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Capítulo 1.7 - A Maga Chega na Cidade『Garota, ocasionalmente, Justa』

To Aru Majutsu no Index (Index)

Capítulo 1.7 - A Maga Chega na Cidade『Garota, ocasionalmente, Justa』

Tradução: Sora | Revisão: Ni Yezen

PARTE 7

Quando a fumaça e as chamas se dissiparam, toda a área parecia um inferno.

As grades de metal tinham se deformado como esculturas de açúcar e até mesmo o piso se derretia em algo como cola. A pintura nas paredes havia sido descascada para que o concreto fosse visível.

O menino não podia ser visto em local algum.

No entanto, Stiyl ouviu os passos de alguém correndo pelo corredor no andar de baixo.

Innocentius… - ele sussurrou e as chamas se espalharam pela área, retornando à forma humana e passou por cima do corrimão, seguindo os passos.

Interiormente, Stiyl ficou espantado. Nada de tão incrível aconteceu. Pouco antes da explosão, no instante em que ele cortou o deus flamejante gigante com as duas espadas flamejantes, Kamijou soltou a mão direita e pulou a grade.

Quando ele caiu, Kamijou agarrou o corrimão um andar abaixo e subiu na passagem. Ele não tinha tábua de salvação e o havia retirado com raça e coragem puras, de modo que na verdade fora bastante imprudente.

— Mas…

Stiyl deu um sorriso gentil. Kamijou agora conhecia a fraqueza das runas graças ao conhecimento dos 103.000 grimórios da Index. Como ela dissera, a magia rúnica que Stiyl usava era ativada por gravuras entalhadas. Isso também significava que se livrar das gravuras negaria até mesmo a magia mais poderosa.

— E daí? - A expressão de Stiyl não mostrou nenhum sinal de preocupação - Você não pode fazer isso. É completamente impossível para você se livrar completamente das runas esculpidas neste edifício.Ni Yezen: Mano, conheço caras que subestimaram mcs em muitas novels e acabaram quebrando a cara por isso kukukuku

— Eu! Eu realmente pensei! Eu realmente pensei que ia morrer lá atrás!

Depois de saltar sobre o corrimão no sétimo andar sem nenhuma corda de salva-vidas, o coração de Kamijou ainda estava pulsando em seu peito.

Enquanto corria ao longo da passagem reta, ele olhou em volta. Ele não acreditava totalmente no que a Index havia dito. Ele estava apenas tentando se afastar de Innocentius buscando conseguir algum tempo para se preparar.

— Droga! O que diabos é isso!?

Mas, Kamijou não pôde deixar de gritar quando viu o que estava diante dele.

Ele não precisava se perguntar onde as runas foram esculpidas no grande edifício do dormitório. Na verdade, ele já os havia encontrado. Estavam no chão, nas portas e no extintor de incêndio. Pedaços de papel do tamanho de cartões telefônicos estavam presos em todo o prédio, como Hoichi sem Orelhas. Hoichi sem Orelhas (Hoichi the Earless) é o nome de um personagem de conto e título em uma adaptação da mitologia japonesa. Sua história é bem conhecida no Japão, e a tradução inglesa mais conhecida apareceu pela primeira vez no livro Kwaidan: Histórias e estudos de coisas estranhas de Lafcadio Hearn.

Com base no conselho da Index (ele não gostava de ter que se lembrar daquele rosto de boneca), ele imaginou que a magia era algo como um sinal de interferência chamado barreira e as runas eram como as antenas que enviavam o sinal. Mas ele poderia arrancar cada uma das dezenas de milhares de "antenas"?

Com o rugido do oxigênio sendo absorvido, uma chama em forma humana caiu no lado oposto do corrimão de metal.

— Merda!!

Se ele fosse pego novamente, ele seria incapaz de arrancá-los. Kamijou imediatamente fez uma corrida para a escada de emergência ao seu lado. Como ele pulou cada vez mais para baixo, ele podia ver pedaços de papel colados nos cantos da escada e teto com estranhos símbolos que devem ter sido runas escritas neles.

Eles tinham sido claramente produzidos em massa com uma copiadora.

Kamijou quase gritou "Como é que uma cópia de merda como essa deveria funcionar!?", mas depois ele lembrou que o apêndice de mangá shoujo poderia ser usado para adivinhação de tarô e até mesmo a bíblia foi produzida em massa em uma gráfica.

“Eu sei… o oculto simplesmente é injusto”.

Ele sentiu vontade de chorar. Dezenas de milhares dessas "gravuras rúnicas" provavelmente estavam gravadas em todo o edifício. Ele poderia encontrar cada uma delas? E, pelo que ele sabia, Stiyl estava gravando novas cópias de papel naquele exato momento.

Como se para cortar sua linha de pensamento, Innocentius desceu da escada.

— Merda!!

Kamijou desistiu de descer mais a escada e correu para o corredor ao lado. Quando o deus flamejante gigante atingiu o chão, chamas se espalharam pela área e ele invadiu a passagem, mesmo quando ela bateu no chão.

A passagem era reta e Kamijou não tinha como despistar Innocentius quando se tratava de pura velocidade.

— …!

Kamijou olhou para a entrada da escada de emergência. Segundo o display, ele estava no segundo andar.

Com um rugido, Innocentius avançou para prender a mão direita de Kamijou.

— U-Uaou!

Em vez de usar a mão direita ou fugir pela passagem, Kamijou pulou a grade do segundo andar.

Foi só depois que ele pulou que percebeu que o solo abaixo era de asfalto e que várias bicicletas pararam ali.

— Uaaaaaaaahhhh!!!

Ele mal conseguiu pousar entre duas bicicletas, mas ainda assim aterrissou no asfalto duro. Ele tentou dobrar os joelhos para absorver o choque do impacto, mas ouviu um barulho desagradável de seu tornozelo. Ele tinha apenas saltado do segundo andar e não se sentia quebrado, mas ele tinha machucado o tornozelo um pouco do mesmo jeito.

Ele ouviu o rugido de chamas absorvendo oxigênio vindo de cima.

— !?

Kamijou correu pelo chão, chutando as bicicletas enquanto ele fazia isso, mas nada mais aconteceu.

— ?

Kamijou olhou para cima com um olhar confuso.

Ainda fazendo barulho, Innocentius estava agarrado à grade do segundo andar e olhando para Kamijou, que estava no chão. Era quase como se houvesse uma parede invisível impedindo-a de seguir o garoto.

Aparentemente, as runas só tinham sido colocadas no prédio do dormitório. Kamijou conseguiu escapar das chamas de Stiyl ao deixar o prédio.

Vendo aquele aspecto das runas o fez sentir como se agora soubesse um pouco sobre o sistema invisível da magia. Ele não estava contra um adversário ridículo como os mágicos em RPGs que podiam fazer qualquer coisa entoando um feitiço. Em vez disso, seu oponente agia com base em regras definidas semelhantes às que Kamijou conhecia.

Ele suspirou.

Tendo sido libertado de qualquer ameaça direta à sua vida, a força deixou o corpo de Kamijou. Ele se sentou no chão sem nem pensar. Ele não estava com medo. Em vez disso, ele foi agredido com um sentimento diferente que era mais como um esgotamento lânguido. Ele começou a se perguntar se poderia escapar de todo perigo se simplesmente fugisse.

— Eu sei. Anti-Skill. - Kamijou murmurou. No japonês original, Kamijou erroneamente refere-se a Anti-Skill como a polícia nesta cena.

Por que ele não tinha pensado nisso antes? A Anti-Skill da Cidade Acadêmica era algo como uma unidade especial anti-Esper. Kamijou poderia apenas notificá-los, em vez de arriscar sua própria vida.

Kamijou verificou o bolso da calça, mas seu celular foi esmagado sob o próprio pé naquela manhã.

Kamijou olhou para a estrada. Ele estava procurando por um telefone público.

Ele não estava fazendo isso para fugir.

Ele não estava fazendo isso para fugir.

Então você me seguiria até as profundezas do inferno?

E, no entanto, essas palavras ainda pareciam esfaquear seu peito.

Ele não estava fazendo nada de errado. Ele não estava fazendo nada errado e, ainda assim…

Naquela mesma situação, Index havia voltado para Kamijou Touma. Ele simplesmente não conseguia pensar em ir para o inferno com uma estranha que conhecia há menos de meia hora.

— Droga. Está certo. Se eu não quiser segui-la para as profundezas do inferno - Kamijou sorriu - Então eu só tenho que arrastá-la para fora dele.

Ele achou que já era hora de entender isso.

Ele não sabia como a magia funcionava, mas ele não precisava saber o que estava acontecendo onde não conseguia enxergar. Ele poderia enviar um e-mail sem precisar do diagrama do circuito de seu telefone celular.

Hã. Depois de entender isso, realmente não é como um grande truque.

Ele sabia o que tinha que fazer, então agora só precisava tentar.

Mesmo que ele falhasse, ainda era muito melhor do que não fazer nada.

Um corrimão de metal empenado e laranja brilhante caiu e Kamijou freneticamente rolou para fora do caminho.

Ele pode ter se decidido, mas ainda precisava fazer algo sobre esse Innocentius antes de poder salvar a Index. O verdadeiro problema eram as dezenas de milhares de runas. Mas ele poderia realmente arrancar todos aqueles pedaços de papel colados no prédio?

— Sabe, estou surpreso que o alarme de incêndio não tenha disparado com tudo isso acontecendo…

Tinha sido apenas um comentário improvisado, mas Kamijou Touma congelou no lugar quando ele disse isso.

O alarme de incêndio?

Os alarmes de incêndio instalados ao redor do prédio dispararam imediatamente.

— !?

Em meio àquele barulho atormentador que soou tão alto quanto um bombardeio, Stiyl olhou para o teto.

Sem um segundo de atraso, os borrifadores anexados enviavam uma chuva artificial feita como um tufão. Como convocar o corpo de bombeiros seria uma dor, Stiyl escrevera suas ordens para Innocentius de modo que não tocasse nos sensores de segurança. Isso significava que Kamijou Touma devia ter apertado o botão do alarme de incêndio.

Será que ele acha que apagaria as chamas de Innocentius dessa forma?

— …

A ideia era quase comicamente ridícula, mas o mago pensou que os vasos sanguíneos em sua cabeça iriam explodir quando ele pensasse em como estava ficando encharcado por uma razão tão estúpida.

Stiyl olhou para o alarme de incêndio vermelho na parede, aborrecido.

Era fácil o suficiente desligar o alarme, mas ele não conseguia parar sozinho. Como eram as férias de verão, a maioria dos moradores do dormitório estava fora, mas poderia ser um incômodo se os bombeiros chegassem.

— Hm…

Stiyl olhou ao redor da área e logo pegou a Index e saiu. Seu objetivo era simplesmente recuperar a garota, então não havia razão para ser pego em matar Kamijou. Dado o tempo que levaria para os bombeiros chegarem, ele poderia deixar Innocentius na perseguição automática e o menino receberia um belo abraço flamejante que o transformaria em carvão negro ou cinzas brancas.

“Isso não significa que o elevador está parado, não é?”.

Ele tinha ouvido falar que os elevadores foram feitos para parar durante as emergências. Isso seria muito deprimente para Stiyl. Ele estava no sétimo andar. Mesmo que fosse uma menina, levar uma pessoa inconsciente pelas escadas era cansativo.

Foi por isso que Stiyl ficou inicialmente aliviado ao ouvir o barulho de ding proveniente de um forno de microondas vindo de trás dele.

Mas então a ficha caiu para ele.

Quem foi? Quem estava no elevador?

Era a noite de férias de verão e ele já havia verificado se todos os alunos haviam saído do dormitório, deixando-o deserto. Então, quem era e por que eles precisavam do elevador?

As portas do elevador bateram quando se abriram. Um único passo no chão molhado dos borrifadores reverberou pela passagem.

Stiyl se virou lentamente.

Ele não tinha ideia de por que seu corpo estava tremendo por dentro.

Kamijou Touma ficou lá.

“O que? O que aconteceu com Innocentius?”.

Pensamentos se voltaram caoticamente na cabeça de Stiyl. Innocentius era como um míssil de ponta carregado em um lutador. Depois de bloqueado, nunca poderia escapar. Não importa para  onde você corresse ou se escondesse, ele usaria suas chamas de 3000 graus para derreter através de paredes ou obstáculos, mesmo se fossem feitos de aço, e continuaria atrás de você. Não era algo fácil de se escapar apenas correndo em volta de um prédio.

E ainda assim, Kamijou Touma ficou ali.

Ele permaneceu imóvel, imbatível, inatacável e, acima de tudo, um inequívoco inimigo natural.

— Parando para pensar sobre isso, runas devem ser esculpidas nas paredes e no chão, certo? - Disse Kamijou enquanto a chuva fria e artificial caía sobre ele - Realmente, você é surpreendentemente incrível. Para ser honesto, eu não teria como vencer se você tivesse esculpido com uma faca. Sinta-se à vontade para se gabar disso tudo se você quiser.

Enquanto ele falava, Kamijou Touma levantou o braço direito e apontou para acima de sua cabeça.

Ele apontou para o teto. No borrifador.

— Você não pode dizer! Aquelas chamas de 3000 graus não poderiam ser apagadas com isso!

— Não seja idiota. Não as chamas. Como você pôde colocar essas coisas em todas as casas das pessoas?

Stiyl, em seguida, recordou as dezenas de milhares de papéis rúnicos que ele montou no dormitório.

Papel é frágil contra a água. Até mesmo alunos do jardim de infância sabiam disso.

Pulverizando água em todo o prédio com os borrifadores, não importava se havia dezenas de milhares de runas. Ele não precisava correr ao redor do prédio. Em vez disso, ele poderia pressionar um único botão e destruir todos os pedaços de papel.

Os músculos do rosto do mago se espasmaram.

Innocentius!

No instante em que ele gritou isso, a porta do elevador atrás de Kamijou derreteu como uma escultura de açúcar e o gigante deus flamejante arrastou-se para a passagem.

Cada vez que as gotas de chuva atingiam seu corpo de chamas, elas evaporavam com o som da respiração de uma fera.

— Ha ha ha. Ah ha ha ha ha ha! Surpreendente! Você tem o senso de batalha de um gênio! Mas você não tem experiência. O papel de cópia não é o mesmo que o papel higiênico. Apenas ficar um pouco molhado não vai dissolver completamente! - O mago abriu os braços enquanto o riso explodia de sua boca e ele gritou - Mate-o!

Innocentius balançou o braço como um martelo.

— Saia do meu caminho.

Kamijou Touma fez essa declaração. Ele nem se virou.

A mão direita de Kamijou tocou o deus flamejante gigante em um golpe indireto e ele explodiu em todas as direções com um ruído ridiculamente patético.

— O qu-!?

O coração de Stiyl Magnus realmente parou por um instante graças ao choque.

Depois de ser destruído, Innocentius não reviveu. Pedaços de carne preta em forma de óleo combustível estavam espalhadas pela área e tudo o que podiam fazer era apenas se contorcer um pouco.

— Im...po...ssível… como… como! Minhas runas não foram destruídas ainda!

— E a tinta? - Pareceu demorar 5 anos para a voz de Kamijou Touma alcançar os ouvidos de Stiyl - Mesmo que o papel de cópia não tenha sido destruído, a água vai fazer a tinta sair. - Kamijou falou de forma descontraída - Embora isso não pareça ter cuidado de cada um deles.

As peças contorcidas de Innocentius desapareceram no ar, uma de cada vez, enquanto a chuva artificial continuava a fluir dos borrifadores.

Era como se a tinta do papel fotográfico, colada por todo o prédio, estivesse caindo na chuva, uma a uma, fazendo com que Innocentius perdesse o poder pouco a pouco.

Os pedaços de carne desapareceram um por um até que finalmente o último se dissolveu e se foi.

InnocentiusInnocentius!

As palavras do mago eram como as de um homem gritando em um receptor de telefone depois de ser pendurado.

— Agora.

Essa declaração foi o suficiente para fazer o corpo inteiro do mago recuar.

Kamijou Touma deu um passo em direção a Stiyl Magnus.

Innocentius… - O mago disse, entretanto nada no mundo o respondeu.

Kamijou Touma deu outro passo em direção a Stiyl Magnus.

InnocentiusInnocentius, Innocentius! - O mago gritou, entretanto nada no mundo mudou.

Kamijou Touma finalmente começou a disparar até Stiyl Magnus como uma bala.

C-Cinzas para cinzas, pó ao pó, Melindroso Crucifixo Sangrento! - O mago finalmente rugiu, mas nem mesmo uma espada de chamas apareceu, muito menos o deus flamejante gigante.

Kamijou Touma se aproximou de Stiyl Magnus e continuou ainda mais perto.

Ele cerrou o punho.

Ele cerrou a sua completamente normal mão direita. Ele cerrou a mão direita que não teria utilidade, a menos que estivesse usando em algum tipo de poder sobrenatural. Ele cerrou a mão direita que não o deixaria derrotar nem mesmo um único delinquente, que não aumentaria sua pontuação nas provas, e isso não o tornaria popular entre as garotas.

Mas, a mão direita também pode ser bastante útil.

Afinal, ele poderia usá-lo para perfurar o bastardo em pé diante dele.

O punho de Kamijou Touma bateu no rosto do mago.

O corpo do mago girou como um helicóptero de bambu e a parte de trás de sua cabeça atingiu o corrimão de metal.

Por Sora | 25/12/18 às 17:00 | Ficção Cientifica, Ação, Sobrenatural, Seinen, Japonesa, Comédia