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08º Tempo: 『ESSÊNCIA』Capítulo 3

Tempo;Rompido (T;R)

08º Tempo: 『ESSÊNCIA』Capítulo 3

Autor: Sora

Sexta-feira, dia 11 de junho de 1998.

Na manhã do último dia de aulas na semana, início do final da mesma, um telefone começou a tocar sem parar. Após alguns segundos com o mesmo tocando infinitamente, a garota de cabelo ruivo que havia acabado de sair do banho matinal para se arrumar e ir até o colégio, o atendeu.

— Alô? – Natsumi colocou o telefone apoiado em seu ombro, enquanto usava as duas mãos para pentear seu longo cabelo ruivo.

— Olá, como vai? – A voz de uma garota, do outro lado da linha, fez com que Natsumi parasse o que estava fazendo por um instante e ficasse um pouco boquiaberta.

— Essa voz...

— Ora, você lembrou! Bem, para se franca, isso nem é tão difícil, já que é idêntica a sua, certo? – A garota sorria contente do outro lado da linha enquanto falava; seu cabelo também era longo e ruivo, da mesma cor que a de Natsumi.

— Harumi! Por que me ligou assim, tão de repente?! – A garota parou de pentear seu cabelo e segurou o telefone com a mão que estava segurando o seu pente, fazendo com que a garota do outro lado desse risadas.

— Hahaha! Faz um tempinho, né, irmã?! – Essa era a irmã de Natsumi, Kawaguchi Harumi, como dito pela mesma – Então, eu queria manter uma surpresa por mais tempo, mas não tem como chegar aí do nada, certo?

— Espera um momento, como assim “chegar aí”??!!

— Sim, sim, eu cansei da cidade grande, estou pensando em voltar a morar aí. Então, é apenas isso, falo com você mais tarde, beijos e tchau!!

— Harumi?! Harumi, esper-! – Antes que Natsumi a pudesse impedir, Harumi desligou rapidamente o telefone, deixando sua irmã ainda mais confusa e esquecendo completamente de pentear o cabelo... – Essa garota...

 

Δ Δ Δ

 

— Sua irmã gêmea?! – Saltamos algumas horas no tempo, durante o intervalo do colégio de Shirakawa, onde todos se reuniam para lancharem juntos; e quem fez essa pergunta foi Yoshiaki.

— Sim... no momento que eu estava me aprontando para sair ela me ligou do nada e disse que tinha cansado da cidade grande, se mudaria para cá... – Natsumi deu um suspiro após contar tudo e prosseguiu – Até que eu a entendo, também detesto cidades movimentadas... deve ser porque já estou acostumada com a calmaria daqui.

— E onde ela mora, afinal de contas? – Kotarou perguntou em seguida, enquanto comia sua marmita.

— Tóquio.

— TÓQUIO????!!!! – Quase todos, apenas o próprio Kotarou que não, fizeram um coro estridente que até mesmo assustou outros alunos próximos deles, o que os deixaram envergonhados por um momento e os obrigaram a se controlar mais uma vez.

— Bem, confesso que fiquei surpreso. Tóquio não é tão próximo assim. – Yoshiaki voltou a se sentar e fechou os olhos, cruzando da mesma forma seus braços – São trezentos e quarenta e cinco quilômetros, o que equivale a cinco horas e quase dez minutos de viagem de carro sem congestionamento, porque de trem seriam quase sete, e-.

— Okay, senhor Arquimedes, nós já entendemos. – Kotarou interrompeu o garoto, que demonstrou irritação com aquilo e os dois acabaram se encarando de forma hilária.

— Calmem, calmem... – Aki murmurou, com um sorriso forçado e as mãos abertas.

— Enfim, como o Yoshi disse, ela deve demorar um pouco para chegar, não é? Alguém irá traze-la ou algo do tipo? – Quem dirigiu sua pergunta agora foi Misaka, enquanto os dois seguiam trocando farpas com seus olhares.

— Eu ainda não sei quando ela virá, mas disse que iria me ligar mais tarde... então, não deve ser hoje, talvez amanhã ou domingo. – Assim que a Natsumi respondeu, o sinal da escola tocou, chamando os alunos para retornarem para suas aulas e para a volta das aulas – Bem... é mais ou menos isso. Com certeza ela vai se matricular aqui, então, estará na minha turma. Ela é legal, apesar de ser meio problemática.

“Claro, afinal são gêmeas...”, e dessa vez, Yoshiaki e Kotarou pensaram ao mesmo tempo pela primeira vez em semanas. Suzuha ficou em silêncio durante toda a conversa, participando apenas daquele coro de um minuto atrás.

...

No fim do dia, saída da escola, Natsumi se despediu de todos alegando que precisava urgentemente ir ao trabalho e novamente dando aparência de estar meio cabisbaixa e diferente. Com isso, Kotarou também se foi, enquanto Yoshiaki e Suzuha foram juntos para a peça de teatro que aconteceria no centro da aldeia, pelo qual o mesmo ganhou no jogo da lojinha de brinquedos.

Com isso, restou a Aki e Misaka seguirem em frente, retornando para suas casas. Novamente a garotinha de cabelo loiro-claro estava um pouco preocupada e Misaka, dessa vez, não ficou em silêncio.

— Aki, se tiver algo que precisa me falar, pode contar, ouviu?

— Eu estou bem, Mizinha, só estou preocupada com a Natsuzinha... ela está bem diferente ultimamente... parece mais entristecida e até mesmo irritada com algo... – Aki comentou, deixando sua amiga em silêncio, voltando apenas a olhar para frente – E até parece que... ela está com ciúmes da Suzuzinha.

— Ahá! Era esse o ponto que eu estava tentando alcançar!! – Misaka, triunfante, ergueu o braço direito – Quer dizer que “aparenta” que a Natsumi tá com ciúmes da Suzuha com o Yoshiaki? Isso é óóóóóóbvio. Você realmente presta atenção nos detalhes, Aki? – Misaka apontou o indicador para ela, com uma expressão irônica.

— S...Sim...? – E, como de praxe, a garota ficou confusa.

— Nossa, até as estrelas sabem que a Natsu gosta do Yoshi. Sério que você nunca tinha percebido?!

— Bem, perceber eu até percebo... mas não dessa forma... – Aki deu um sorriso desconcertado e Misaka deu um tapinha em suas costas em seguida.

— Gahaha, você é muito avoada, amiga! Tem que sentir mais o clima... – Murmurou Misaka, quase que ao seu ouvido, deixando Aki mais leve e solta, dando um sorriso em retorno e respondendo.

— Sim, me esforçarei para isso!

 

Δ Δ Δ

 

Sábado, dia 12 de junho.

Estamos no museu de artes da cidade de Takayama, literalmente vizinha à vila de Shirakawa, que inclusive era bem parecida com a mesma. Entretanto, era mais movimentada e tinha mais casas modernas, lojas e obviamente museus, como onde as duas garotas que prometeram ir até lá nesse dia estavam. Chie e Aki.

— É... realmente eu não consigo ficar confortável em locais assim... – A garotinha falou, como se estivesse enjoada em meio a bastantes pessoas no museu.

— Por isso eu fiquei impressionada quando você disse que queria vir comigo. – Chie respondeu, olhando para sua filha com um sorriso. Ela começou a andar para a esquerda.

— Eu vou procurar um local mais vazio para tomar ar...

— Okay, não se perca! – Chie exclamou, se voltando para onde estava observando. Aki realmente se afastou de sua mãe e foi para o lado da saída, onde havia um pequeno pátio e vários bancos para se sentar; todos estavam ocupados, entretanto, havia um onde estava sentada apenas uma garota de costas, com um espaço livre.

Aki se dirigiu até o banco e se sentou, sentindo a brisa do verão batendo em seu rosto e respirou fundo, como se buscasse se livrar do verdadeiro enjoo que sentia.

— Lugares fechados com muita gente não tem cabimento... – Ela murmurou, olhando para trás e vendo a garota ruiva que também estava olhando para Aki naquele momento. E ela era... – Natsuzinha?!

— Aki?!

— O que está fazendo aqui?! – As duas perguntaram ao mesmo tempo, totalmente sincronizadas e apontando uma para a outra.

...

— Entendi, você veio com sua mãe. Mas ainda não consegue se dar bem com lugares fechados e muitos adultos, né? – Após alguns minutos conversando, Natsumi deu um sorriso bem forçado, que novamente fez Aki ficar cabisbaixa, sem nem responder à pergunta da própria garota – Hm? O que houve...? Falei algo que você não curtiu...?

— Não, não é isso. Eu apenas estou preocupada com você, Natsuzinha. – A garotinha respondeu, enquanto Natsumi ficou em silêncio por um momento agora. Ela dirigiu seu olhar para baixo e deu um novo sorriso forçado.

— Você está certa, Aki. – O comentário dela fez com que a garotinha voltasse a olhar para a garota de cabelo ruivo – De verdade, eu queria muito que o Yoshi tivesse me convidado para ir com ele ao teatro... e não a Suzuha. Mas, não dá para se ter tudo que deseja, certo? “Querer não é poder”...

— Natsuzinha...

— Mas, não se preocupe! Eu ficarei bem! – Natsumi se ergueu do banco, com uma expressão mais confiante – Minha irmã vai se mudar para cá amanhã, deve chegar de tarde e eu irei busca-la na estação. Talvez eu consiga me animar um pouco com ela.

— Sim! Não precisa ficar desse jeito!! – Aki se levantou também, falando de forma mais forte e inclusive assustando Natsumi – Oh, desculpe... força do hábito.

— Sei...

— Oh, você está aqui também, Natsumi. – E interrompendo as duas, Mizuno Chie chegou no local, olhando para sua filha e a amiga dela enquanto se aproximava das duas – Desculpe interrompe-las.

— Não, não foi nada, tia Chie... – A garota de cabelo ruivo respondeu, um pouco sem graça, enquanto Aki seguia a observando atentamente.

— Bem, vamos lá, Akizinha?

— Ué, mas já? – A filha de Chie perguntou, um pouco surpresa com as palavras de sua mãe, que abriu um novo sorriso.

— Eu não pretendia ficar até o final e já vi o que precisava. Você vem embora conosco, Natsumi? – Chie olhou para a garota de cabelo ruivo, que forçou novo sorriso e respondeu.

— Desculpe, tia Chie, mas ficarei por mais um tempinho e irei embora depois. Foi bom ver vocês duas; e obrigada, Aki, de verdade. Por mais que tenha sido rápido, você me ajudou bastante... – Natsumi olhou para a garotinha de quatorze anos com um olhar calmo e um tanto que... feliz. Era a primeira vez que Aki via Natsumi com aquele olhar desde aquele dia do jogo.

— Eu estou sempre aqui, para você, Natsuzinha! Somos amigas, afinal, certo? – Aki deu um sorriso mais largo ainda com a resposta de Natsumi, se virando com sua mãe e acenando enquanto se despedia dela.

Entretanto, desfazendo completamente seu sorriso ao acenar de volta e se despedir de sua amiga após ter dito tudo aquilo, um olhar frio e um tanto cortante se formou no rosto da garota de cabelo ruivo e olhos castanhos...

 

『Contemplação no Vazio』

Por Sora | 27/10/18 às 22:36 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia