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06º Tempo: 『ESSÊNCIA』Capítulo 1

Tempo;Rompido (T;R)

06º Tempo: 『ESSÊNCIA』Capítulo 1

Autor: Sora

Terça-feira, dia 09 de junho de 1998.

O dia amanheceu bonito e com Sol radiante em Shirakawa-go, uma aldeia que fica localizada na fronteira dos Alpes, a uma hora da média cidade interior de Hida Takayama, na província de Gifu, Japão. As pequenas e antigas casas, feitas de madeira e palha que contam com quase trezentos anos, são os principais cartões-postais da aldeia conhecida por ser pacífica, um lugar tranquilo para se relaxar.

É como se fosse um cenário de conto de fadas que parou no tempo. Há apenas uma avenida principal, onde vielas e ruas pequenas cruzam diversas casas e também pequenas lojinhas de conveniência e um pequeno mercadinho. Além disso, há uma escola, que funciona do jardim de infância até o ensino médio.

Recheada de templos, grandes e pequenos, e um pequeno museu inaugurado a não tanto tempo, a vilazinha é a residência de uma população menor que 1500 pessoas. E uma dessas 1500 pessoas, acabou de acordar em seu pequeno quarto rosa-bege, se levantou da cama e foi tomar banho.

...

Assim como anteriormente, a garota chamada Mizuno Aki estava sentada em sua cama, com a mão direita em seu peito enquanto sentia um singelo desconforto. Ela acabara de ter um sonho estranho, que se encaixa mais no termo “pesadelo”.

Deixando isso de lado após reorganizar os pensamentos, ela olhou para o relógio de ponteiro ao lado de sua cama e viu que estava cinco minutos atrasada em relação ao horário que sempre levantava para tomar banho, se arrumar e ir para a escola.

Quando ela foi tirar seu pijama, em frente ao espelho para começar a se dirigir ao banheiro, notou que a parte esquerda de sua barriga estava com uma leve vermelhidão, junta de uma pequenina cicatriz, quase invisível caso não forçasse bastante sua vista.

— Ué... eu tinha algo assim...? – Aki se perguntou, ainda com o pijama erguido por sua mão direita, enquanto passava a esquerda em cima da leve cicatriz avermelhada – Algum mosquito me picou enquanto eu estava dormindo e eu não senti...?

— Akiziiiiinha!!! – Mais abaixo, com um som distante, seu nome foi gritado por uma voz feminina, que a fez correr contra o tempo após perder quase um minuto e meio desbravando sua cicatriz misteriosa.

— Uaaaah! Já vou, mamãe!!

Após dez minutos certeiros, Aki tomou seu banho mais rápido que o habitual e foi para tomar café com sua mãe, Mizuno Chie.

— Obrigada pela comida!! – As duas bateram as mãos e Aki começou a atacar a mesa, que continha arroz, sopa de missô, dois peixes grelhados com omeletes e suco para acompanhar.

— Você demorou mais do que o habitual... aconteceu alguma coisa? – Chie, que tinha cabelo longo preso em um rabo de cavalo, de coloração loira e olhos azuis perguntou, enquanto a garota comia rapidamente o arroz de sua pequena tigela.

— Hm? Não, não... – Ela engoliu o arroz e pegou um pedaço de peixe com seus hashis, em seguida indo na omelete, deixando sua mãe impressionada – Só demorei um pouco para acordar... nada demais!

— Entendi, mas... não precisa comer igual um trator. Não tem problema se atrasar em cinco minutos... – Chie comentou, começando também a comer seu arroz com o peixe.

— Eu sei! É que está delicioso!

— Sei... você raramente elogia dessa forma. – Assim que a mãe disse, a Aki parou repentinamente de atacara a comida e olhou para ela.

— Sério...? – Como se não soubesse sobre o que Chie falou, Aki fez uma expressão realmente perdida. Sua mãe pensou que era uma brincadeira dela e apenas deu um sorriso, em confirmação, fazendo a garotinha de cabelo loiro-claro olhar para cima com o indicador encostado em seu lábio inferior...

 

Δ Δ Δ

 

Cinco minutos após tomar seu café com sua mãe e sair de casa, Aki caminhou em uma velocidade considerável pela pequena aldeia, falando com diversos moradores de lá, que a mesma conhecia.

A distância entre sua casa e a escola de Shirakawa era de quinze minutos de caminhada normal, sem nenhum problema. A cidade era realmente pacífica, sem muito barulho, parecia até que a modernização recorrente no Japão não chegava lá, era totalmente bloqueada.

Mais três minutos depois, uma garota que tinha o mesmo uniforme escolar de Aki estava parada em frente a uma árvore, junto de um garoto que carregava sua mochila com a mão direita, no ombro. Os dois viram que a garota de cabelo loiro-claro corria em direção a eles, e a outra acenou para ela.

— Desculpem pela demora...! – Aki parou, à frente dos dois, um pouco ofegante com a pequena corrida que deu – Eu demorei um pouco para despertar, hehe...

— Poxa, Aki... não faça mais isso, senão temos que acabar correndo assim...! – Entretanto, ela não veio sozinha; ao seu lado, estava sua melhor amiga, Takagi Misaka, também ofegante.

— Nossa, não precisavam correr, se foi isso que aconteceu... – Asano Yoshiaki, o garoto de cabelo escuro respondeu, olhando para as duas. Ao seu lado, Kudo Suzuha, a garota de cabelo curto de cor castanho-claro e olhos verdes, deu uma risada.

— É verdade, parece até que seria o fim do mundo caso chegassem um pouquinho atrasadas! – A garota comentou, ainda com um sorriso; Aki e Misaka a olharam com uma expressão furiosa pela leviana amiga, que desviou o olhar e se virou – Bem, então vamos lá? Não podemos nos atrasar, certo?

— Tá bom, já entendemos!! – Aki se ergueu novamente e ajeitou as alças de sua mochila – Vamos lá, Yoshizinho, Suzuzinha e Mizinha!!!

Dito e feito enquanto a garota de olhos violetas apontava para frente, os quatro andaram a passos largos, chegando perto da entrada da escola que não era lá tão grande, mas conseguia administrar turmas do ensino infantil até o médio sem nenhum problema; com a baixa população da aldeia, principalmente de crianças e adolescentes, não se fazia necessário uma ampliação no colégio. Era o suficiente.

— Oh, eles chegaram! – Uma outra garota, de cabelo ruivo e olhos castanhos, do tamanho de Yoshiaki olhou para trás, acompanhada de um garoto também do tamanho de Yoshiaki e da própria.

— Yo, pessoal. – O garoto de cabelo preto respondeu, acenando com a mão direita enquanto a esquerda estava no bolso de sua calça.

— Olá, Natsuzinha e Korozinho... – Aki, completamente cabisbaixa e cansada, também respondeu de forma lenta e baixa para Kawaguchi Natsumi e Endo Kotarou, tirando uma leve risada de Suzuha ao seu lado.

Assim que os três chegaram, o sinal da escola tocou, para que eles entrassem.

— Bem, não vai ter tanto tempo de falarmos hoje, então vamos lá!

— Então, vamos nessa! Boa aula para vocês! – Suzuha exclamou para todos, que entraram na escola e foram para suas respectivas salas de aula...

 

Δ Δ Δ

 

— Aaaaah, as aulas hoje foram cansativas como sempre. – 15h30 da tarde, no portão de saída da escola de Shirakawa, estava o grupo de seis amigos, como sempre.

— Ei, ei, que tal irmos nos divertir após mais um dia de cansaço como esse? – Natsumi fez uma expressão animada, um sorriso que parecia ser desafiador para os outros cinco, principalmente com Yoshiaki e Kotarou.

...

— Tcharan! Que tal?! – E quase quinze minutos depois, eles a seguiram até uma média loja de brinquedos.

— Uma loja de brinquedos...? – Murmurou Yoshiaki, com uma expressão totalmente sem vontade de viver, assim como próprio Kotarou, do seu lado.

— Essa lojinha é de um conhecido dos meus pais, o senhor Hisoka. E hoje, terá um evento bem legal, onde eu achei que podíamos aproveitar para jogar... – Natsumi, enquanto falava, abriu a porta do estabelecimento, vendo diversas crianças já presentes no local – E já está bem cheio...

— Mas nossos jogos não são nas sextas-feiras...? – Kotarou fez a pergunta, enquanto os seis entravam; Aki, Misaka e Suzuha apenas olhavam com brilho em seus olhos para os diversos brinquedos da loja.

— Então, o evento é hoje. Ah, parem de contestar tudo por um momento, vai! – Natsumi retrucou, acenando para o senhor Hisoka, o dono da lojinha e erguendo seu polegar direito, como se desse um sinal para o mesmo – E o jogo de hoje terá um prêmio beeeem legal!

— Oh, se tem um prêmio, não vejo porque negar. – Yoshiaki comentou, com um sorriso.

— Sim, vamos logo com isso! – Kotarou também comentou em seguida.

— Agora vocês estão interessados?! – Aki, Suzuham Misaka e até mesmo Natsumi perguntaram em coro...

 

Δ Δ Δ

 

Meia hora depois...

— Foi mal, eu ganhei de novo. – Enquanto Yoshiaki estava triunfante, já do lado de fora da lojinha enquanto as crianças seguiam lá dentro com o senhor Hisoka, Natsumi estava de joelhos no chão, completamente cabisbaixa.

— E o que é isso, Yoshizinho? – Aki olhou para dois papéis plastificados, de coloração escura, na mão direita do garoto de cabelo preto.

— Ah, foi o prêmio do ganhador... parece que são dois ingressos para uma peça de teatro? – Ele olhou para os ingressos e despertou a curiosidade dos demais e da própria Natsumi, que ficou em silêncio – Mas não era para ser apenas um...?

— Se quiser, pode levar um acompanhante. – De repente, o senhor Hisoka apareceu e respondeu a dúvida dele. Ele aparentava ter de quarenta a quarenta e cinco anos, no máximo, já grisalho e com uma barba bem rala – Não precisa ir sozinho, seria muito solitário, certo?

— Bem... então vou levar a Suzuha. Você gosta de teatro, certo? – Yoshiaki simplesmente virou para a garota de quinze anos, que acenou positivamente de forma contente – A Aki provavelmente estará ocupada e a Misaka irá sair, correto?

— C-Como você sabe, seu vidente maldito...?! – Misaka perguntou, remexendo de forma medonha sua mão direita enquanto sorria desconcertada; Aki apenas confirmou.

— E a Natsumi parece não gostar muito dessas coisas, certo? – O garoto virou para a que faltava, já de pé; ela apenas ficou um pouco boquiaberta com aquilo, como se estivesse em um estado de choque – Natsumi?

— AH! S-Siiiiim, você tá certo, eu realmente não curto muito teatros, hahaha! – A garota respondeu um pouco desajeitada, como se estivesse mentindo e apenas Aki pôde notar aquilo – Ah, eu tenho trabalho hoje, me desculpem, mas tenho que ir! Vejo vocês amanhã?!

— Sim... obvio que sim. – Yoshiaki respondeu e a garota de cabelo ruivo se virou, forçando um sorriso e acenando para os seus amigos.

— Até amanhã, pessoal!! O jogo foi muito divertido hoje!! – A garota foi embora às pressas, deixando os demais para trás, enquanto Aki seguia a observando com um olhar mais pesado.

Porém, nem mesmo ela pôde ver a própria Natsumi fechar seu rosto de tristeza e chegar até a morder seu lábio inferior enquanto corria para seu trabalho no fim daquela tarde de terça-feira.

 

 

『Primeira Ruptura Existencial』

Por Sora | 06/10/18 às 10:42 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia