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『EPÍLOGO』

Tempo;Rompido (T;R)

『EPÍLOGO』

Autor: Sora

Terça-feira, dia 16 de junho.

— E como foi na casa do Yoshizinho?

— Aaaah, foi bem legal. Jogamos pôquer de novo, mas dessa vez o maldito não fez aquela sequência doida lá!! – Aki e Misaka estavam na sala de aula, durante a mudança de professores após o sinal ser ativado.

— Royal Straight Flush...?

— Me surpreende você lembrar esse nome perfeitamente tendo escutado apenas uma vez!! – Misaka fez uma expressão engraçada ao ouvir aquilo de Aki, que deu uma leve risada, até que o segundo professor chegou em sala – Opa, depois eu conto o resto. Esse aí não gosta de ouvir um “piu”.

— Verdade, verdade, hahaha! – Aki, após dar essa risada, ainda se lembrou brevemente do dia anterior, quando foi perseguida por aqueles homens e fez uma expressão cabisbaixa... que, inclusive, sua amiga notou, mas escolheu novamente ficar em silêncio naquele momento.

Com o passar da hora, as duas novamente saíram de sua sala de aula para irem embora. Dessa vez, Aki não iria fazer nenhum desvio, portanto poderia ir tranquilamente com Misaka, direto para suas casas.

O encontro com Yoshiaki, Kotarou, Suzuha e Natsumi foi o mesmo de sempre, na saída da escola; após alguns minutos papeando, todos partiram para seus respectivos lugares. As duas amigas estavam caminhando tranquilamente no caminho de suas respectivas moradias; ou uma delas. Aki estava aflita.

Ela olhava toda hora de um lado para o outro, mexendo e remexendo as suas pupilas de cor violeta, uma coloração ocular rara inclusive para japoneses. Misaka seguia estranhando as ações e reações tomadas por sua amiga, mas seguia em silêncio. Parecia ter medo de perguntar... porém.

— Mizinha! – Aki a desprendeu de seus pensamentos e a chamou, apontando para uma pequena lanchonete que tinha no caminho da volta para casa das duas... e ali estava a mulher de cabelo branco e olhos escuros – É a senhorita Keiko.

Após ficarem um tempo a fitando pelo lado de fora, a mulher finalmente percebeu que estava sendo observada e olhou para elas pelo vidro que estava ao seu lado, onde estava sentada. E deu um leve sorriso, acenando para as duas.

Quem acabou entrando na lanchonete sozinha...

— A Mizinha disse que tinha algo para fazer em casa, então não poderia se atrasar... – Aki já sanou a dúvida de Keiko, que ainda assim seguiu sorrindo.

— E então, o que achou sobre as anotações e pesquisas...? – Keiko foi diretamente ao ponto e os olhos da garotinha voltaram a brilhar.

— Eu ainda não terminei ele todo, mas estou adorando, senhorita Keiko!! Sério, é cada loucura pior que a outra, mas é por isso que é tão fascinante!! – Aki respondeu.

— Sim... compreendo perfeitamente como se sente, pequena Aki. – A mulher respondeu, tomando um gole de seu café, em uma xícara branca. As duas então seguiram ali conversando bastante até as horas irem passando...

Já em sua casa, Misaka estava em seu quarto, olhando para o céu que estava escurecendo e já mostrava a Constelação de Órion e a estrela Sirius, da Constelação de Canis Majoris, o Cão Maior, brilhando.

— Mais alguns minutos e o Triângulo de Verão irá aparecer... – Murmurou a garotinha, com um olhar pesado, preocupado para o céu escurecendo a cada minuto que passava – A Aki... estava estranha ontem... e hoje também... – Ela prosseguiu, relembrando as expressões e atitudes de sua amiga, desde que passou na casa dela no dia anterior.

Pensando melhor, foi desde que ela contou para Aki sobre a lenda da aldeia envolvendo o conjunto das estrelas Deneb, Altair e Vega, denominado ‘Triângulo de Verão’.

O pior de tudo, é que ela não podia culpar Aki por esconder uma possível verdade dela. Afinal, ela também estava fazendo aquilo. Pois, tudo aquilo que ela contou sobre a lenda...

“Não é uma lenda...”, ela pensou, ainda olhando para Sirius, que brilhava intensamente no céu. Os assassinatos misteriosos de Shirakawa eram verdadeiros... Misaka voltou a prestar atenção no céu, sem ter noção da quantidade de tempo que ia avançando, podendo avistar a primeira e mais fraca estrela do triângulo, Deneb, começando a aparecer.

 

Δ Δ Δ

 

— QUE PROBLEEEEEMA!!!! Esqueci completamente da hora com a nossa conversa!!!! – Desesperada, Aki pegou sua mochila e se ergueu do banco da lanchonete onde estava sentada com Keiko – Desculpe, senhorita Keiko, o assunto estava ótimo, mas preciso voltar correndo para casa!!! – Ela se curvou em despedida da mulher, que assentiu positivamente e se virou, correndo para sair do estabelecimento e retornar.

Eram 19h30, ou seja, ela ficou ali com Keiko por exatas quatro horas seguidas conversando sobre as teorias e pesquisas contidas no caderno que ela lhe emprestou. E, com isso, enquanto andava a passos largos pela ruela, Aki esboçou um leve sorriso consigo mesma.

Até que ela escutou passos, novamente notando que o local estava deserto... e pior. Agora, com a chegada da noite, estava escuro, apesar de luzes acesas por bastantes locais ao redor dela. Quando Aki olhou para trás, viu novamente aqueles dois homens do último dia a observando de longe.

“De novo...?!”, ela se perguntou, arregalando os olhos e não pensando duas vezes em correr rapidamente dali. Assim como no dia anterior, ela priorizou tomar uma rota diferente de sua casa, para não deixar sua mãe e tampouco ela mesma em risco futuramente, portanto, virou a rua para a esquerda logo em seguida; sua casa ficava na direção retilínea.

“Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo! Isso não pode estar acontecendo!”, era apenas essa frase que Aki repetia e repetia enquanto seguia correndo. Dessa vez, ela não poderia usar alguma loja para se esconder, já que a maioria já estava fechada a esse horário de uma terça-feira.

Com isso, ela olhou para trás e não viu mais nenhum dos homens no seu encalce, achando que os teria despistado. Porém, não deixou de ser cautelosa e viu que havia, mais a frente, uma grande placa que a mesma usou para se esconder e tomar um fôlego, olhando para trás e analisando. Estava bem escuro, então ficava mais complicado de enxergar alguém vindo, mas ela ainda conseguia.

— Acho que estou bem agora... mas, por que isso está acontecendo...? – Ela murmurou consigo mesma, recuperando o fôlego perdido – Quem são essas pessoas...? O que elas querem comigo...?

— Dizem que ocorre um assassinato a cada ano na aldeia, quando o Triângulo de Verão aparece no céu pela primeira vez...

— Droga... por que eu sempre estou lembrando disso...?! Eu tenho medo, tenho que esquecer!! – Mais uma vez, Aki lembrou das palavras de Misaka na quinta-feira que se passou, fechando os olhos e se concentrando para enxergar em sua frente – Eu preciso contar isso para alguém... pedir ajuda... ligar para a polícia!

Aki se decidiu e voltou a se erguer, para retomar a corrida até em casa, já que havia despistado os dois homens mais uma vez, como no dia anterior. Ela olhou para cima ao ver que as estrelas estavam lá, no céu, brilhando intensamente... porém, essa foi sua decisão fatal.

Ao se distrair, ela foi surpreendida e apenas sentiu algo adentrando seu corpo e uma dor se alastrando de forma absolutamente intensa e cruel. Entretanto, ela não gritou e tampouco esboçou alguma reação, apenas arregalou os olhos... e sentiu o sangue escorrer pelo canto de sua boca.

Quando olhou para baixo, viu um objeto de metal pontiagudo saindo de dentro de sua barriga para fora da mesma. E então, seus olhos violetas que tremulavam intensamente, se viraram para trás, quando ela fitou um dos homens de vestes cinzas e máscara... a apunhalando pelas costas.

Naquele momento, o fogo de sua vida gritou alto em seu coração e seus olhos brilharam. A primeira atitude de Aki foi jogar sua mochila no rosto do homem e apenas tentar se afastar o mais rápido possível. Essa atitude o fez cambalear para trás; Aki não removeu a faca de sua barriga, que sangrava um pouco e começou a andar mancando, com dificuldades pela dor extrema no corpo. Se ela removesse a faca naquele momento, o sangue iria jorrar com mais intensidade e ela sucumbiria por hemorragia.

 “Por que...?! Por que isso está acontecendo comigo...?!”, Aki se perguntava enquanto lágrimas começavam a se acumular em seus olhos. Porém, o homem se levantou, a puxou pelo ombro, virando a garota para trás e acertou um soco em seu rosto, a jogando para o chão à esquerda. Ele ainda foi andando até ela e tentou pisar na garota, que se debateu e jogou uma outra placa que estava ali ao lado, em suas partes baixas. O homem não aguentou e caiu no chão, se revirando de dor, enquanto Aki lutava por sua vida e se ergueu, deixando sua mochila para trás e começou a andar em frente.

— Preciso... voltar... para casa... – Ela murmurava já com dificuldades de falar e respirar; misteriosamente, apenas um dos dois homens havia aparecido naquele momento. Então, onde estaria o segundo?

“Não posso pensar... nisso... preciso... mamãe...”, a última coisa que Aki pensou, foi em sua mãe, despejando lágrimas até o solo, com a dor intensa em sua barriga. O sangramento continuava, mesmo que lento pela faca ainda estar em sua barriga...

— Como... isso... aconteceu...? Quem são... eles...? Por... que...? – Aki balbuciava essas palavras e formava algumas pequenas frases, ainda sem entender o que era aquilo. Foi então, que ela sentiu viu que estava começando a ser iluminada, por suas costas, lentamente.

Era como se fosse... “Um... farol...?”, Aki olhou lentamente para trás, para analisar o que significava aquilo, quando viu um carro em altíssima velocidade indo para cima dela, que não tinha tempo de reação para desviar. Após um som estarrecedor de uma colisão, tudo ficou escuro...

 

Δ Δ Δ

 

Seus olhos foram abertos lentamente e ela viu o céu escuro, com aquelas três estrelas que faziam um triângulo, brilhando e pulsando intensamente. Eram Deneb, Altair e Vega.

— Esse é o Triangulo de Verão. Aquela estrela de cima se chama Deneb. Ela é da Constelação do Cisne. A da esquerda, a mais branca, se chama Altair, da Constelação de Águia. E a outra, azul, é Vega, da Constelação de Lira.

“Mamãe...”, após se lembrar das palavras de sua mãe quando lhe apresentou o conjunto de estrelas, as lágrimas seguiam vindo. A faca havia voado da barriga da garota, deixando uma poça de sangue começando a ser formada no solo abaixo dela... que estava com diversas fraturas nos ossos e também teve seus órgãos danificados.

“Você ainda... não me contou...”, aos soluços, ela seguia divagando enquanto perdia cada vez mais a luz de seus olhos. A última coisa que ela pôde ver, foi um dos dois homens de vestes acinzentadas andando até ficar acima dela; ele foi o responsável pelo seu cruel atropelamento.

— So...bre... o... festi...val... – Ela ainda conseguiu soluçar aquelas últimas palavras, quando o homem sacou uma outra faca de sua cintura, se agachou e mirou bem em seu peito.

Sem dó ou piedade, afundando a arma branca em seu corpo, rompendo e destruindo o coração da garota.

 

『Primeiro Fim』

Por Sora | 22/09/18 às 10:30 | Suspense, Ficção Cientifica, Sobrenatural, Slice of Life, Mistério, Drama, Comédia