O Clã Jaguar 01

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Autor: Kaio Silva da Guarda

Capítulo 01 – Abitirum

No início do século XXI o mundo avançava muito. Os meios de comunicação se modernizavam, as tecnologias chegavam cada vez mais ao alcance de todos. A Terra encurtava as distâncias.

            Em setembro de 2002, a internet era sensação em todos os lugares. Estar “on line” era moda, e os jogos de RPG faziam a cabeça das crianças, adolescentes e até mesmo de alguns adultos, só que isso não era feito mais em tabuleiros e sim, através de computadores. É nesse contexto que inicia a nossa história. E assim começa a grandiosa aventura do jovem Kzoi e seus amigos do Clã Jaguar, em busca do equilíbrio e da paz entre os mundos.

            Era 19 de setembro de 2002, dia do aniversário de 16 anos do jovem José, mais conhecido como Zé, morador da cidade de Jaguar, jovem branco, de cabelos negros, usava óculos e possuía olhos verdes. O adolescente, em seu quarto (durante a madrugada), estava eufórico, muito feliz pela data e ansioso, esperando o contato com seus pais nesse dia tão especial. Mais tarde, logo pela manhã, seu pai lhe perguntou o que queria de presente:

– Bom dia aniversariante! E ai? O que vai querer de presente?

– Uma conta especial de 5 meses do Caos em Raugaj, papusko! – Respondeu o garoto sem pensar duas vezes, extremamente empolgado, ao seu “papusko”, apelido carinhoso pelo qual o garoto chamava seu pai. Essa conta era uma espécie de acesso privilegiado, pago, a um famoso jogo de RPG, chamado Caos em Raugaj, que o garoto era viciado. Esse privilégio concederia ao jovem a possibilidade de jogar em todas as áreas do game, durante 5 meses, o que não era possível para quem não possuía essa conta especial (o formato sem pagar era limitado). Zé vinha esperando há muito tempo esse presente. Mas, mais do que imediatamente seu pai negou o pedido, fato que deixou o jovem muito triste. Ele apelou para sua mãe, mas a mesma concordou com o pai do garoto.

            Muito zangado, José foi para casa de seu amigo Doug, reclamar sobre o acontecido e aproveitar para colocar o papo sobre o jogo em dia, além de jogar um pouco o tal RPG. Doug era um jovem divertido, loiro e com um nariz enorme, um grande amigo de José. Eles passaram horas e mais horas nessa conversa, Doug concordava com a revolta do jovem, pois sabia da importância do presente negado. Enquanto jogavam, o vício pelo jogo era ainda mais perceptível, pois os garotos esqueciam o mundo real.

            Em casa, Zé trancava-se por horas em seu quarto e ficava na tela de seu computador, vidrado em seu jogo, ligado em suas caçadas, jornadas e aventuras. Apesar de não lhe fazer bem, pois andava muito mal na escola e com um relacionamento ruim com seus pais devido ao jogo. O jovem rapaz não abandonava seu vício, mesmo estando com uma conta normal, sem as facilidades da conta especial. Por esses e outros motivos, os pais dele resolveram cortar do garoto o acesso a internet e encaminhá-lo a um psicólogo. Ao ouvir uma conversa de seus pais, atrás da porta, em uma de suas raras saídas do quarto, ao ir na cozinha buscar água, ele fugiu transtornado para casa de Clara, sua grande amiga. Ele escolheu ir logo para a casa dela porque a garota vivia apenas com o pai, um médico muito ocupado, que mal aparecia em casa, e que tinha uma residência muito grande, por ser muito rico. José sabia que por esses motivos sua presença lá poderia não ser percebida. A jovem Clara, menina linda, de pele morena e cabelos negros e lisos, parecida com uma índia, também era muito viciada nesse jogo, mas não sofria o mesmo que seu amigo, por seu pai mal falar com ela, devido sua vida corrida, e também por ela ser uma ótima aluna. Na casa da garota eles conversaram muito.

– Clarinha, eles não podem fazer isso comigo. – Desabafou o com Clara, mas ela, muito sensata, apesar de apoiá-lo, não deixou de criticá-lo, pois sabia, por exemplo, da grande inteligência de Zé e que ele poderia render muito mais na escola, mostrando que compreendia os pais dele. Entre tantas coisas ela disse ao amigo:

– Eles não devem fazer isso com você, concordo, não é preciso. Mas Zé, você é inteligentíssimo, poderia ir bem melhor na escola e evitar pelo menos esse problema com eles.

Enquanto conversavam, através de uma mensagem de celular, Clara informou a Doug, também seu amigo, que José estava em sua casa e precisava de ajuda. Ao chegar na casa de Clarinha, Narigas – apelido de Doug – já foi reclamando com o amigo:

 – Qual foi meu “irmão”, porque não foi lá pra casa?

Zé explicou os motivos de escolher a casa de Clara, até porque Doug tinha três irmãos e uma irmã, além da mãe em sua casa, que era muito menor que a de Clarinha. Ele contou tudo para seus amigos, explicando que não poderia viver sem seu jogo, que não era maluco pra ser tratado e que já estava em um estágio muito avançado, quase completando no jogo a Jornada do Místico Fógus.

            Após conversarem e jogarem muito, Doug foi para sua casa, Clara continuou jogando e Zé pegou no sono depois de um dia muito cansativo.

            Algo inacreditável estava acontecendo. Ao acordar José não estava mais na casa de Clara, estava em uma sala toda branca, com uma pedra negra flutuando ao centro, ele estava deitado no chão, ainda sonolento, todo vestido de branco. O mais estranho de tudo é que ele conhecia o lugar em que estava, mas não se recordava que local era esse. De repente surge um homem, com uma barba negra muito grande, vestido com um manto preto, aparentava não possuir braço esquerdo e na mão direita tinha um cajado. Na extremidade superior desse cajado tinha uma pedra muito parecida com a flutuante que estava no meio da sala, mas bem menor. O garoto, muito assustado, começou a perguntar ao homem quem ele era, o que ele estava fazendo ali, que brincadeira era aquela, enquanto ia cada vez mais para o canto da sala. Depois de um primeiro contato tumultuado, o homem se apresentou para o jovem. Quando soube o nome do homem, Zé se assustou, pois imediatamente reconheceu o lugar onde estava. Muito assustado e ao mesmo tempo impressionado, ele alterou a voz mais uma vez, perguntando quem era o autor dessa brincadeira sem graça, quem foi que montou uma peça pra ele, representando o início do jogo Caos Raugaj, ele estava muito agitado e nervoso. Com um toque do cajado, Josef Inicius, nome do homem sem o braço esquerdo, imobilizou o jovem para acalmá-lo (usando sua mágica), e com a demonstração de algumas magias – como fazer aparecer (sumonar) e, logo após, desaparecer, um Kuellus (espécie de coelho gigante de pequenas orelhas e inofensivo, existente naquele mundo) no meio da sala – o convenceu que estava realmente em Abitirum, cidade onde se iniciava a jornada por Raugaj Arauq. O garoto, ainda impressionado, curioso, olhando para todos os lados, começa a observar tudo admirado.

            Inicius fala pra Zé por a mão na pedra flutuante e dar inicio ao ritual de inclusão do garoto no Mundo Raugaj Arauq. Ao perguntar o nome que jovem queria ser conhecido em Raugaj, ele imediatamente responde, ainda sem acreditar no que estava acontecendo, “Kzoi de Jaguar”, mesmo nome de seu personagem no jogo quando ele estava no mundo real. Josef Inicius confere o nome na lista do pergaminho mágico e vê que ele se encontra lá, pois apenas os presentes no pergaminho podem ter acesso. Com seu cajado o homem toca na testa de Kzoi, como José passará a ser chamado, manda-o fechar os olhos e o insere em seu novo mundo.

            Ao abrir os olhos, Kzoi avista grandes árvores, tão grandes quanto montanhas, bonitas casas de madeira e sente um ar puro nunca antes sentido. Ao seu lado estava um homem idêntico a Josef Inicius só que com a barba verde e todo vestido dessa mesma cor, também possuía apenas um braço, só que o braço oposto ao que Inicius pussuía. Era Josef Continuos, irmão gêmeo de Inicius e guardião de Abitirum, novo lar do jovem garoto, local onde iria descobrir e aprimorar suas habilidades. Continuos fala pro garoto sobre suas 3 opções de especialização para sua ida a Osnopha (uma espécie de capital de Raugaj Arauq), cidade onde apenas os especialistas podiam viver, pois apenas eles estariam preparados para uma cidade tão perigosa, cheia de aventuras. Ou seja, Abitirum seria uma espécie de passagem para Osnopha. O homem de barba verde lhe falou sobre suas opções: Os Guerriunos, guerreiros, aqueles mais fortes fisicamente, que aprenderiam pouquíssimas magias e muito sobre lutas e manuseio de escudos e armas cortantes; Os Místicos, magos, mais fracos fisicamente, porém extremamente inteligentes, aprenderiam muito pouco sobre lutas e armas, mas seriam os melhores no domínio de todos os tipos de magias, podendo até criar novas magias; e, os Arks, arqueiros, uma mistura de Guerriunos com Místicos, bons com armas cortantes, não como os guerreiros, bons com magias, não como os místicos, mas com um diferencial, ótimos arqueiros. Kzoi estava ansioso pra começar os estudos e os treinamentos para saber qual sua especialidade. Continuos o encaminhou para o pensionato da Senhora Gamel Cleris, onde ele moraria durante sua estada em Abitirum. Srª Gamel, mulher muito baixa, cabelo curto, dentes amarelados, com aparentemente seus 60 anos (baseado na noção de idade na Terra) e muito simpática, o recepcionou muito bem, explicou as normas da casa, os horários e lhe apresentou seus aposentos e seu companheiro de quarto, o jovem Oriam Nores, figura engraçadíssima, sorridente, negro, forte, alto, que já tinha 4 anos em Abitirum, sem conseguir ir para Osnopha, sem encontrar sua especialidade. Oriam era um jovem muito atrapalhado e desconcentrado, o que não o ajudava a especializa-se, mas que o tornava muito divertido, mesmo não sendo essa a sua intenção. Começava ali uma grande amizade. Conversaram por toda noite, Kzoi queria saber sobre essa sua nova realidade, conversaram tanto até dormirem sem se quer perceber. Oriam era muito curioso. O próximo dia seria de grandes novidades.

            No outro dia, muito cedo, Senhora Gamel já servia o café para todos os moradores de seu pensionato. Kzoi de Jaguar chegou à mesa animado e ansioso, enquanto Oriam Nores chegou a mesa cansado e com muito sono. Kzoi tentou animá-lo, mas sem muito sucesso, porém aos poucos Oriam Nores foi animando-se naturalmente e começando suas brincadeiras, que pareciam eternas e, talvez, despretensiosas, sem levar nada a sério. Após o café, eles, juntos com todos do pensionato (eram 8 no total) foram para o IEGMA – Instituto de Especialização para Guerreiros, Místicos e Arks. Chegando lá, Kzoi ficou admirado com o instituto, muito grande, imponente, lembrava as grandes mansões de seu mundo de origem, só que muito mais rústico e todas as pedras que erguiam tal construção eram branquíssimas, como as nuvens. Todos os alunos foram direto para o salão de festas. Apesar de seguirem o caminho informado, eles não avistaram o local desejado. O salão era muito grande e muito bonito, tinha um formato circular e parecia ser ao ar livre, mas na verdade era cercado e coberto por vidro, quem estava fora não via nada de dentro – por isso os alunos não estavam encontrando-o –, parecia ser só paisagem, mas quem estava dentro podia observar tudo do lado de fora. Lá, foram recepcionados pelo diretor da escola, Kássius Magma, Místico, homem aparentemente jovem, cabelos lisos e longos, sem barba, pele limpa e clara, aproximadamente 1,80m de altura e muito sério. Kássius deus as boas vindas aos antigos e novos estudantes, explicou sobre as regras da escola, e qual o intuito da instituição. Durante seu discurso, ele explicou que a média de anos para especializar-se na IEGMA, para poder ir para Osnopha era de 2 anos e meio, e que em toda história apenas 2 estudantes conseguiram passar para Osnopha em 6 meses de estudo e treinamento. Eles foram, Chabal Valdívia, considerado o maior Místico que já existiu, e o professor de disciplina dos garotos, o intrigante Marcus Magma. Enquanto Kassius Magma falava, Oriam repetia, em tom baixo, as palavras ditas pelo diretor, pois já tinha ouvido aquela palestra inúmeras vezes. Kássius também apresentou aos garotos seus futuros professores: Bob Gladiador, homem extremamente forte, moreno, peludo, rústico e habilidoso, mestre em lutas e manuseio de armas; Kat Mágica, uma loira muito linda, olhos claros, cabelo enorme e liso, mestra em magias, controle e criação; Josef Arquerius – irmão de Inicius e Continuos – idêntico aos irmão, diferenciando apenas a cor da barba e do manto, ambos vermelhos, além de ser o único da família a possuir os dois braços, mestre em arco e flecha, com algumas noções de lutas e magias; e, o temido e mal encarado, Marcus Magma, o único do Instituto participar da batalha contra o Místico Fógus (ao lado de Chabal Valdívia), irmão mais velho de Kassius (diretor), tutor de comportamento. Marcus era uma versão mais velha, barbudo e grisalho de Kassius. Dizem que ele, depois de Chabal, foi o maior de todos os representantes de Raugaj Arauq, sendo considerado o maior Arkmago que existiu, porém, todos creditam sua postura amargurada, ao fato de viver com o carma de ter abandonado Valdívia na grande batalha contra o Místico Fógus.  Ele não fala mais sobre o assunto, o que cria ainda mais dúvidas sobre esse episódio de Raugaj. Começava ali uma nova época de muito estudo e esforço para todos aqueles jovens.

            Depois de algumas semanas na mesma rotina: acordando cedo, indo pra o IEGMA, estudando e treinando as 3 especialidades, voltando pro pensionato, Kzoi, em uma de suas atividades na escola, especificamente na aula de criação de magias, com a professora Kat Mágica, tombou (sem querer) em um jovem, com aproximadamente a mesma idade que a sua, ruivo e mal encarado. Kzoi de Jaguar pediu desculpas, mas o garoto nem o respondeu, o ignorou totalmente e seguiu com a “cara fechada”. Oriam viu a curiosidade de Kzoi e explicou quem era o garoto, informando que assim como Kzoi o jovem também tinha acabado de chegar em Abitirum, e possuia ótimas referências. O nome dele era Cristian Valdívia, único filho do maior Místico de todos os tempos, a sua chegada já era esperada por todos no Instituto, desde o ano anterior. Começava ali uma grande desconfiança entre os dois garotos, o destemido e esforçado Kzoi, e o fechado e não menos esforçado Cristian.

            Aproximadamente 2 meses depois, os professores, junto com o diretor e o vice-diretor – que não estava no dia da recepção dos alunos – Josef Ensinius (homem velho, de barba e manto brancos, pai de Inicius, Continuos e Arquerius), estavam comentando em sua sala de reuniões sobre o desempenho brilhante de Cristian Valdívia e Kzoi de Jaguar. Kat elogiou muito Kzoi, mas elogiou ainda mais Cristian, devido sua habilidade excepcional com as magias. Marcus também elogiou Cristian, de maneira discreta, mas não falou nada de Kzoi, garoto com o qual ele aparentava não se dar bem, por motivo desconhecido. Porém, tanto Bob Gladiador quanto Josef Arquerius também elogiaram muito o jovem Kzoi, o que intrigou o velho vice-diretor, que pediu para seu filho Arquerius buscar na biblioteca (gigantesca, com livros falantes e voadores) da Senhorita Milly, simpaticíssima bibliotecária, o LTS, Livro que Tudo Sabe. Após consultar o livro, que só tinha páginas em branco e que ao abrir começavam a aparecer palavras que desapareciam após alguns segundos, o velho Ensinus lia atentamente para seus colegas:

“Em tempos não muito distantes, surgirão duas novas forças que

conseguirão mais uma vez enfrentar o Místico do mal mais poderoso.

Uma força com o maior de todos os talentos específicos, e a outra

com o maior conhecimento de todas as especialidades. Só os detentores

dessas forças poderão controlar os itens sagrados. Mas existe um porém:

apenas juntos eles poderão vencer”.

            Josef Ensinius comenta, emocionado e assustado, que já tinha ouvido esse trecho há muitos anos, logo depois da batalha que terminou na morte de Chabal, lido exatamente da mesma forma pelo antigo diretor da instituição. O silêncio reinou na sala, todos passaram a refletir, pois o talento dos dois garotos era muito grande, e se encaixava perfeitamente com o que o livro que tudo sabe mostrou. Kassius, depois desse silêncio, pediu imediatamente atenção especial com os dois jovens, solicitando um relatório de cada professor para ser entregue em 1 mês.

            Cristian, sem saber o motivo, passou a ter apenas aulas de Magia, o que ele tinha que aprender das outras áreas ele já tinha aprendido, e era nítido que sua especialização seria para Místico. Começou a aumentar sua capacidade mágica, sumonando criaturas, criando pedras mágicas, controlando cada vez mais seu Shun (energia mágica). Já Kzoi intensificou suas atividades nas 3 aulas, nas aulas de Bob em que antes treinava apenas com os colegas e com o professor, passou a duelar com várias criaturas relativamente perigosas, aranhas gigantes, minotauros fortíssimos, malvados orcs, entre outras criaturas estranhas. Nas aulas de magia passou a trabalhar mais com magias menos poderosas, porém muito importantes, como recuperar suas forças, fortalecer armas e sentir a presença de inimigos através do Shun. E nas aulas de arqueiro treinou mais do que nunca, estava claro que com tais características ele seria um Ark, passando a ter uma ótima relação com o professor Josef Arquerius, que lhe ensinou muitos segredos. Porém, essa nítida preferência por esses dois alunos criou uma barreira muito maior entre os dois garotos, que já não se gostavam, e com esse ar de competição passaram a se evitar ainda mais. Após um mês muito corrido, de treinamentos e estudos muito puxados, o relatório de cada professor, inclusive de Marcus, que ficou todo tempo observando os dois garotos e seus comportamentos, foram entregues ao diretor. Kassius ficou surpreso com os relatórios, alunos como os dois jamais tinham passado por Abitirum, já era hora dos dois irem para Osnopha. Pela primeira vez na história de Abitirum e do IEGMA, dois alunos conseguiram especializarem-se com o pouquíssimo período de quatro meses. O diretor e o vice diretor chamaram os dois jovens até a sala de reuniões para informá-los.

            Kzoi estava no quintal do pensionato, treinando com Oriam, que só queria brincadeira, sempre desconcentrado, quando Tico Pequenino, pequeno homem de aproximadamente um metro, chegou em uma espécie de cachorro voador azul, para informá-lo do chamado de Kassius e Ensinius – Tico era uma espécie de ajudante e braço direito de Josef Ensinius. Já Cristian estava em seu quarto, na antiga casa de seu pai, tendo uma conversa muito secreta com Marcus Magma, quando Tico chegou em sua varanda para passar o informativo. Tico ficou intrigado, pois o garoto Cristian era muito fechado, e tinha tanto contato com Marcus, que era considerado por muitos o traidor de seu pai.

            Quando Cristian chegou na ante sala de reunião do IEGAM, Kzoi já estava lá, acompanhado de Oriam. Os professores chamaram para sala os dois jovens, Oriam Nores ficou aguardando do lado de fora, extremamente curioso e imaginando o que estava acontecendo na sala. Kassius foi logo falando o que estava acontecendo, que os dois já estavam preparados para começarem suas jornadas em Osnopha, que Cristian seria Místico e que Kzoi seria Ark, elogiando os dois e comentando como é difícil sobreviver em Osnopha, falando das dificuldades em relação a resistir o lado mal, pois alguns jovens de Abitirum que se revoltaram e passaram a participar de Clãs do comando místico do mal, e de ter cuidado com as grandes e ferozes criaturas que até então os dois jovens só conheciam através de livros. Ensinius, mais sereno e mais acolhedor do que o sério Kassius Magma, deu conselhos aos jovens, para comportarem-se bem, respeitarem sempre seus rivais, sejam eles criaturas ou outros homens. Quando Ensinius começou a falar em algo que terminaria na frase lida no LTS, Kassius o interrompeu mudando de assunto e avisando para os jovens arrumarem suas coisas, pois em dois dias eles partiriam para Osnopha. Depois que os garotos saíram da sala, Ensinius perguntou a Kassius sobre o motivo dele não ter o deixado falar sobre o destino dos garotos. Kassius Magma explicou que é um carma muito grande, e que eles ainda não estão preparados para saber, e informou a Josef Ensinius que deu a missão de acompanhar os garotos em Osnopha para Toni Oravla, seu amigo de infância e um dos melhores alunos da história do IEGMA. O velho Josef ficou tranquilo, pois sabia que os jovens estariam bem acompanhados e que Toni falaria o que fosse preciso para os garotos no momento certo.

            Após a reunião, Oriam “perturbou” Kzoi da saída da escola até a chegada no pensionato, querendo saber o que foi dito na sala, mas o jovem parecia estar em outro mundo, pensativo, sem nem prestar atenção em seu amigo. Porém, quando entrou em seu quarto, Kzoi resolveu contar para Oriam Nores o que aconteceu, com a promessa de que ele não contasse para ninguém, Oriam jurou de pés juntos e de uma maneira muito engraçada. Kzoi de Jaguar contou tudo para o jovem e depois eles dormiram. No outro dia no Instituto todos cumprimentavam Kzoi e Cristian, e Kzoi tinha certeza que quem contou para todos o acontecido foi Oriam Nores, mas não se irritou, apesar de ter reclamado, com bom humor, com o amigo. Cristian era menos felicitado pelos colegas, até por que ele estava sempre isolado de todos, sempre com sua cara séria. Porém, recebeu um abraço muito caloroso de Marcus Magma, que cumprimentou Kzoi apenas com um gesto com a cabeça. Eles se despediram de todos e foram passar sua última noite no IEGMA, nos quartos especiais para os futuros especialistas, onde todo e qualquer estudante que já tem sua ida certa para Osnopha tem que ficar. Antes disso, Kzoi conversou com o amigo Oriam, falando para ele se esforçar, pois o esperará em Osnopha, para ajudá-lo a evoluir mais e conseguirem juntos serem os maiores representantes do bem em Raugaj Arauaq. Oriam Nores ameaçou choramingar, falando que não conseguiu em quatro anos o que Kzoi de Jaguar conseguiu em quatro meses, mas antes disso Kzoi o interrompeu e falou pra levantar a cabeça, disse que acreditava nele, e que tinha a certeza que ele iria conseguir, pois sabia que se ele levasse a vida com um pouco a mais de seriedade ele conseguiria passar com facilidade, e ainda deu um conselho, mandando o jovem se dedicar mais as aulas do professor Bob, pois tinha certeza, pela sua força física, de que Oriam seria um ótimo Guerreiro.

            Já no quarto, Kzoi, ao se levantar tarde da noite, escutou o fim de uma conversa entre Marcus Magma e Cristian Valdívia, nos corredores do Instituto. Ouviu Cristian afirmar para Marcus que estava tudo combinado. Kzoi de Jaguar ficou intrigado, pois não tinha ideia do que poderia ser, mas sabia que Cristian e Marcus eram duas pessoas de mal com a vida. O jovem voltou a cama e ficou pensando sobre essa loucura que sua vida se tornou, se seria um sonho, se seria verdade, que, caso seja verdade, qual seria o motivo disso estar acontecendo. Porém, antes de pegar no sono, ele deu um sorriso, demonstrando a felicidade que estava por estar participando dessa aventura.

            No outro dia, eles foram para o morro mais alto de Abitirum, onde tinha uma pedra flutuante verde, onde Josef Continuos já os esperava, junto com seu pai e o diretor Kassius Magma, para transportá-los para Osnapha. Antes, Kassius iniciou, junto com Ensinius, o procedimento de especialização, transformando Cristian em Mistico e Kzoi em Arkmago, com o Shun que emanava de seus corpos, uma espécie de áurea verde e brilhante. Em poucos segundos eles já estavam transformados, já aparentavam mais confiança, mais força, mais seriedade, até seus traços faciais estavam mais fortes. Kzoi ganhou arco e flechas mágicos – que nunca acabavam – e uma roupa especial para sua especialização e Cristian ganhou pedras mágicas, um manto mágico e um cajado de madeira com um grande rubi na ponta. Depois disso, Josef Continuos pediu para os jovens tocarem na pedra flutuante, um de cada vez. Cristian foi primeiro, ao tocar na pedra, Continuos tocou com a pedra verde da extremidade de seu cajado na testa de Cristian, o enviando para Osnapha. Kzoi, antes de continuar com o mesmo procedimento de Cristian, deu um abraço bem forte em J. Continuos, Kassius M. e um muito especial em Josef Ensinius, pedindo a todos para enviarem felicitações aos professores e alunos, e cuidarem com carinho de Oriam Nores. Kassius lhe falou para confiar em Toni Oravla, guerreiro que o encontraria em sua nova morada. Logo após tocou na pedra e Continuos também o mandou para Osnopha, local onde um simples erro pode significar a morte.

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By | 2017-03-13T19:16:18+00:00 10/12/2016 as 11:39|O Clã Jaguar|23 Comments

About the Author:

Scryzz
Gamer, Otaku e Trophy Hunter. Fã absoluto de One Piece, Dragon Age, CSR, TDG, PS3, PS4, PSV, Cinema, Música e, é claro, Linkin Park!
  • Elonyson

    Josef Inicius e Josef Continuos, pqp ahuehauehaeuhaeuh A minha foto me define nesse momento

    • Kzoi

      kkkk

  • antonio Garcia

    parece bem legal, vou acompanhar. obrigado pelo capítulo.

    • Kzoi

      Sou suspeito a falar Antonio rsrs, por ser o autor, mas de fato a história é bem legal e original. Conforme avançarem os capítulos teremos uma crescente muito interessante … Obrigado por acompanhar!

  • Kzoi

    Gostaria de agradecer a Saikai Scan pela oportunidade de poder compartilhar minha (agora nossa) história! Torço para que todos gostem. Obrigado!

    • Elonyson

      Você que escreveu? Parabéns cara, criatividade nota 1000 (Vide meu comentário) haushsausahu Parece ser muito interessante

      • Kzoi

        Sim Elonyson … kkkk … Obrigado! Desde 2009 essa história está pronta, mas nunca pensei em lançar, até que a Equipe Saikai Scan viu potencial no conteúdo e me propôs a parceria … aí, estamos aí! kkkk Acompanhe!!! Lhe garanto que vai gostar! Abraço!

    • ✞ ◤Otaku◢✞◤ON◢✞

      cara acho q seria bom vc n usar uma linguagem tão formal, principalmente nas conversas, tipo se vc olhar as outras novels eles usam linguas menos formais ja q não são proffessores lendo

      • Kzoi

        Valeu pelas dicas Otaku, na verdade tenho o livro pronto faz 7 anos, e aqui estamos adaptando o livro para o formato de novel … tentarei melhorar nos próximos capítulos, obrigado pelas dicas e pelo apoio!!!!

  • vairor

    alerta de spoiler: o irmão mais velho de josef ensinius é o lendário josef climber

    • Kzoi

      kkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Spell

    Faltou o “Baseado em zueiras reais” ahsuahsa
    Raugaj é Jaguar ao contrário.
    Vou acompanhar, parabéns pelo trabalho Kzoi.

    • Kzoi

      kkkkkkk Acompanhe e entenderá o porque de “Raugaj é Jaguar ao contrário” … obrigado pelos parabéns e por acompanhar!

  • BloodKnight

    Obrigado e parabéns Kaio Silva da Guarda pelo projeto………………..=D

    • Kzoi

      Obrigado você BK! =)

  • matheus

    coloca alguns espaços nos textão as vezes eu me perco

    • Kzoi

      Valeu Matheus, tentarei ver isso com a equipe Saikai!! =)

  • ✞ ◤Otaku◢✞◤ON◢✞

    josé, mais conhecido como zé, ja rachei nessa partida

    • Kzoi

      kkkkk

  • ✞ ◤Otaku◢✞◤ON◢✞

    uma sugestão seria ele não usar uma linguagem tão forma. parece q to lendo uma historia de um livro de portugues

    • Kzoi

      A princípio era uma história nesse formato rsrs … estamos adaptando para o formato novel =)

  • Linley dragon

    Gostei!!! Parabéns pelo projeto Kzoi. vou acompanhar. 👌

    • Kzoi

      Obrigado! Você vai gostar! =)