CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
11º Tempo: 『DOMINAÇÃO』Capítulo 1

Tempo;Rompido (T;R)

11º Tempo: 『DOMINAÇÃO』Capítulo 1

Autor: Sora

Terça-feira, dia 09 de junho de 1998.

O dia amanheceu bonito e com Sol radiante em Shirakawa-go, uma aldeia que fica localizada na fronteira dos Alpes, a uma hora da média cidade interior de Hida Takayama, na província de Gifu, Japão. As pequenas e antigas casas, feitas de madeira e palha que contam com quase trezentos anos, são os principais cartões-postais da aldeia conhecida por ser pacífica, um lugar tranquilo para se relaxar.

É como se fosse um cenário de conto de fadas que parou no tempo. Há apenas uma avenida principal, onde vielas e ruas pequenas cruzam diversas casas e também pequenas lojinhas de conveniência e um pequeno mercadinho. Além disso, há uma escola, que funciona do jardim de infância até o ensino médio.

Recheada de templos, grandes e pequenos, e um pequeno museu inaugurado a não tanto tempo, a vilazinha é a residência de uma população menor que 1500 pessoas. E uma dessas 1500 pessoas, acabou de acordar em seu pequeno quarto rosa-bege, se levantou da cama e foi tomar banho.

...

— Akizinha, o café está pronto!!

Novamente, a mesma e corriqueira rotina. Mizuno Aki colocou seu uniforme escolar, preparou e pegou sua mochila, fechando a porta de correr do seu quarto e descendo as escadas para se juntar a sua mãe, Mizuno Chie, que terminava de preparar seu café da manhã.

A comida era a de sempre... arroz instantâneo, peixes grelhados, omeletes, sopa de missô e suco de laranja, com uma jarra de chá verde para sua mãe. A garota de cabelo loiro-claro com um rabo de cavalo amarrado na parte de trás de sua cabeça se sentou na mesa e bateu suas duas mãos, agradecendo pela refeição e pegando uma tigela de arroz.

— Ué... você não respondeu quando chamei e parece cabisbaixa... – Chie murmurou, tirando seu avental e se sentando em sua cadeira, de frente para sua filha que bocejou de forma longa – Ah, está explicado...

— Desculpe, mamãe... tive uma noite de sono bem desconfortável... – Aki respondeu, ainda demonstrando resquícios de uma noite mal dormida, comendo lentamente seu arroz – Ainda quero minha cama...

— Infelizmente a senhorita tem aula hoje e não pode faltar, certo? Português não é a matéria que você tem mais dificuldades e carência de aprender?

— Sim... assim que eu chegar eu vou dormir até dizer ‘chega’.

— Pois é, faça isso mesmo! – Chie deu um sorriso enquanto pegava sua omelete.

 

Δ Δ Δ

 

— Por que você demorou tanto, Aki?! – Em frente a sua casa já estava postada sua melhor amiga, que morava praticamente ao seu lado, Takagi Misaka, com sua mochila sendo segurada por suas duas mãos em frente ao seu corpo.

— Desculpa, Mizinha... eu não dormi bem hoje. – Aki respondeu, atravessando o portãozinho que separava o quintal da rua e começou a andar em direção à escola com ela – Tive uns... sonhos bem pesados. E isso atrapalhou minha linda noite de sono...!

— Oh, sonhos estranhos que é um sinônimo de ‘pesadelos’, é? Entendo, entendo, eu também tenho uns às vezes. É bem comum acontecer isso na nossa idade! – Misaka ergueu o indicador direito com um sorriso triunfante, como se fosse o ser mais sensato do mundo naquele momento – Não se preocupe com isso, é só comer menos antes de dormir!

— O que isso tem a ver, e eu nem como tanto antes de dormir porque sei que faz mal!

— Tsc, tsc, você não deve comer muito “em sua única concepção”, queridinha. Já se pesou essa semana? Parece que você engordou um pouquinho, hein!

— Cala a boca, Mizinha! E obrigada por me acordar de vez, hmpf! – Aki virou o rosto bufando e fazendo bico, enquanto sua amiga rachava esse mesmo bico de rir.

— De nada! Você vai ver que foi uma ótima ação de minha parte!! – Misaka novamente comentou com um sorriso irônico, conhecendo a matéria em que Aki era fraca; e que as duas teriam aula por aquele dia...

A distância entre sua casa e a escola de Shirakawa era de quinze minutos de caminhada normal, sem nenhum problema. A cidade era realmente pacífica, sem muito barulho, parecia até que a modernização recorrente no japão não chegava lá, era totalmente bloqueada.

Mais três minutos depois, uma garota que tinha o mesmo uniforme escolar de Aki estava parada em frente a uma árvore, junto de um garoto que carregava sua mochila com a mão direita, no ombro. Os dois viram que a garota de cabelo loiro-claro corria em direção a eles, e a outra acenou para ela.

— Bom dia, pessoal. – Aki acenou para eles.

— Oh, olá, Aki e Misaka! – A primeira, uma garota que tinha cabelo com duas tranças pequenas de cor castanho-claro e olhos verdes, dois centímetros maior que Aki, perguntou cruzando os braços e piscando o olho direito; essa era a Kudo Suzuha – Chegaram na hora certinha hoje!

— Verdade... – O garoto, maior que as duas com cabelo liso de cor preto e olhos castanhos comentou em sequência, dando um leve sorriso; seu nome era Asano Yoshiaki – Bem, vamos nessa então, né?

— Sim, sim, vamos lá! – Misaka estendeu o punho direito, quando os quatro juntos agora prosseguiram caminhando para a escola.

...

Dito e feito, os três andaram a passos largos, chegando perto da entrada da escola que não era lá tão grande, mas conseguia administrar turmas do ensino infantil até o médio sem nenhum problema; com a baixa população da aldeia, principalmente de crianças e adolescentes, não se fazia necessário uma ampliação no colégio. Era o suficiente.

— Oh, eles chegaram! – Uma outra garota, de cabelo ruivo e olhos castanhos, do tamanho de Yoshiaki olhou para trás, acompanhada de um garoto também do tamanho de Yoshiaki e da garota ruiva, com cabelo e olhos ambos de cor acinzentados.

— Yo, pessoal. – O garoto de cabelo preto respondeu, acenando com a mão direita enquanto a esquerda estava no bolso de sua calça.

— Olá, Natsuzinha e Korozinho... – Aki, completamente cabisbaixa e cansada, também respondeu de forma lenta e baixa, tirando uma leve risada de Suzuha ao seu lado. Entretanto, essa forma de falar não era de cansaço, e sim, de preocupação.

Eles eram, respectivamente, Kawaguchi Natsumi e Endo Kotarou, os dois últimos companheiros daquele grupo.

— Hoje chegaram mais cedo do que ontem. Que milagre, hein?! – Natsumi comentou com um sorriso atrevido, fazendo Aki ficar um pouco confusa e olhar para Misaka.

— O que foi, vai me dizer que não se lembra de ter chegado atrasada ontem...? – Aki piscou três vezes o olho e colocou a mão em sua cabeça, passando por todos com uma expressão mais cabisbaixa ainda.

— Eu vou ao banheiro... estou com dor de cabeça...

— Ei, Aki! – Misaka correu atrás de sua amiga, a acompanhando até o local de onde ela iria – Aki... o que está acontecendo? Nem está falando direito e também a descrição está pobre hoje.

— Eu não sei do que você tá falando, Mizinha... – E ela respondeu a brincadeira suposta de sua melhor amiga ainda de forma debilitada – Eu só não estou muito bem hoje...

— Você está assim desde que saiu de casa e falou que teve aquele pesadelo. Você tem medo de coisas assim, não é...? – À pergunta de Misaka, Aki apenas assentiu enquanto as duas chegaram até a porta do banheiro feminino e a garota de cabelo loiro-claro forçou um sorriso – Acho que seria melhor você voltar para casa... eu digo para o professor que você passou mal, e...

— Não se preocupe, Mizinha. Eu vou ficar bem. – Aki respondeu, entrando no local e sendo acompanhado por sua amiga, ainda preocupada.

Do lado de fora, ficaram os outros quatro que também estavam aflitos com a situação repentina de Aki, sendo que Yoshiaki e Suzuha já haviam percebido algo estranho nela desde que se encontraram enquanto vinham para a escola.

Entretanto, apesar daquilo, o sinal de chamada para o início das aulas tocou e o resto do dia seguiu sua normalidade cotidiana.

 

Δ Δ Δ

 

— O dia hoje foi cheio... – Já em sua casa, Aki estava jogada em sua cama enquanto olhava para o teto do quarto; já estava de noite, mais precisamente eram 19h30 da noite, quando ela finalmente decidiu se levantar para descer e ir jantar com sua mãe que terminava de preparar a comida.

Antes disso, ela foi até a janela de seu quarto para fechar as cortinas antes de descer, quando viu três estrelas pulsando de forma brilhante, posicionadas em locais específicos onde formavam um triângulo no céu.

Seus olhos violetas ficaram vidrados naquele conjunto peculiar das três pequenas esferas pulsantes no céu azul-escuro daquela noite de verão até que, de sua boca, saíram palavras tão baixas que a mesma quase não escutou...

— Deneb. – A estrela mais para a esquerda – Altair. – A estrela mais para a direita e um pouco mais abaixo – Vega. – A estrela do topo – As estrelas que forma o Triangulo de Verão... são tão lind-. – Antes que a mesma pudesse complementar, seu corpo simplesmente paralisou e um calafrio o percorreu...

“Ué... por que eu falei isso...?”, ela se perguntou, com os olhos um pouco arregalados e trêmulos... afinal, ela nem sabia dessas informações que acabara de falar. Mesmo que ela pudesse ter escutado em algum lugar... não, esse não era o caso, já que ela apenas conhecia as estrelas Altair e Vega, por serem as mais famosas.

— Akiziiiiinha! O jantar está proooonto! – Entretanto, a desprendendo daqueles pensamentos embaralhados, a sua mãe Chie a gritou do andar de baixo.

— Eu já vou! – Ela respondeu, fechando as janelas, dando uma olhadela de dez segundos para as três estrelas que chamavam sua atenção no céu escuro.

E, por fim, fechou as cortinas, saindo do seu quarto e descendo as escadas para se juntar a sua mãe.

 

『Apatia Mental Consonante』

Por Sora | 12/01/19 às 12:20 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia