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Autor: Kaio Silva da Guarda

Capítulo 02 – Osnopha

Ao chegar em Osnopha, Kzoi sentiu um encanto muito especial, porém acompanhado de um medo muito grande. Era tudo muito parecido com o jogo. Ele chegou é um templo gigantesco, lotado de Guerreiros com as mais diversas armaduras, Místicos com itens de magias dos mais variados e Arks com arcos extremamente interessantes. Esse templo lembrava-lhe os grandes shoppings de seu mundo de origem, só que com caráter muito mais rústico, com quase tudo feito de madeira e de pedra. Ele não sabia bem se o sentimento que estava a sentir era medo, mas pela primeira vez em sua aventura, ele sentiu saudade dos seus pais. Esse templo era o CRNO – Centro de Relacionamento e Negociações de Osnopha – uma espécie de “Centro de Convenções” gigantesco, onde os moradores de Osnopha podiam se relacionar sem o risco de batalha ou de aparecer criaturas ferozes, além de poderem negociar itens preciosos. O CRNO era protegido por uma magia, que impedia qualquer tipo de ação violenta em seu território.

            Toni Oravla encontrou o Ark Kzoi de Jaguar e se apresentou. Ao perguntar por Cristian, Kzoi não soube responder, pois o garoto tinha desaparecido completamente. O experiente guerreiro não ficou tão preocupado com o jovem místico, pois Josef Ensinius já o havia alertado sobre um possível desaparecimento do garoto, principalmente após ouvir o relato de Tico Pequenino sobre um encontro entre o jovem e Marcus Magma. Toni ia apresentando o CRNO para Kzoi, suas lojas, pousadas, bares, restaurantes, enquanto procuravam por Cristian. Kzoi ficava admirado com a grandeza do local, com a diversidade de pessoas, com o modelo rústico do lugar, muita madeira usada nas estruturas, árvores e animais dóceis e estranhos misturados com os imóveis, e uma cobertura de vidro incrível. Toni explicava para o jovem que o Centro era um dos poucos lugares protegidos pelo Shun Maior, energia que impedia qualquer tipo de conflito dentro de alguma localidade. Resumindo, fora do CRNO o jovem teria que ter muito cuidado, pois poderia encontrar em seus caminhos representantes do Clã do Mistico Fógus ou criaturas como Dragões, Rock Gigantes, Chameskas, Carniceiros, Sumonadoras, Múmias, Felinários, Sugadores, Cobronas, Grotescos entre outras temidas criaturas que o jovem estudou no instituto. Eles não encontraram Cristian, que provavelmente seguiu seu caminho sozinho. Assim, após muita procura, decidiram ir para casa de Toni, na qual Kzoi seria hóspede enquanto aprendia algumas coisas sobre Osnopha. No caminho para casa, Toni Oravla continuou falando sobre a cidade para o garoto, explicando que quanto mais ele caçasse mais forte ele ficaria, mas que teria que tomar muito cuidado, pois qualquer descuido na frente de uma fera daqueles poderia significar a morte, não era mais o IEGMA, era perigoso de verdade agora. Toni era um homem muito experiente, tinha muito o que ensinar, era um dos Guerreiros mais fortes e respeitados de toda Raugaj Arauq.

            Ao chegar em casa, Kzoi ainda tinha várias dúvidas sobre a cidade e seus habitantes. Toni se dispôs a responder todas as perguntas que o garoto quisesse fazer. O jovem começou querendo saber o porquê de Chabal Valdívia ser considerado o maior Místico de todos os tempos sendo que o Místico Fógus o derrotou. Toni sorriu e explicou que Místicos são apenas os homens, e entre os homens Chabal foi o maior de todos os Místicos, e falou para o garoto que o Místico Fógus era uma criatura e não um homem, chamado de Místico apenas por ter grandes semelhanças com um, no que se refere a magias, porque fisicamente era completamente diferente. Isso gerou uma dúvida ainda maior no garoto, que quis saber o que leva jovens a seguir o Clã desse Místico, já que ele é uma criatura diferente e não um homem. Toni Oravla lhe disse algo que o garoto jamais iria esquecer em sua vida, que o poder mexe com as pessoas, e que essa busca pelo poder, pelo domínio do outro, fortalecia cada dia mais o Clã inimigo. E que o Clã do Bem nunca poderia desistir de uma Osnopha pacífica e unida. Kzoi então passou a entender que Osnopha estava dividida em duas, e que teria que ficar muito atento em locais que não fossem protegidos pelo Shun Maior. Toni avisou que eles teriam que dormir, pois o outro dia seria cansativo, o garoto ainda tinha muito o que aprender. Mas antes de pegar no sono, Kzoi lembrou dos amigos de Jaguar, Doug e Clara, e de seus pais.

            No outro dia o garoto acordou muito cedo, antes até que o Guerreiro Toni, e foi tentar caçar alguma criatura sozinho. Entrou na mata sombria e escura, andou bastante, até que escutou perto de um campo uivos parecidos com os de lobos, só que muito mais imponentes, se aproximou aos poucos e viu que eram dois Grotescos, criaturas amedrontadoras, tinham olhos vermelhos, cabeça de lobo e corpo de homem, só que muito grande, chegavam a ter dois metros e meio de altura. O garoto conhecia muito bem aquelas criaturas na teoria e sabia que poderia caçá-las, mesmo sem a experiência prática. Ele concentrou o seu Shun, sem ser visto pelos Grotescos, e evocou a magia Velox Max, que lhe dava uma velocidade até quatro vezes maior que a normal e chamou a atenção das criaturas. Conforme as duas bestas corriam para atacar o garoto, ele se afastava e usava seu arco para atacá-las com flechas em chamas de magia, a mira do jovem era magnífica. Tática perfeita para situação, pois se uma criatura daquelas chegasse perto de Kzoi, sem dúvidas ele sairia muito ferido, isso se conseguisse fugir. Aos poucos as criaturas ficavam enfraquecidas, mas na mesma proporção a velocidade mágica do jovem ia diminuindo, o que o deixava muito apreensivo, pois seu Shun estava cansado e não tinha como evocar a Velox Max mais uma vez. Porém, em um golpe de sorte, uma das criaturas fugiu e a outra tinha acabado de receber uma flechada certeira. Kzoi avistou uma luz, era um diamante, que flutuava sobre o corpo da fera abatida. O jovem sabia que em algumas caçadas as criaturas abatidas poderiam conceder itens mágicos ou armas para seus caçadores. Ele se aproximou e pegou o diamante, pequeno, mas bem pesado para seu tamanho. E foi aí que a confusão começou! Três Guerreiros avistaram o garoto pegando o diamante, se aproximaram e exigiram o item. Kzoi se negou a entregar, disse que ele abateu a criatura e que o prêmio era dele. Os três perguntaram ao jovem se ele não tinha entendido, eles eram do Clã do Fógus, e estavam exigindo o item, em troca de deixarem ele ir embora, em paz. Foi aí que Kzoi fez besteira, ao mandar os três tentarem tirar a pedra dele. Eram três Guerreiro fortes, com armaduras resistentes. Um possuía como arma uma espada, o outro um machado e o outro uma lança, muito imponentes. Eles sorriram muito e partiram para cima do jovem Ark. A coisa estava feia, o garoto não sabia que ataque ou que defesa usar, estava muito nervoso. O líder do grupo se aproximou e lançou a espada na direção do garoto, que se abaixou sem reação. Do nada surgiu um escudo que defendeu o golpe. Era Toni Oravla, que, com apenas um olhar mal encarado, colocou os três para correr, pois eles sabiam quem era aquele Guerreiro. Toni estendeu a mão para Kzoi, que estava caído, com muita raiva, vergonha e muito assustado.

            Voltando para casa nada foi dito. O garoto não queria conversar. Mas ao chegar em casa Toni conversou com o jovem que, atento, e com os olhos cheios de lágrimas, apenas escutava, nada falava. O Guerreiro disse que estava o tempo todo observando o garoto, à distância, que viu a batalha do Ark contra os Grotescos, o elogiou muito, falou que o jovem usou a tática perfeita para a ocasião, e que ele mesmo só conseguiu abater um Grotesco com mais de um ano em Osnopha, afirmou que o garoto estava de parabéns, que era um feito inédito para quem tinha acabado de chegar. Mas reclamou pelo jovem ter saído sozinho, que ele ainda não está preparado para andar por aí nessa cidade, que Onopha ainda é muito perigosa para um Guerreiro como ele, imagine para um jovem Ark, recém chegado. Reclamou também da atitude do garoto em não ter dado o item para os três Guerreiros. Disse que admirou a coragem do jovem, mas que só se deve reagir daquele jeito quando tiver condição de enfrentar, seja quem for o rival. A verdade é que o garoto teve muita sorte de Toni estar por perto.

            Kzoi, ainda com muita raiva, foi para frente da casa e ficou refletindo enquanto olhava para as imponentes montanhas atrás das grandes árvores. Depois de muito tempo sozinho, ele foi até Toni e perguntou sobre o diamante que tinha encontrado, para que servia. Toni Oravla disse que era o Diamante das Buscas Possíveis, item de caça raríssimo, que o garoto poderia escolher três pessoas para lhe fazer companhia em Osnopha e que, se fosse possível a vinda dessas pessoas, o diamante atenderia, mas se não fosse ele se autodestruiria. A vinda dessas pessoas seria uma espécie de aceleração do tempo, como se elas chegassem a IEGMA, estudassem, treinassem, e se especializassem, só que tudo isso em dois dias, como se o tempo passasse em grande velocidade, essas 48 horas valeriam por anos. Ele também explicou para o garoto que não era fácil fazer o diamante funcionar perfeitamente, pois as pessoas chamadas já chegariam em Osnopha especializadas, ou seja, isso só seria possível se os nomes dessas pessoas estivessem na lista que Josef Inicius cuidava ou que já estivessem em Abitirum. Disse também que se o garoto quisesse vender o item, com certeza ele encontraria ótimas propostas no CRNO. Kzoi fez aquele olhar, de quem já sabia o que iria fazer, e abriu um sorriso no rosto. Toni aproveitou o papo com o garoto e o convidou para irem na casa de um amigo, que o ajudaria a treinar o garoto. Kzoi aceitou e assim eles foram.

            Em um lugar muito diferente de onde Toni morava, pois a residência do Guerreiro era bem isolada, longe de quase tudo, estava a casa do seu amigo, numa rua cheia de casas engraçadas, diferentes, esquisitas, umas pareciam está de cabeça para baixo, outras eram bem coloridas, outras tinham chapéus, sempre muito interessantes. Nesta rua só moravam Místicos do Clã do Bem. Para dizer a verdade, nessa rua especificamente moravam os Místicos mais engraçados e criativos, além de loucos, de Osnopha. Ao bater na porta da casa de seu amigo, Toni Oravla e Kzoi de Jaguar escutaram uma explosão, se assustaram um pouco, mas logo perceberam que o som veio de dentro da casa do Místico. O dono da casa abriu a porta e Kzoi não controlou seus risos, pois o amigo de Toni estava com o rosto coberto das cinzas da explosão, além dele ser uma figura muito engraçada, gordo, estatura média, careca e muito sorridente. Já chegou dando um forte abraço em Toni e convidando-o para entrar. Ao entrar, Toni o apresentou, era Dudu Futukas, um forte Místico, conhecido por suas criações, tanto de equipamentos quanto de magias. Dudu perguntou para Toni se Kzoi era um dos dois garotos que ele tinha comentado, que Kassius pediu para ajudá-los em Osnopha. Toni disse que sim, mas falou que não encontrou o outro garoto, o filho de Chabal. Dudu, ao mesmo tempo que explicava sobre a magia que estava tentando inventar – uma pedra mágica que pudesse ajudá-lo a conseguir sumonar (fazer aparecer) mais de uma criatura – e manuseava tal experimento, contou para os dois que ouviu falar que o filho de Chabal estava na Gang de Klaus Mort. Toni ficou muito assustado com o que o amigo lhe disse, pois Klaus Mort além de ser membro do Clã do Fógus, era um Ark sanguinário. Porém, Dudu Futukas lhe disse que aquilo foi o que ele ouviu falar, mas que não tinha certeza. Voltando ao que mais interessava no momento, Toni pediu a ajuda de Dudu nos próximos dias, para auxiliar o jovem Kzoi no domínio do Shun e de magias mais fortes, além de sumonar criaturas para o garoto treinar. Futukas aceitou o pedido e disse que no outro dia estaria cedo na casa de Toni para o início dos treinamentos.

            No caminho de volta Toni e Kzoi conversavam sobre o Místico Cristian Valdívia, Toni comentando que não acreditava que o garoto estava fazendo aquilo com a memória do pai e Kzoi falando que nunca achou que o Critian fosse uma boa pessoa. Toni aproveitou e passou no Centro, para falar com Teco Pequenino, irmão de Tico, e também homem de confiança de Josef Ensinius, para pedir para ele ir até Abitirum e dar a notícia sobre Cristian para Kassius Magma e para o velho vice-diretor. Depois disso foram para casa.

            No outro dia a fase de treinos começou para o jovem Kzoi. Já cedo Dudu Futukas chegou acordando Toni e o garoto com sua alegria de sempre. Perto da casa de Toni existia um campo verde, onde eles iriam treinar sempre. Todo dia era a mesma coisa, pela manhã Dudu treinava o controle do Shun com o garoto, fazendo com que ele tentasse controlar seu Shun em situações de muito desgaste físico, além de treinar as magias mais usadas pelo jovem, como por exemplo: a Velox Max, para ser mais veloz; a Proteção Plena, que o protegia de alguns golpes; a Rápida Cura, que cicatrizava alguns ferimentos e recuperava energia, entre outras. Pela tarde ele treinava com Toni, um pouco de luta corporal, para ficar mais forte fisicamente, e muito treino com arco, aproveitando simulações, graças às criaturas sumonadas por Dudu, sempre uma de cada vez. Eles ficaram nessa rotina durante semanas, e em um desses dias de treinamento Teco Pequenino apareceu, para falar com Toni que em uma semana Kassius Magma viria a sua casa, saber como anda Kzoi e procurar por Cristian.

            Dia após dia Kzoi ficava mais forte, controlava mais o seu Shun, conseguia repetir mais rapidamente suas magias, melhorava ainda mais sua mira e ficava visivelmente mais forte fisicamente e perceptivelmente mais forte mentalmente. Por esses motivos Toni o levou para uma caçada eletrizante, para testar o garoto. Toni levou o jovem até perto do Vulcão Flamejante, perto dele encontram-se as Chameskas, criaturas de fogo com o corpo de chamas no mesmo formato do corpo humano feminino. Antes de começar a caçada ele passou para o jovem o que ele teria que fazer, falou que ele deveria ficar sempre atento, mais ou menos afastado 10 metros de distância dele, ele iria bloquear as Chameskas e o garoto deveria atirar flechas especiais que combatessem melhor o fogo, e que ele deveria ter muito cuidado para não acertá-lo, pois ele estaria sempre muito perto das criaturas e para prestar atenção em todo o percurso, pois as bestas poderiam aparecer de qualquer lugar, até atacando-o, sem poder contar com o bloqueio de Toni Oravla. O garoto, que até então só tinha encarado dois Grotescos, estava apreensivo pois iria encarar junto com Toni dezenas de Chameskas. O experiente Guerreiro foi com o Ark até o “pé” do Vulcão e mandou o garoto ficar atento, até que ele começou a correr quando avistou as criaturas, indo na direção delas, seguido a uma certa distância por Kzoi, que já atirava abatendo algumas criaturas. A caçada estava eletrizante, Toni bloqueando perfeitamente as feras, que atiravam chamas de fogo no Guerreiro que se defendia muito bem, as vezes se esquivando e as vezes usando seu forte escudo, já Kzoi acertava todas as flechadas, até aquelas nas quais Toni estava muito próximo das Chameskas. Toni era muito habilidoso e começou a correr muito rápido, para poder acompanhá-lo Kzoi teve que usar o Velox Max, pelo menos umas dez criaturas já haviam sido abatidas, quando sem esperar, apareceu uma dessas criaturas atrás de Kzoi, que não esperava essa aparição, já que as criaturas até então abatidas só atacavam Toni. Quando a Chameska que estava atrás do garoto lançou duas bolas de fogo na direção do jovem, ele, bastante concentrado, se lembrou dos treinos com Dudu Futukas e usou a Proteção Plena, mesmo tendo gastado energia com a Velox Max, o garoto conseguiu evocar outra magia, mostrando sua evolução e se defendendo das chamas da criatura. Depois disso ele correu e com duas flechadas certeiras destruiu a Chameska, que o atacou e outra que atacava Toni à metros de distância, com uma confiança e habilidade indiscutível. Chameska era uma das raras criaturas que não dava nenhum item para seus caçadores, porém elas proporcionavam uma caçada sensacional. No fim da caçada, apesar de exaustos, Toni e Kzoi estavam muito satisfeitos.

            No caminho de volta para casa. Toni Oravla elogiou muito o garoto e disse que ele estava no caminho certo. Ainda ofegantes, os dois deram muitas risadas, quando Toni comentou sobre uma flechada que passou tão perto dele que ele já esperava a dor de recebê-la. Kzoi disse que quanto a isso ele poderia ficar tranqüilo, que na flechada ele era bom, pois Josef Arquerius lhe ensinou com a mais perfeita qualidade.

            Ao chegarem em casa, os dois tiveram uma ótima surpresa: Dudu Futukas que estava lá esperando os dois retornarem tinha preparado um jantar delicioso, javali das montanhas assado com acompanhamentos especiais. Toni e Kzoi estavam famintos devido a caçada e Dudu estava faminto porque até depois de comer ele sempre estava faminto, o que justificava toda sua gordura. Depois do jantar, já no quarto se preparando para dormir, Kzoi pegou em sua mochila o Diamante das Buscas Possíveis e começou a pensar em sua nova vida, ele estava começando a se acostumar com o Raugaj Arauq, seu novo mundo, se sentia bem treinando e se tornando mais forte. Apesar da ótima companhia de Toni e Dudu, se sentia sozinho. O garoto já pensava em usar a magia do diamante, e isso não demoraria muito.

            No outro dia, enquanto tomavam o café da manhã, mais uma vez preparado por Dudu, que tinha se mudado temporariamente para casa de Toni (sem permissão), pois não aguentou ter que ficar andando todo dia de sua casa para a residência do amigo, receberam a visita de Kassius Magma. O diretor do IEGMA veio para Osnopha devido a notícia sobre o desvio de Cristian Valdívia. Conversou, em particular com Toni, depois de cumprimentar Kzoi de Jaguar e Dudu Futukas. Nessa conversa falaram muito sobre Kzoi, que foi a todo momento elogiado por Toni, em todos os aspectos, mas também falaram sobre Cristian, desconhecido por Toni. Foi Kassius quem mais falou sobre o garoto. Kassius Magma também falou que seu irmão Marcus já tinha ido a procura do jovem Místico, pois além do bom relacionamento entre seu irmão e Cristian, Marcus Magma sempre teve muita facilidade em encontrar as pessoas através de seu Shun (dom pessoal). Ao voltarem para companhia de Kzoi e Dudu, os dois comentaram que Macus Magma teria ido em busca de Cristian, e, aproveitando essa conversa, Kzoi de Jaguar revelou para os três presentes o pedaço da conversa que ouviu de Marcus e Cristian nos corredores do Instituto, em sua última noite em Abitirum. O silêncio reinou na casa durante alguns segundos, Kassius estava visivelmente apreensivo. Depois do clima tenso, Kzoi foi treinar algumas magias com Dudu, enquanto Kassius e Toni ficaram lembrando seus tempos de IEGMA, o início dos dois em Osnopha, suas caçadas e aventuras entre tantas outras histórias.

            Já no campo próximo a casa de Toni, o Místico Dudu Futukas tentava ensinar ao Ark Kzoi de Jaguar uma magia nunca antes realizada por nenhum Ark ou Guerreiro. Era a Summon Me, magia muito difícil até para os próprios Místicos, que precisavam muitas vezes estarem com o Shun no máximo para conseguirem evocá-la. Kzoi não conseguia de forma alguma, mas Dudu insistia, pois mesmo sem conseguir evocar a magia, aos poucos era percebível que o jovem conseguia cada vez mais controlar o seu Shun.

            Quando chegaram em casa, encontraram um bilhete escrito por Toni Oravla, explicando que tinha saído com Kassius ao encontro de Marcus e Cristian. Após a leitura da carta, Dudu dormiu na rede que tinha na varanda da casa e Kzoi subiu para seu quarto, pegou o diamante em sua mochila, decidido a usá-lo.

            Enquanto isso Kassius e Toni estavam à procura de Marcus e Cristian. Kassius Magma comentou com Toni Oravla que estava sentindo o Shun de Marcus, o Guerreiro o questionou, querendo saber desde quando ele conseguia sentir o Shun dos outros, o Mistico o respondeu falando que realmente não era nenhum especialista nisso, mas que Marcus era seu irmão e que seus laços sanguíneos facilitavam o processo. Eles estavam indo em direção a um dos lugares mais obscuros de Osnopha, onde a maioria de sua população era do Clã do Fógus. Passavam por ruas cada vez mais escuras. Recebiam olhares atravessados de Guerreiros, Místicos e Arks, que não estavam nada contentes com a presença dos dois ali, mas que não os enfrentavam por saber e sentir que eles eram extremamente fortes. Quando chegaram ao lado de uma casa escura, aparentemente abandonada, muito velha, Kassius pediu para Toni controlar o seu Shun para um nível que não pudesse ser percebido, pois Marcus estava perto e poderia estar com más companhias. Quando se aproximaram da porta de uma sala, ouviram Cristian Valdivia e Marcus Magma comentando que tudo estava acontecendo como combinado, foi aí que Kassius invadiu a sala querendo saber que combinado era esse que ninguém mais sabia. Cristian e Marcus ficaram surpresos e apreensivos, não esperavam que Kassius Magma ou qualquer outro membro do Clã do Bem ficassem sabendo do que foi acordado entre eles. O clima estava muito ruim.

            Já Kzoi, enquanto tudo aquilo acontecia na parte obscura de Osnopha, parecia está decidido quanto ao uso do Diamante das Buscas Possíveis. Pegou a lamparina, por já ser noite, e foi sozinho, pois Dudu ainda dormia, para o campo onde treinava. Chegando lá, colocou o diamante em sua frente, na grama, ajoelhou-se e concentrou todo o seu Shun, o que gerou uma luz verde muito intensa saindo de seu corpo. Conforme brilhava essa luz verde saindo do corpo do jovem, o diamante ia levitando, gerando uma luz vermelha e pequena em seu centro. Quando a pedra ficou na altura de seus olhos, Kzoi olhou para o centro dela e fez o pedido, pediu a vinda de três amigos para Osnopha, eles foram: Trom de Jaguar, como seu amigo Doug era conhecido no jogo de RPG que praticavam; Quiara de Jaguar, nome de sua amiga Clara no mesmo jogo; e, Orian Nores, seu grande amigo dos tempos de Abitirum. Após o pedido, ao olhar para a pedra Kzoi viu cenas da vida dos amigos em Abitirum, passando muito rápido, desde a conferência do nome na lista, feita por Josef Inicius na sala branca, aos treinamentos deles no IEGMA. Até que as imagens passaram a ser em tempo real, dos três amigos nos quartos da escola, preparados para sua última noite em Abitirum. Em todo esse processo Trom e Quiara, como Doug e Clara passariam a ser chamados, respectivamente, ficaram sabendo tudo, que Zé passou a se chamar Kzoi, que eles estavam em um novo mundo, que Kzoi era um Ark muito poderoso, pois conseguiu especializa-se em apenas quatro meses. Eles também conheceram Nores, se tornaram amigos, estudaram, treinaram e deram muitas risadas juntos. Foi como se eles passassem pelo mesmo processo que Kzoi passou, só que em vez de 4 meses, eles passaram o equivalente a aproximadamente 2 anos em Abitirum. Mas para Orian, Trom e Quiara o tempo passou normalmente, mas para Kzoi esses anos passaram em apenas em 48 horas, algo muito difícil de entender, mas possível na realidade do Raugaj Arauq, graças ao Diamante das Buscas Possíveis, um dos mais raros itens do “jogo”. Breve Osnopha conheceria o único clã capaz de salvar os Mundos, o Clã Jaguar.

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