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05º Tempo: 『ORIGEM』Capítulo 5

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05º Tempo: 『ORIGEM』Capítulo 5

Autor: Sora

Segunda-feira, dia 15 de junho.

— Mizinha, hoje eu vou fazer um desvio antes de ir para casa. Minha mãe pediu para eu comprar sorvete para nós duas!! – Já com 15h da tarde, na saída da escola de Shirakawa, Aki falou para Misaka enquanto reunia os materiais e os guardava em sua mochila para irem embora.

— Não tem problema, vou até o meio do caminho com você. – Misaka respondeu, já colocando sua mochila em suas costas. Aki acenou positivamente, com um breve sorriso e fez o mesmo. As duas saíram da sala de aula de sua turma e se encontraram com os outros do lado de fora também.

— Como foi a aula de vocês? – Suzuha foi a primeira a fazer a pergunta, com Natsumi, Yoshiaki e Kotarou logo ao lado dela com suas mochilas.

— Cansativa como sempre... e vocês.

— É... – A cara de Natsumi, completamente morta, trouxe um ar tão melancólico que quase afetou os que estavam ao seu redor. Aki deu um sorriso forçado com aquilo e tentou levantar o astral da garota.

— Bem, vamos nos despedindo por aqui então.

— Ei, que tal fazermos algo hoje? Minha casa está livre hoje!! – Yoshiaki comentou, olhando para todos que acharam uma boa ideia e pareciam concordar.

— Desculpem... essa época está realmente complicada para mim. Preciso fazer algo com minha mãe hoje, então não dá... – Aki respondeu de forma negativa, com um sorriso mais forçado – Mas, podem ir sem mim, obviamente!

— Assim vai perder a graça, mas... já que você insiste, não se preocupe; minha casa estará livre até quarta-feira, então podemos repetir amanhã e depois de amanhã. Então você poderá ir. – Yoshiaki respondeu a garota, que abriu um sorriso.

— Bem, amanhã eu também vou estar ocupada... mas quarta-feira eu posso! – Aki exclamou, com um sorriso e Yoshiaki acenou duas vezes positivamente.

— Está bem então! Misaka, você vai conosco?

— Posso perguntar a minha mãe... não sei se ela vai deixar e tudo o mais... – Misaka colocou o dedo indicador no queixo e olhou para cima, pensativa – Bem, vamos marcar de nos encontrar as 17h30 naquele mesmo lugar de sempre. Eu dou um toque para seu telefone antes.

— Está bem. Então, 17h30 estarei na espera por vocês!! – Yoshiaki respondeu com um sorriso e todos começaram a se dirigir para suas respectivas casas... Aki e Misaka, como sempre, andando juntas.

— Hoje descobrimos tantas coisas legais no caderno da senhorita Keiko... isso me deixa muito animada!! – A primeira comentou, com euforia e brilho nos olhos – Quando eu terminar as tarefas com a mamãe, com certeza vou ler mais sobre!!

— Sim, e depois pode me contando tudo, hein? E eu também vou ler amanhã o que você ler hoje... – Misaka deu um sorriso, cutucando sua amiga, quando as duas chegaram no meio do caminho.

— Eu vou por aqui, até a loja, Mizinha.

— Está bem, vai com cuidado. Quando chegar em casa me ligue para avisar que chegou bem, hein! – Misaka respondeu, dando alguns passos a frente e virando para acenar até sua amiga – Até mais, Aki!!

— Sim! Até...! – Aki devolveu a acenada e virou à ruazinha da esquerda, indo na direção de onde ficavam a maioria das lojinhas da aldeia.

 

Δ Δ Δ

 

16h da tarde. Mizuno Aki havia acabado de sair da loja de congelados, onde comprou dois sorvetes como já havia antecipado mais cedo para sua amiga; um para si e outro para sua mãe.

— Não tinha de chocolate, que ela gosta, bem estranho... bem, mas ela também adora de baunilha! – Aki já estava andando de volta para casa, conversando consigo mesma como sempre fazia quando estava andando sozinha.

Ela atravessou duas pequenas ruas e chegou em uma área mais deserta, onde havia uma pequena parcela de árvores e mato à esquerda da pequena rua que ela caminhava; não passava sequer um carro ou alguma pessoa. Uma brisa fria começou a bater no local de repente, deixando o ar mais estranho ainda.

Porém, Aki não imaginava que nada iria acontecer... pelo menos até ela escutar um barulho, vindo de sua esquerda, exatamente onde ficavam as árvores e o mato denso e alto. Ela não parou de caminhar, mesmo tendo escutado aquilo, até que o som se proliferou de novo. Agora sim, Mizuno Aki havia paralisado e olhado lentamente para a esquerda... não vendo absolutamente nada.

— O que foi isso...? – A garota sussurrou para si mesma, olhando por mais alguns segundos, até que ao forçar mais seus olhos... ela pôde ver uma cor ligeiramente acinzentada atrás de uma das árvores e outra agachada no mato. Após as informações serem rapidamente processadas em seu córtex, ela foi levada pelo impulso de começar a correr.

E foi a decisão mais plausível e correta, pois logo que a garotinha partiu em disparada, aqueles pontos acinzentados se ergueram e começaram a ir atrás dela. Dois homens, com vestes completamente cinzas e máscaras escuras que escondiam seus rostos.

Ao ver que aquilo estava acontecendo, Aki entrou em desespero e o processo de produção de adrenalina em seu sangue começou a crescer rapidamente, a deixando com uma velocidade constante enquanto começara a fugir dos homens misteriosos.

Ela foi virando as pequenas ruas que seguia e decidiu que o melhor caminho a tomar não seria o de sua casa agora, pois poderia colocar até mesmo sua mãe em risco, ou até mesmo dar a localização a eles. Ela não sabia o motivo ou as circunstancias que levavam a ser perseguida; entretanto, quando chegou em um local mais movimentado e entrou em uma loja pequena de artefatos da aldeia, respirando fundo e recuperando um pouco da calma, apenas algo veio em sua mente.

— Dizem que também há uma lenda sobre isso!

— É o Festival de Tanabata, certo?

— Também, mas há outra... que envolve essa aldeia. – A resposta rápida da garota fez Aki ficar cada vez mais curiosa com o assunto.

— A aldeia...? E o que é?

— Bem, só me contaram uma base, então não sei os detalhes, mas... – Misaka olhou para os lados, em sua cama e moveu a mão para próxima da saída de voz do telefone, como se fosse um segredo – Dizem que ocorre um assassinato a cada ano na aldeia, quando o Triângulo de Verão aparece no céu pela primeira vez...

A única coisa que Aki conseguia lembrar naquele momento, era sobre a sua conversa com Misaka na última quinta-feira, por telefone.

“Não, por que estou pensando nisso...? É só uma lenda. Isso só pode ser coincidência... não tem como ser...”, ela pensava freneticamente, com a mão direita em sua cabeça, até que saiu da loja e olhou para fora. Ela pôde ver várias pessoas aleatórias, um local mais movimentado, entretanto, os homens misteriosos haviam sumido.

Podia ser uma armadilha, podia ser arriscado sair naquele momento... ela então decidiu esperar meia-hora. E assim aconteceu; na segunda vez que ela abriu a porta do local, saiu de lá e foi diretamente para casa, dessa vez, sem indícios de estar sendo perseguida, sempre olhando para trás e bastante atenta ao seu redor.

Após mais alguns minutos segura, ela chegou em sua casa.

— Estou de volta... – Ela falou assim que fechou e trancou a porta principal, porém, não houve resposta – Mamãe...? – Ela chamou por Chie, porém, ela não estava em casa naquele momento. A garotinha abriu o freezer de sua geladeira e guardou os dois potes de sorvete, até que...

BAM! BAM!

Aki tomou um susto ao escutar duas batidas violentas em sua porta. Ela fechou a geladeira e foi lentamente andando, até ficar paralisada em frente a mesma. Alguns segundos depois, ela escutou novas batidas e tomou um susto.

“Impossível... será que eles... me seguiram...?!”, Aki pensava freneticamente, com muito medo de abrir aquela porta. Ela então, decidiu que não iria de peito aberto e foi até a cozinha pegar uma faca para se proteger dos dois homens; as batidas agora estavam mais fortes e aumentavam, diminuindo os intervalos das mesmas.

Ela voltou até a frente de sua porta, segurando a faca com firmeza na mão esquerda e andou a passos extremamente pausados até a maçaneta. Seus batimentos cardíacos eram o único som que a garota escutava, como se o seu coração estivesse nos seus ouvidos. O suor escorria por seu rosto e suas mãos estavam suadas, tamanho o nervosismo; seus olhos absolutamente arregalados, preparada para o que provavelmente viria.

Sua mão destra foi até a maçaneta e a girou lentamente, abrindo a porta o mais devagar possível, até que...

— Aki, está tudo bem? – Misaka estava em frente a porta da casa de Aki, que ao mesmo tempo parou de ouvir seus batimentos, parou de suar nas mãos e baixou seu nervosismo.

— Mi...zinha...?

— Ué, aconteceu algo? Você parece pálida.

— Uaaaah, não, não foi nada!! É que acabei de chegar em casa e tudo mais!! – Aki reagiu de forma estranha, correndo até a cozinha e guardando a faca enquanto Misaka entrava na casa da garota de cabelo loiro-claro – Mas e você, o que faz aqui?!

— Você demorou um pouco para chegar e ninguém atendia às ligações, então vim ver se algo havia acontecido. – Respondeu Misaka, tirando o calçado e entrando na casa da garota – Sua mãe não está em casa?

— Não... ela deve ter saído aleatoriamente de novo... ai, gente... – Aki se sentou na cadeira da cozinha e Misaka notou que ela parecia estar cansada e estressada, mas deixou para lá.

— Bem, daqui a pouco eu vou até a casa do Yoshi. Você realmente não vem?

— Não posso deixar a casa sozinha e ainda vou ter aquela tarefa que te contei com minha mãe. Me desculpa... – Aki respondeu, dando um suspiro profundo.

— Está bem. Então irei voltar, vê se fica bem aí. Qualquer coisa, me avise! – Aki respondeu positivamente, levando Misaka até a porta – Até amanhã, Aki! – E a garota foi embora para sua casa, quando o céu já estava começando a tomar a tonalidade alaranjada do pôr do Sol.

Aki voltou a trancar sua porta e andou até seu quarto, subindo as pequenas escadas e se debruçando sobre sua cama, enfiando o rosto em seu travesseiro enquanto a luz alaranjada entrava no cômodo. Ela ergueu um pouco o rosto, apenas tirando seus olhos e seu nariz do travesseiro e olhando para a janela...

— Mas, espera, está brincando né? Não tem como... eu nunca ouvi falar disso mesmo! – Aki retrucou, mas Misaka deu um suspiro e prosseguiu.

— Por isso eu disse que fiquei assustada ao descobrir que você não sabia! Olha, eu já falei que não sei por completo, só algumas coisas. E dentre elas, é que esses assassinatos são um mistério.

— Como assim...?

— A pessoa simplesmente desaparece e é encontrada morta alguns dias depois em estado avançado de decomposição. Bizarro né?! – Agora Aki começou a ficar mais assustada – Me disseram que esses acontecimentos ocorrem sempre nessa época do ano. E que isso vem acontecendo há quase dez anos.

“Por que eu estou pensando nisso...?”, Aki se perguntou, ao relembrar de mais uma parte da conversa que teve no telefone com Misaka. “Acho melhor eu ir tomar um banho e esquecer isso...”, a garotinha se levantou de sua cama, com o destino sendo seu chuveiro no banheiro de casa...

 

『Só Pode ser Coincidência』

Por Sora | 15/09/18 às 10:43 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia