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07º Tempo: 『ESSÊNCIA』Capítulo 2

Tempo;Rompido (T;R)

07º Tempo: 『ESSÊNCIA』Capítulo 2

Autor: Sora

Quarta-feira, dia 10 de junho de 1998.

As aulas do dia na escola de Shirakawa já haviam terminado, com isso, os seis amigos estavam indo juntos dessa vez, mas não para casa. O destino deles naquele meio de tarde era o único hospital que a vila tinha em todos os seus anos de história. E o motivo...

— Ah, é verdade, você tinha quebrado o braço mês passado, né? – Natsumi, com as mãos entrelaçadas atrás de sua cabeça, deu uma risada irônica enquanto tentava cutucar o garoto de cabelo escuro. Entretanto, ele apenas deu de ombros e suspirou.

— Toda semana eu tenho consulta por causa da recuperação. Às vezes ainda dói... – Yoshiaki respondeu, passando a mão por seu braço direito.

— Como você quebrou mesmo...? – Misaka fez a pergunta seguinte, olhando para ele, que virou seu olhar para o céu e pensou um pouco antes de responder.

— Ah, foi jogando futebol com o Kotarou e uns amigos... – O garoto parecia ter receio de se lembrar do momento – Bem, foi um ‘acidente de trabalho’, de qualquer forma. Mas, não foi tão simples... por isso, toda semana eu vou fazer esses exames, até eu me recuperar totalmente.

— Ah, então é por isso. – Natsumi respondeu, até que os seis pararam e olharam para frente, vendo o hospital já chegando cada vez mais próximo; depois de um minuto cravado, os seis entraram no local, que não estava tão cheio assim.

— Bem, vocês podem esperar aqui na sala de espera. Vai ser um exame rápido, não vai durar nem dez minutos. – Yoshiaki se virou para os demais, que já estavam sentados nas cadeiras e em um pequeno sofá que tinha ali, deixando o garoto com uma expressão hilária – Vocês são rápidos!!!

— Oh, você veio um pouco mais cedo hoje, Asano. – Uma voz feminina chamou a atenção do garoto e dos seus amigos, incluindo Aki, que chegou a arregalar um pouco seus olhos violetas ao ver uma mulher com uniforme de doutora, que era da cor de seu cabelo... contrastando completamente com seus olhos escuros como o universo.

— Ah, olá doutora Keiko... – O garoto deu um sorriso desconcertado e coçou sua cabeça – Conseguimos sair minutos mais cedo da aula hoje, aí eu os trouxe, já que não tinham nada para fazer... quiseram vir comigo para matar o tempo. – Ele mostrou seus amigos, que Keiko fitou de forma bem analítica e cuidadosa, até que ela parou na garotinha de cabelo loiro-claro com um rabo de cavalo amarrado em sua nuca.

— Entendo. Bem, sintam-se à vontade. Apesar de que não irá demorar tanto. – Keiko respondeu, olhando para todos e pegou sua prancheta que estava acima da mesa de recepção – Vamos então, Asano?

— Sim. Já, já eu volto, não saiam daí. – Ele apontou para os cinco, que apenas assentiram silenciosamente e seguiu a doutora. Aki seguia olhando para ela, um pouco travada, quando Keiko percebeu e deu um sorriso em retorno para a garota.

— Aki? O que foi? – Misaka percebeu que a garota havia ficado um pouco estranha, desde que Keiko apareceu, mas ela voltou a si após ser chamada por sua amiga,

— Oi? Não foi nada, está tudo bem! – Aki respondeu, movendo suas duas mãos de forma horizontal – É que apenas... parece que eu já vi essa moça em algum lugar, mas não lembro bem...

— Ah, isso pode ser normal, já que a vila não é lá tão grande. – Misaka respondeu, colocando o indicador direito em seu queixo e olhando para cima enquanto pensava; até que ela olhou novamente para Aki e estendeu o mesmo dedo até a sua direção – Bem, você pode ter a visto quando veio fazer uma consulta, ou até mesmo pela própria vila! Não é tão difícil assim não reconhecer alguém, mesmo você tendo visto a pessoa apenas uma vez.

— Pois é... faz sentido! – Aki aceitou bem as palavras de Misaka e abriu um sorriso.

Após os exatos dez minutos que Yoshiaki disse que nem ia demorar, ele veio da sala de atendimento e exames junto com Keiko e sua mesma prancheta em mãos; com isso, todos se levantaram de onde estavam sentados.

—  “Nãi vai demirir nim diz minitis”. – Kotarou ironizou o comentário anterior do garoto com uma voz de puro deboche, que o pegou pelo pescoço com seu braço direito mesmo e o apertou em uma gravata.

— Fala assim de novo na minha frente que eu acabo com seu ar, seu bostinha! – O consultado nem aparentava ter terminado ainda agora a consulta com sua doutora, que seguia com um fraco sorriso.

— Tome cuidado e não force demais o braço desse jeito, Asano. Isso se não quiser retornar aqui por mais algumas semanas. – Keiko repudiou o garoto de sua forma, que o fez soltar Kotarou em um piscar de olhos e se curvar em reverência para a doutora.

— Obrigada, doutora Keiko. Farei uma moldura em meu próprio braço para que ele sobreviva as próximas duas semanas e não se prolongue. – Yoshiaki falou de forma tão certinha e culta que tirou boas risadas de Natsumi, ao seu lado, enquanto Kotarou estava com a mão direita no pescoço recuperando o máximo de ar que podia – Então, se nos permite, estamos indo. Obrigado por me examinar, como sempre, doutora Keiko!

— Não há de que. Se houver algo fora do normal, pode vir aqui que irei reservar um horário particular para lhe atender. – Keiko respondeu, se virando com sua prancheta e acenando em retorno – Então, bom retorno para vocês.

Com isso, os seis se despediram e saíram do hospital, voltando para casa dessa vez. Keiko deu uma última virada e olhou para os garotos e garotas indo embora do local, lembrando brevemente da garotinha de cabelo loiro-claro, que a ficou encarando assim que apareceu.

— Aquela garotinha... parece até com a Chie... – Murmurou a mulher de cabelo alvo e olhos escuros – Oh, a Chie tinha uma filha... nossa, já se passou tanto tempo, ela deve ter crescido. Sim, sim, provavelmente era ela... Mizuno... Aki...? – Ela falava sozinha, quando de repente um outro doutor apareceu.

— Falando sozinha, senhorita Yoshimura? – O homem perguntou, enquanto pegava um copo d’água.

— Ah, é o hábito. Me desculpe, já irei retornar para minha sala.

...

— Bem, então nos despedimos aqui. Até amanhã, certo? – Misaka, ao lado de Aki, comentou; as duas iam para o mesmo lado enquanto se dirigiam para suas casas.

— Sim, com certeza. – Yoshiaki respondeu; ele ia com Suzuha, enquanto Natsumi e Kotarou iam para lados diferentes. E então, os seis começaram a se separar, indo cada um para seu caminho.

— Até mais, pessoal!! – Suzuha se despediu, esticando o braço direito e acenando para todos; Aki e Misaka responderam, até que a primeira notou perifericamente que Natsumi estava com uma expressão aparentemente irritada, se virando e voltando a andar para seu lado.

— É. Até. – Ela apenas falou dessa forma, que não era seu habitual, levantando a mão direita enquanto segurava sua mochila com a esquerda, trazendo a alça da mesma por seu ombro. Kotarou seguiu seu rumo, Yoshiaki e Suzuha também, como se aquilo não tivesse sido nada demais.

Entretanto, Aki percebeu mais uma vez uma expressão que não costumava ver em sua amiga mais velha. E também, havia mais...

 

Δ Δ Δ

 

Meia hora depois, Aki chegou em sua casa. Já eram quase 17h da tarde naquele dia, ou seja, só de ir e voltar do hospital com Yoshiaki e seus amigos. Ela tirou seu calçado, entrou em casa passando por sua mãe que estava na cozinha já preparando o jantar e foi para seu quarto se trocar.

Até que novamente ela notou aquela pequena cicatriz misteriosa em sua barriga, que não estava mais avermelhada. Sua forma era mais visível no momento; parecia até um pequenino xis, quase invisível para quem não ficasse observando por um tempo. Porém, Aki ignorou isso, afinal, sua cabeça estava em outro lugar...

— Aquela expressão da Natsuzinha... – Ela se lembrou da feição de Natsumi perante a despedida de Suzuha e se jogou na cama, olhando para a janela que estava aberta em seu quarto – Era para a Suzuzinha...? – A garotinha fechou os olhos.

...

E como um salto no tempo, abriu os mesmos, olhando para a janela e o lado de fora, já escuro. Ao perceber que havia pegado no sono por quase duas horas, ela se levantou, abriu a porta do seu quarto e desceu as escadas, vendo sua mãe que estava sentada no sofá, assistindo TV.

— Oh, a bela adormecida acordou. – Chie murmurou, olhando para sua filha, que esfregava o olho direito, ainda um pouco sonolenta.

— Eu tirei um cochilo... – A garotinha não pensou duas vezes ao se deitar no colo de sua mãe, no próprio sofá. A mesma começou a fazer carinho em seu cabelo, parecendo até que Aki queria dormir mais.

— Falando nisso, esse sábado eu irei a uma exposição, no museu de arte em Takayama. – Chie, enquanto passava sua mão no cabelo da filha, continuou falando – Portanto...

— Eu irei junto. – A garotinha respondeu ainda de olhos fechados, deixando até mesmo sua mãe surpresa.

— Que estranho... pensei que não gostasse muito dessas coisas. Mas, já que você quer ir junto... iremos nós duas! – A felicidade de Chie com essas palavras foram claras como o dia, portanto, Aki também deu um sorriso contente.

 

Δ Δ Δ

 

Quinta-feira, dia 11 de junho.

— A Natsuzinha faltou...? – Aki, junto de Misaka, Yoshiaki e Suzuha que sempre se encontravam no caminho da escola e vinham juntos, se depararam apenas com Kotarou na entrada, sem Natsumi.

— Parece que ela arranjou um período adicional no trabalho dela, então não virá hoje. Foi o que ela me contou ontem antes de nos separarmos, enquanto íamos para casa. – O garoto de cabelo e olhos acinzentados respondeu, assim que o sinal de entrada da escola de Shirakawa tocou – Bem, vamos à luta...

— Sim, vamos lá! – Misaka e Suzuha, junto dos dois garotos, começaram a entrara, até que a primeira parou e viu Aki olhando para o nada, totalmente perdida – Aki? Terra chamando!

— Eu ouvi, Mizinha. – A resposta da garota de olhos violetas foi direta, o que deu até um calafrio na espinha de Misaka.

— Nossa... o que aconteceu para você ficar assim? Está idêntica à forma de quando fomos para casa juntas, ontem... – Misaka prosseguiu, com Aki olhando fundo em seus olhos e a deixando apreensiva.

— Não é nada. – A garotinha deu um sorriso e quebrou completamente qualquer expectativa sombria de Misaka, andando e entrando na escola.

 

『Parábola Inconsistente』

Por Sora | 13/10/18 às 10:06 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia