilhando, estava nublado – Perfeito. Não vai dar para ver o Triângulo de Verão hoje... ah, me esqueci de pedir a minha mãe para contar sobre o Festival de Tanabata. Bem, quando ela voltar eu peço...

A garota voltou para dentro de sua casa, entristecida pelo fato de o céu estar cheio de nuvens cinzas. Não estava relampeando, portanto seria improvável que começasse a chover de repente. Mas, o vento repentinamente começou a bater com mais força.

Aki foi para o seu quarto, eram exatamente 18h30 da noite daquele dia de verão. Ela ficou em seu quarto, deitada na cama enquanto olhava para o teto. A janela estava aberta e as cortinas começaram a esvoaçar um tanto que violentamente com o vento forte que se formou.

Foi aí que o telefone que ela tinha em seu quarto começou a tocar. Por um momento, Aki hesitou em atende-lo.

— P-Por que parece que já vi essa cena em algum filme de terror...? – Ela se perguntou, com um sorriso de escárnio, enquanto foi lentamente até o telefone e o atendeu, colocando-o em sua orelha direita ainda mais cautelosa – A-Alô...?

— Aki? Que voz amedrontada é essa?! – Do outro lado da linha, uma voz feminina fez a pergunta.

— Ah, é só a Mizinha... achei que poderia ser a Morte. – Aki respondeu e isso tirou risadas de sua amiga e vizinha, Misaka – O que está rindo?

— Você é bem paranoica com coisas de terror, não é mesmo?

— Eu não tenho culpa... – Aki murmurou – Mas por que me ligou? Poderia ter vindo aqui, mais fácil, né?

— Ah, é que eu não posso sair de casa quando meus pais não estão. – Misaka respondeu, enrolando o fio encaracolado do telefone de sua casa no dedo indicador esquerdo.

— Oh, é verdade... eles ainda não chegaram?

— Não. Disseram que teriam algo a mais para fazer no trabalho e que chegariam um pouco mais tarde. Por isso resolvi ligar para conversar com minha melhor amiga, hihi! – Aki ficou corada com aquele comentário e olhou para a janela.

— Mizinha, isso me deixa constrangida, mesmo por telefone. – Ela se levantou e foi até as cortinas, as controlando e fechando a janela, impedindo o forte vento de entrar.

— Aahaha, desculpa! Esqueci que você também é sensível! – Com a última frase de Misaka, Aki fechou a cara e resmungou – Tá bem, parei, parei... mas o tempo fechou do nada né? Ontem estava tão bonito, vendo as estrelas no céu, até o Triângulo de Verão apareceu!

— Hein? Você conhece? – Aki perguntou, ficando mais curiosa.

— Sim! É a união das estrelas Deneb, Altair e Vega no céu, certo? Eu li sobre isso uns dias atrás e meus pais me contaram sobre, haha! – Misaka respondeu, quando – Dizem que também há uma lenda sobre isso!

— É o Festival de Tanabata, certo?

— Também, mas há outra... que envolve essa aldeia. – A resposta rápida da garota fez Aki ficar cada vez mais curiosa com o assunto.

— A aldeia...? E o que é?

— Bem, só me contaram uma base, então não sei os detalhes, mas... – Misaka olhou para os lados, em sua cama e moveu a mão para próxima da saída de voz do telefone, como se fosse um segredo – Dizem que ocorre um assassinato a cada ano na aldeia, quando o Triângulo de Verão aparece no céu pela primeira vez...

— O que...? – Aki não acreditou a princípio, mas achou aquela informação bem interessante, ficando mais e mais curiosa ainda – Assassinato?

— Sim. Porém, eles escondem isso da mídia. Como é uma aldeia pacata e pequena, quase todas as pessoas que moram aqui conhecem essa lenda. Me surpreende você ser a única pessoa que não conhece... – As palavras de Misaka começaram a despertar cada vez mais dúvidas em Aki – Porém, eles nunca espalham isso para a mídia de fora. Se isso caísse nas mãos das autoridades de Takayama, com certeza viraria notícia rapidamente!

— Mas, espera, está brincando né? Não tem como... eu nunca ouvi falar disso mesmo! – Aki retrucou, mas Misaka deu um suspiro e prosseguiu.

— Por isso eu disse que fiquei assustada ao descobrir que você não sabia! Olha, eu já falei que não sei por completo, só algumas coisas. E dentre elas, é que esses assassinatos são um mistério.

— Como assim...?

— A pessoa simplesmente desaparece e é encontrada morta alguns dias depois em estado avançado de decomposição. Bizarro né?! – Agora Aki começou a ficar mais assustada – Me disseram que esses acontecimentos ocorrem sempre nessa época do ano. E que isso vem acontecendo há quase dez anos.

— M-Mas é só uma lenda certo...? Não quer dizer que seja real... – Aki murmurou.

— Sim, me contaram que sim. Mas não custa tomar cuidado né, hihi?! – Misaka respondeu com um sorriso e a garota de cabelo loiro-claro suspirou profundamente, até que sentiu algo estranho – Hm? Aki?

— Espere um momento, Mizinha. Eu já volto... – Aki deixou repentinamente o telefone, fora do ganho em cima da mesa e foi andando até a janela de seu quarto, olhando as árvores mexendo e remexendo com o forte vento.

— Ah, eu esqueci que ela tem medo de histórias assim... – Misaka murmurou em sua casa, enquanto olhava para o teto. No local onde Aki estava, ela ficou um bom tempo parada, olhando para aquelas árvores e para atrás dos troncos das mesmas, como se estivesse hipnotizada.

Passaram-se alguns segundos, até que ela escutou uma voz ecoando bem baixinha atrás dela, o que fez Aki despertar. Era Misaka, preocupada e gritando por seu nome de forma alta no telefone. Aki então se moveu até o mesmo e o pegou novamente.

— Mizinha...?

— Nossa, garota, você sumiu do nada por quase cinco minutos!! – Misaka, ainda um pouco nervosa, exclamou, deixando sua amiga um pouco confusa.

— Cinco...? – No olhar dela, aquilo foi como um piscar de olhos – D-Desculpe, eu tive que ir no banheiro...

— Sei... – Misaka ainda desconfiou um pouco – Bem, deixa pra lá. Eu esqueci que você não gosta de histórias assim, desculpinha!

— Não, não precisa se desculpar... vamos falar sobre outro assunto agora, tudo bem?

— Haha, claro! Eu queria muuuito ter ido com o pessoal na loja de doces! – Misaka exclamou, fazendo Aki dar uma leve risada enquanto olhava mais uma vez para a janela fechada de seu quarto, com um olhar de canto.

— Sim... eu também. Na próxima iremos, com certeza! – Disse a garota de cabelo loiro-claro, ainda de olho para a sua direita. O que ela se ergueu da cama para ver na parte escura das árvores ao lado da rua poderia ser só impressão.

Se um sorriso não brotasse de repente detrás de um dos grandes troncos.

 

『Triângulo de Verão』

Por Sora | 25/08/18 às 13:02 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia