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03º Tempo: 『ORIGEM』Capítulo 3

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03º Tempo: 『ORIGEM』Capítulo 3

Autor: Sora

Sexta-feira, dia 12 de junho de 1998.

— Estou saindo, mamãe!!

— Sim, boa aula!

— Vamos lá, Mizinha...! – No dia seguinte, o céu estava claro novamente. Nem parecia que o dia anterior estava totalmente nublado e com uma poderosa ventania na aldeia, agora era clara como o dia que a estação atual era a do verão – Aaaah, hoje o céu está limpinho! Vai dar para ver o Triângulo de Verão de novo...!

— Sim, mas também tem outras estrelas bonitas além dessas três. – Misaka, sua amiga, respondeu andando ao seu lado.

— Eu sei, eu amo observar a Constelação de Órion e também a de Canis Majoris. – Aki retrucou, dando um sorriso triunfante de como conhecesse bastante dessa área.

— Não é mais fácil falar “Cão Maior”, ou até mesmo a Sirius? Pra que dificultar, quer mostrar que sabe, hein?! – Misaka fez uma expressão irônica, deixando Aki de cara emburrada e desviando o olhar – Bem, mas hoje é dia né?

— Sim... é dia... – A garota de cabelo loiro-claro respondeu...

 

Δ Δ Δ

 

— Muito beeeem!! Vamos começar com mais um do nosso “Fim de Semana Recreativo”!! – Natsumi gritou animada, erguendo o braço direito.

— Siiiim...! – E todos acompanharam, um tanto que cansados, também erguendo seus braços e respondendo de forma desanimada.

— Ei, ei, vocês não estão nada animados... o que aconteceu? – A garota de cabelo ruivo perguntou, olhando para cada um de seus amigos.

— As aulas de hoje foram cansativas, tá bom...? – Kotarou foi o primeiro a resmungar – Ensino Médio não é para iniciantes mesmo...

— Para de reclamar só porque as aulas foram de exatas. – Yoshiaki retrucou, com os braços cruzados.

— Quando são de humanas você também resmunga.

— Eu guardo o rancor pra mim mesmo. – Yoshiaki e Kotarou começaram a se encarar de forma engraçada, tirando algumas risadas de Suzuha, Misaka e Aki, bem do lado de ambos.

— Bem, vamos relaxar com isso... jogos são feitos para nos acalmarmos, certo?! – A primeira citada tentou apaziguar com um tom mais cuidadoso, porém os dois brigões a olharam de forma totalmente medonha, como se saíssem da TV em um filme de terror – Ikh!

— Esses dois, de longe, são os mais competitivos entre nós. E a Natsumi... – Misaka olhou de canto para a garota mais velha, com um sorriso irônico e a mesma desviou seu olhar.

— Então, o que jogaremos hoje? – Yoshiaki respirou fundo e fez a pergunta.

— Hoje iremos jogar... Pôquer! – Natsumi respondeu, voltando a ficar animada de repente e todos fizeram a mesma expressão de antes – Estou aberta a opiniões. – O que fez a garota de cabelo ruivo perder novamente o ânimo, de forma vertiginosa.

— Bem, não tem nada melhor mesmo... o problema vai ser ter que ensinar isso para as garotas. – Kotarou comentou, olhando para os três anjos ao seu lado, que não sabiam nem mais onde estavam.

E após umas duas horas de jogo...

— Não creio... u-um Royal... Straight.. FLUSH???!!! – Natsumi estava embasbacada ao ver a famosa ‘Sequência Real de Mesmo Naipe’ nas mãos de Yoshiaki, que mostrava a face das cartas de forma triunfante para a garota que quase teve um treco – M-Mas isso é...

— Impossível. – Kotarou respondeu na sequência, com as sobrancelhas franzidas enquanto escondia sua boca com as duas cartas em sua mão.

— VOCÊ ROUBOU, NÃO TEM COMO!! – Natsumi voltou a gritar, quando viu que três das cinco cartas na mesa eram exatamente um Valete (J), um Rei (K) e um Dez (10) do naipe de Espadas. Nas mãos de Yoshiaki, uma Rainha (Q) e um Às (A), do mesmo naipe; a sequência real.

— São quatro combinações possíveis, dentre todas as cartas de todos os naipes, levando a uma probabilidade de 0,0001539%. A Teoria da Probabilidade diz que, enquanto o resultado não for o zero, ainda há uma chance de acontecer. Mesmo que seja mínuscula. – Yoshiaki, ainda triunfante, explicou e quase fez a cabeça de todos pifar; já deu para ver quais suas matérias preferidas na escola. Melhor, já tinha dado para notar na discussão anterior.

— Foi você quem embaralhou as cartas, então é impossível que tenha acertado sem dar uma de ladrãozinho!!! – E Natsumi insistiu.

— Apenas faço cálculos e tenho um pouco de sorte. Eu não roubei, juro. Já ouviu falar na Teoria dos Jogos, certo?

— Óbvio que não, idiota...!

— Eu apenas montei minha estratégia baseada em matemática aplicada, nada demais. Assim, cheguei no Royal Straight Flush – Yoshiaki respondeu, realmente sem dar indícios de mentiras. Ou ele estava falando a verdade, ou era um belo de um trapaceiro.

— Uau, o Yoshi é bem inteligente, né?! – Misaka deu um sorriso, olhando para Aki e Suzuha, que também o fizeram.

— É, esse cara está bem à frente de nós. – Kotarou confirmou.

— Bem, com isso eu venci hoje, né? Podemos ir embora agora, já está ficando tarde... – O garoto esticou seus braços e suspirou profundamente.

— Verdade. Então, vamos arrumar as coisas e irmos para casa! – Suzuha se levantou de sua cadeira e exclamou, batendo as duas mãos unidas. Com isso, os demais a seguiram e começaram a arrumar a sala que eles sempre ficavam para jogarem nas sextas.

— Então, estamos indo! Até segunda?! – Misaka olhou para os seus amigos, todos já com suas mochilas e preparados para partirem.

— Por que não marcamos para fazer um piquenique amanhã?! Seria ótimo, não é?! – Natsumi fez a pergunta e Aki coçou a cabeça, se curvando em seguida.

— Desculpem... – Ela ergueu novamente a cabeça, com um sorriso desconcertado – Amanhã eu sairei com minha mãe, então não dá, hehe...

— Sério...? Ah...

— Que tal domingo então? – Yoshiaki olhou para a já cabisbaixa Natsumi, que voltou a ter brilho em seus olhos quando Aki respondeu na sequência.

— Sim, domingo eu estou livre!

— MUITO BEEEEM!! Então, domingo 12h iremos nos reunir nessa linda e pacata vila para um piquenique!! Vamos decidir quem leva o que! – Natsumi falou, deixando Kotarou e Yoshiaki mais desesperados ainda.

— Podemos decidir isso em casa... – Retrucou o primeiro.

— Sim, sim, já está tarde. Não podemos mesmo dar brecha para você ficar animada que isso acontece. – O segundo deu sua opinião logo em seguida.

— Aaaaah, vocês são muito chatos!! – A garota de cabelo ruivo novamente se irritou a ponto de quase arrancar seus cabelos...

E depois de muita conversa e de combinarem o piquenique do domingo, todos seguiram seus rumos para casa. Como sempre, Aki e Misaka iam juntas, pois eram vizinhas. Suzuha ia junto com Yoshiaki, enquanto Kotarou e Natsumi iam sozinhos, cada um para seu lugar.

— A Natsumizinha é muito engraçada quando fica daquele jeito, né? – Misaka, enquanto andava com Aki para sua casa, comentou com um sorriso.

— Hihi, sim! Ela fica doidinha! – E a garota de cabelo loiro-claro respondeu, também dando um sorriso. Já passavam de 18h e o céu já estava escurecendo, sendo possível ver já a mais brilhante estrela do céu noturno, Sirius – Hoje apareceu mais cedo!

— Verdade... daqui a pouco Órion e o Triângulo de Verão aparecem.

— Triângulo de Verão, né...? – Ao escutar aquilo, Aki já ficou um pouco mais preocupada.

— Ei, o que foi? Ainda lembrando daquilo que contei ontem?! Não se preocupa, aquilo é só uma lenda boba da cidade! – Misaka tentou acalmar sua amiga – Melhor esquecer isso, senão vai ficar encucada sempre que ver as três estrelas!

— Verdade... isso vai passar rapidinho, e-. Ai! – Interrompendo sua fala, enquanto olhava para baixo, Aki esbarrou em uma pessoa maior do que ela – Ah, me desculpe, não foi por querer!

— Ora, não se preocupe. Eu que peço desculpas. Está tudo bem? – Era uma mulher adulta, com cabelo que caía até a altura dos ombros, de uma pálida cor branca. Seus olhos, em contraste, eram escuros como o próprio universo, o que deixou Aki hipnotizada por um instante.

— Aki? – Misaka cutucou a garota, que parece ter retornado à realidade com um susto.

— Ah, s-sim, estou bem... – Ela respondeu e a mulher deu um sorriso fraco, voltando a se virar e continuar andando. Misaka a chamou, tirando-a mais uma vez do mundo da Lua, e as duas também voltaram a seguir seus caminhos.

 

Δ Δ Δ

 

Sábado, dia 13 de junho.

Como dito no dia anterior para Natsumi e seus demais amigos e amigas, na saída da escola, Aki saiu a compras com sua mãe, Mizuno Chie. As duas praticamente rodaram metade da vila, comprando produtos todos para a casa.

— Mamãe... ainda falta muito? – Já eram quase 14h da tarde, sendo que as duas saíram de casa 10h – Estou morreeeendo de fome!!

— Não se preocupe, Akizinha. Falta apenas uma frigideira. – Chie respondeu, em uma pequenina loja que vendia objetos de cozinha, fazendo a garotinha dar um suspiro pesado. Ainda que as duas não estivesse com muitas bolsas, Aki com certeza tinha um pensamento certo.

“Por mais que seja com a mamãe, fazer compras pela vila é entediante...”, a garotinha pensou, balançando as duas pernas para frente e para trás enquanto olhava para as mesmas. Foi quando o som dos sinos ecoou no local, denotando que a porta foi aberta por alguém. Isso fez com que Aki virasse o rosto, assim como Chie e o atendente e dono da loja.

— Seja bem-vinda!

— Ora, olha só quem eu encontrei aqui. – Após as palavras do dono, a mulher que havia acabado de chegar murmurou, fazendo Chie arregalar os olhos e abrir um largo sorriso, e Aki ficar um pouco curiosa e boquiaberta.

— Keiko!! – A mãe da garotinha exclamou, para aquela mesma mulher de cabelo branco e olhos escuros do dia anterior, que também sorriu.

— Quanto tempo, Chie. – A mulher, chamada de Keiko, respondeu e logo após isso olhou para Aki, à sua esquerda – Oh, nos encontramos de novo, mocinha.

— Ué... você ainda se lembra da Akizinha?! Nossa, que bela memória você tem!! – Chie colocou a mão direita no seu rosto, abrindo um sorriso e deixando Keiko em silêncio, com uma expressão surpresa.

— Espera aí... Chie, essa é a Aki, sua filha? Aquele bebê que eu carreguei no colo assim que nasceu?! – Keiko apontou para Aki; agora ela é quem estava surpresa.

— E quem mais seria, sua boba? – Chie perguntou, quando as duas outras se entreolharam. Por um bom tempo, o que fez a própria Chie voltar a olhar para as duas de forma duvidosa – Hm?

— Ora, que coisa! Ontem eu esbarrei com ela e nem reconheci! – Keiko respondeu, agora fazendo Chie ficar boquiaberta.

— O que? Como assim?!

— V-Você não ia comprar a frigideira, mamãe...? – Aki murmurou uma pergunta que nenhuma das duas, que se olhavam impressionadas, puderam escutar.

 

『Teoria das Probabilidades』

Por Sora | 01/09/18 às 00:31 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia